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IAC leva novidades para a Agrishow 2003
Na segunda-feira, 28, o IAC lança o sistema de Automatização e Informatização da Rede de Estações Meteorológicas.(25/04)
Os visitantes da Agrishow 2003 terão muito para conhecer dentre as tecnologias e variedades que o Instituto Agronômico (IAC), órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, irá expor na Feira. A Agrishow será realizada de 28 de abril a 3 de maio, em Ribeirão Preto.
Além de observar as culturas e conhecer técnicas que alavancam as plantações, os produtores e demais profissionais da agricultura terão a oportunidade de receber de pesquisadores explicações sobre as características das culturas e os benefícios a serem colhidos com o conhecimento IAC.
Em 28 de abril, o Instituto Agronômico irá lançar oficialmente o sistema de Automatização e Informatização da Rede de Estações Meteorológica. A modernização do sistema resulta em maior eficiência e agilidade na coleta e divulgação de dados meteorológicos. Para se ter uma idéia do avanço que a automatização e informatização representam, em caso de geada, é possível coletar os dados em cerca de duas horas. Nas Estações Mecânicas seriam necessários de um a dois dias.
Durante toda a feira o plot do IAC estará com outras novidades e tecnologias que devem atrair a atenção do público, como a nova variedade de arroz que será apresentada na Feira. O IAC adotou um sistema de apresentar as variedades na Feira para os produtores conhecerem e, posteriormente, lançar oficialmente a variedade.
A nova variedade de arroz foi selecionada para atender ao nicho específico de mercado ? a culinária japonesa, especialmente para produção de sushi. Esse tipo de arroz é o que apresenta maior demanda dentre os tipos especiais. Apesar da grande demanda, até então, não havia nenhuma variedade especial selecionada para o cultivo em São Paulo. O Estado tem condições de clima favoráveis para esse tipo de arroz, com padrão compatível com a produção da melhor região do Japão. Por enquanto, as variedades cultivadas em campos paulistas vêm de outros Estados ou importadas de outros países. Esse fator, além de encarecer o produto, tem outra agravante: as variedades importadas não são adequadas para as características de solo e clima paulistas, além de serem suscetíveis a doenças.
Para a cadeia produtiva de amendoim, nova variedade será apresentada pelo Instituto Agronômico durante a Agrishow 2003. É a chamada IAC 8112, que será exposta junto a outras duas variedades de características semelhantes, a IAC 5 e a IAC 22, cultivares do grupo ereto precoce.
Essas variedades podem ser produzidas em locais onde a precocidade é um requerimento importante, como nas regiões de cana-de-açúcar, pois elas têm ciclo de até 120 dias, do plantio à colheita. Nessas regiões, o amendoim é cultivado nas áreas destinadas à renovação dos canaviais onde, em geral, o ciclo da cultura anual não pode ultrapassar 120 dias.
É importante salientar que, em São Paulo, a viabilidade da produção de amendoim em áreas de cana representa um importante fator econômico para muitos municípios. A cadeia de produção de doces, em que o amendoim se insere, é eficiente geradora de empregos e renda, complementando significativamente a atividade da agroindústria canavieira.
O público da Agrishow 2003 também poderá conhecer e receber explicações sobre os resultados de pesquisas em milho. Estarão expostas a IAC 8333 e a variedade Airã, esta adequada para a safrinha e com características valorizadas pelo mercado. A IAC 8333 é um híbrido muito mais barato que os existentes, por isso deve atender às necessidades do pequeno e médio produtor. Com a redução do preço da semente, a expectativa é viabilizar economia ao produtor, para que possa realizar outros investimentos e aumentar sua renda. Esses resultados poderão contribuir também para a fixação do agricultor no campo.
O Instituto Agronômico também irá expor na Agrishow variedades de mamona, cultura geradora de óleo destinado à indústria. O óleo de mamona ou de rícino, extraído da prensagem das sementes, contém 90% de ácido graxo ricinoléico, o que confere ao óleo suas características singulares, possibilitando ampla gama de utilização industrial, tornando a cultura da mamoneira importante potencial econômico e estratégico ao Brasil. Na agricultura, a torta de mamona é utilizada como adubo orgânico possuindo, também, efeito nematicida.Também estarão expostas cultivares de feijão, soja, girassol, pupunha, frutas e café. O público também terá acesso a cursos na área de mecanização agrícola, sobre pulverizadores. A estufa de hidroponia, onde pesquisadores explicam sobre essa tecnologia de cultivo na ausência do solo, será outro ponto de visita quase obrigatória para os produtores que buscam diferentes nichos de mercado.
IAC apresenta nova variedade de arroz na Agrishow 2003
O público da Agrishow terá ótima oportunidade para conhecer a nova variedade de arroz do IAC. A novidade é o tipo especial para a culinária japonesa ? a primeira desse tipo selecionada para o cultivo em São Paulo. O IAC adotou um sistema de apresentar as variedades na feira para os produtores conhecerem e, depois, lançar oficialmente a variedade.
A nova variedade foi selecionada para atender ao nicho específico de mercado ? a culinária japonesa, especialmente para produção de sushi. Esse tipo de arroz é o que apresenta maior demanda dentre os tipos especiais de arroz . Os demais são o arroz aromático, o exótico e o arbóreo (rizotto).
Apesar da grande demanda, até então, não havia nenhuma variedade especial selecionada para o cultivo em São Paulo. O Estado tem condições de clima favoráveis para esse tipo de arroz, com padrão compatível com a produção da melhor região do Japão. Por enquanto, as variedades cultivadas em campos paulistas vêm de outros Estados ou importadas de outros países. Esse fator, além de encarecer o produto, tem outra agravante: as variedades importadas não são adequadas para as características de solo e clima paulistas, além de serem suscetíveis a doenças.
O objetivo da pesquisa, iniciada no IAC em 1992, foi desenvolver uma variedade com características culinares de padrão internacional, tipo Koshihikari, com qualidade agronômica, e com aspectos de resistência e produtividade adequadas às condições edafoclimáticas de São Paulo. As sementes dessa nova variedade devem estar disponíveis para o produtor a partir de 2004.
Segundo o pesquisador do IAC, Cândido Ricardo Bastos, a nova variedade IAC tem qualidade excelente, comparada aos melhores materiais importados, especialmente para sushi. Em termos de resistência, a variedade é moderadamente suscetível a brusone, principal doença que ataca o arroz. Os materiais importados são altamente suscetíveis a essa doença.
A variedade apresentou produtividade média de 5.200 kg por hectare, equivalente aos tipos tradicionais. Para o tipo especial essa produtividade é considerada excelente. De acordo com o pesquisador do IAC, Luiz Ernesto Azzini, os materiais importados não ultrapassam 2000kg/ha. Os testes de qualidade e produtividade foram feitos, durante três anos, no Vale do Ribeira, Vale do Paraíba e Mococa. Outras características dessa variedade são ciclo intermediário, de 120 a 130 dias do plantio à colheita, porte baixo, com 97 cm em média, e grão médio, com 5 ou 6 milímetros de comprimento.
A forma de cultivo é o plantio tradicional de arroz irrigado por inundação, chamado arroz de várzea. \"O produtor de arroz irrigado não precisa mudar nada, não precisa investir em nada ? é uma simples troca de uma variedade por outra\", afirma Bastos.
A produção dessa nova variedade traz outras vantagens para o produtor: primeiramente, o fato de ser um tipo especial e superar em muito os padrões nacionais destinados à culinária japonesa. O agricultor passará a ter nova opção para produzir e negociar arroz dentro da cadeia produtiva, com expectativa de ter um ganho superior ao obtido com o arroz tradicional, que chega a ser cinco vezes mais barato que o arroz do tipo especial.
Um dos reflexos no agronegócio esperado por essa nova variedade ? e que merece destaque ? é a garantia de continuidade no mercado já conquistado. Isso porque o produtor e a indústria não ficarão na dependência de material importado, cuja estabilidade de fornecimento depende da variação cambial e de políticas de importação.
Para o consumidor, as vantagens da nova variedade estão na qualidade de padrão internacional e no preço, que deve baixar por ser material nacional. \"O consumidor vai levar para casa a qualidade de um produto que outros materiais não teriam\", diz Bastos. A qualidade da nova variedade IAC foi testada por integrantes da colônia japonesa. A exigência de qualidade no mercado para arroz tipo especial é maior que no arroz tradicional.
Programa de Melhoramento de Arroz
O Programa de Melhoramento de Arroz do Instituto Agronômico funciona desde 1935. Na última década, tornou-se mais eclético em atendimento às exigências de mercado e visando à cadeia produtiva. Nos últimos dez anos, seis novas variedades foram selecionadas, sendo cinco do tipo tradicional e uma do especial. A última variedade lançada, em 2001, é a IAC 500, arroz aromático também é tipo especial.
IAC lança Automatização e Informatização da Rede Meteorológica
O Instituto Agronômico irá lançar, oficialmente, o sistema de Automatização e Informatização da Rede Meteorológica, durante a Agrishow, em 28 de abril.
O IAC iniciou a coleta e o armazenamento das variáveis meteorológicas no Estado de São Paulo em 1890 e agora moderniza o trabalho para melhor atender à sociedade. Atualmente, o IAC administra uma rede de cerca de 98 estações meteorológicas, das quais 40 são automáticas. Em parceria com outras instituições públicas e privadas, a rede trabalhada pelo IAC totaliza 121 estações meteorológicas, que coletam dados sobre temperatura, umidade do ar, precipitação pluviométrica, vento, radiação solar, temperatura e fluxo de calor e umidade do solo.
Automatizar e informatizar a Rede significa que a coleta de dados meteorológicos é feita pelo próprio equipamento, sem a intervenção humana, o que evita erros. O outro sistema são as estações mecânicas, em que a coleta de dados é realizada manualmente por profissional.
A modernização do sistema resulta em maior eficiência e agilidade na coleta e divulgação de dados meteorológicos. Para se ter uma idéia do avanço que a automatização e informatização representam, em caso de geada, é possível coletar os dados em cerca de duas horas. Nas estações mecânicas seriam necessários de um a dois dias. Portanto, a automatização e informatização da rede viabiliza a disponibilização da informação quase imediata para o setor produtivo. Essa velocidade permite ao produtor maior agilidade na tomada de decisão e na execução de medidas para proteger a plantação dos efeitos danosos das ocorrências climáticas. Assim, se o produtor sabe que vai gear, pode providenciar o aquecimento da lavoura para evitar perdas.
De acordo com o pesquisador do IAC, Orivaldo Brunini, a agilidade na coleta e difusão de dados também influencia a política pública de controle de abastecimento de alimentos, pois a demora na confirmação sobre eventos climáticos que prejudicam os campos, como a geada, em geral eleva o valor de produtos. A rapidez, portanto, ajuda a evitar a especulação de preços.
Além da maior velocidade na coleta e na transmissão de dados, a automatização da Rede de Estações promove a precisão e a constância dos dados, além de aumentar a capacidade de trabalho com grande número de informação.
Para o ambiente, o sistema informatizado também gera benefícios ao reduzir os impactos. Por exemplo, se o agricultor é informado sobre chuvas ele não deve aplicar defensivos, que seriam lavados, causando perdas para o produtor e para a natureza. A precisão nos dados ainda viabiliza estimativas mais corretas de manejo e irrigação, e adoção de técnicas para o controle de geada e seca.
A automatização e informatização também contribuem para o atendimento mais rápido à sociedade em casos de adversidades climáticas, servindo de suporte, por exemplo, ao combate a enchentes.
Essa ferramenta tem sua importância destacada em vista da previsão de aumento gradual da temperatura do globo terrestre, com alterações nas características marcantes e nos climas das diversas partes. Dentro desse cenário, é mais provável a ocorrência de seca, inundação, aquecimento local e geada. O meio para lidar com essa situação é a geração de tecnologias que permitam ações imediatas e viabilizem o estabelecimento de prognósticos que sirvam de orientação.
A mediação das variáveis meteorológicas é uma das mais importantes ferramentas para o estabelecimento dessas ações. Essas variáveis necessitam de precisão em tempo e espaço, a fim de a quantificar o impacto dessas alterações em todos os setores do agronegócio, assim como para a sociedade em geral.
A Rede
Para dar suporte aos estudos e às tecnologias de preservação ambiental e redução dos riscos climáticos na agricultura, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, por meio do IAC, iniciou um processo de informatização e automação da Rede Meteorológica de superfície instalando estações Meteorológicas automáticas.
Atualmente estão instaladas no Estado de São Paulo, sob a coordenação do IAC, 40 estações Meteorológicas Automáticas, sendo a grande maioria acessada via telefone, e as que ainda não o são têm transferência de dados via Internet ao Centro de Ecofisiologia e Biofísica do IAC para análise e processamento.
O sistema de análise, controle e processamento é feito no Software Oracle, o que permite compatibilidade com banco de dados em todo o mundo. Este processo todo é gerenciado por software especialmente desenvolvido e denominado SISGEMA (Sistema Gerencial de Estações Meteorológicas Automáticas), desenvolvido para plataforma Oracle. A configuração de tal sistema permite alta dinamicidade e precisão não só na coleta das informações, mas também na análise de eventos catastróficos como inundações, geadas e vendavais, além de servir de suporte às atividades do agronegócio, turismo e saúde ambiental.
Essas informações são transferidas a todos os setores da sociedade, tanto públicos como privados, para promover uma socialização do uso dos dados meteorológicos. Ressalta-se ainda que todas essas atividades fazem parte do programa Sistemas de Informações Hidrometereológicas, coordenado pelo IAC.
Novas cultivares de amendoim do IAC ampliam as opções para os produtores
Nova variedade de amendoim será apresentada pelo Instituto Agronômico durante a Agrishow 2003. É a chamada IAC 8112, que será exposta junto a outras duas variedades de características semelhantes, a IAC 5 e a IAC 22, cultivares do grupo ereto precoce. Uma boa notícia para São Paulo, que responde por mais de 80% da produção brasileira.
Essas variedades têm ciclo até de 120 dias, do plantio à colheita, o que permite que o amendoim possa ser produzido em locais onde a precocidade é um requerimento importante, como é o caso das regiões de cana-de-açúcar. Nessas regiões, o amendoim é cultivado nas áreas destinadas à renovação dos canaviais onde, em geral, o ciclo da cultura anual não pode ultrapassar 120 dias.
É interessante salientar que, em São Paulo, a viabilidade da produção de amendoim em áreas de cana representa importante fator econômico para muitos municípios. A cadeia de produção de doces, em que o amendoim se insere, é eficiente geradora de empregos e renda, complementando significativamente a atividade da agroindústria da cana-de-açúcar.
Segundo o pesquisador Ignácio José de Godoy, além da precocidade, as três cultivares possuem produtividade, em média, 20% superior à de outras cultivares do grupo ereto precoce. Nas regiões produtoras de São Paulo, na safra das \"águas\", seu potencial de produção ultrapassa 5 mil kg/hectare de vagens, em lavouras conduzidas com adequado nível tecnológico. Maior tamanho e uniformidade dos grãos são outras vantagens desses amendoins em relação aos tradicionais destinados ao mercado brasileiro.
IAC 5 produz grãos de película vermelha, sendo, portanto, uma opção de melhor qualidade para os produtos comercializados em \"grãos inteiros com pele\"; para o mercado interno, os grãos de cor vermelha representam cerca de 30% da preferência dos consumidores de amendoim in natura. Os grãos dessa cultivar também apresentam como vantagem, a maior facilidade para \"blancheamento\", ou o processo de produção de grãos inteiros, sem a pele.
IAC 22 e IAC 8112 possuem grãos de película clara; por essa característica, e pela boa granulometria, a produção de grãos dessas cultivares precoces pode complementar estoques de grãos destinados à exportação, produzidos por cultivares de ciclo mais tardio. Seus grãos também podem constituir a matéria-prima para a elaboração de uma série de outros produtos à base de grãos inteiros despeliculados, em \"bandas\", ou moídos.
Runner IAC 886
Uma cultivar IAC para o mercado de exportação também poderá ser vista pelo público da Agrishow. Os amendoins conhecidos \"runners\" são os mais comercializados internacionalmente. Os grãos desse tipo, entre outras características, são de película clara e tamanho maior do que os tradicionalmente produzidos para o mercado brasileiro.
Com a recente tecnificação das regiões produtoras de São Paulo e a disponibilidade de cultivares produtoras desse tipo comercial, o Brasil tem condições para, gradativamente, ganhar expressivo espaço no mercado de exportação. A produção para este segmento ainda está no início, mas registra crescimento ano a ano. Estima-se que pelo menos 20 mil toneladas de grãos \"runner\" tenham sido colhidas na safra 2002/2003. Parte desse volume estará sendo exportada e, a outra, comercializada no mercado interno.
Runner IAC 886 é a segunda cultivar desse tipo lançada pelo IAC com o objetivo de aprimorar os padrões de produção de amendoim tipo exportação. Os grãos são típicos \"runner\", semelhantes aos dos amendoins americanos e argentinos, tidos como referência no mercado internacional. Em boas condições de cultivo, essa cultivar produz mais de 80% de grãos classificados entre as peneiras 24 e 30, ou seja, grãos de tamanho mais valorizado na comercialização.
A nova cultivar é de hábito de crescimento rasteiro e ciclo de 130 dias. É considerada uma variedade de alto desempenho, necessitando ser cultivada com nível adequado de tecnificação, principalmente quanto ao manejo da fertilidade do solo e controle de doenças foliares. Nessas condições, sua produtividade pode ultrapassar 6.500 kg/hectare, em casca, como tem sido observado em plantios experimentais.
Essas variedades desenvolvidas pelo Instituto Agronômico vêm auxiliar o produtor a explorar os mercados existentes e conquistar novos espaços. O consumo brasileiro de amendoim, in natura ou na forma de doces e confeitos, atualmente está entre 120 e 150 mil toneladas de grãos por ano. A demanda de exportações para países da Europa e Ásia é da ordem de 1 milhão de toneladas, e os principais exportadores são China, Estados Unidos e Argentina.
A contribuição do IAC para a cadeia produtiva de amendoim está em oferecer alternativas para o produtor em atender ao mercado interno ou externo, já que os tipos de grãos a serem produzidos são variáveis. Tamanho, cor de película, sabor e textura do grão são alguns dos aspectos das diferenças de preferência, principalmente entre os mercados interno e de exportação.
No Brasil, o nível tecnológico, as regiões e sistemas agrícolas em que o amendoim é produzido também apresentam variações. Por isso, é importante que os agricultores disponham de opções de escolha de cultivares que melhor se adaptem ao seu ambiente de produção.
Para atender a essa diversidade de ambientes e de tipos de amendoim em função do mercado, o Instituto Agronômico (IAC) expõe, na Agrishow 2003, quatro novas cultivares de amendoim. Os novos materiais genéticos, já registrados para comercialização, encontram-se em fase de multiplicação de sementes.
Produtores podem optar por variedades de soja mais resistentes
A soja é a principal cultura orgânica do Brasil, representando 31% do volume de produção desse setor. Esse promissor negócio de produtos livres de agrotóxicos cresce constantemente entre produtores e consumidores. Aqueles procuram fontes mais rentáveis, estes buscam alimentos mais saudáveis.
É nesse universo que mais uma criação do Instituto Agronômico (IAC) irá causar impacto. São as variedades de soja IAC 23 e IAC 24, mais resistentes que o material comercial existente no mercado. \"O nível de resistência dessas variedades pode dispensar o uso de defensivos\", afirma o pesquisador do IAC, Manoel Miranda.
A agregação de valor ao produto ? por viabilizar a produção orgânica ? é um dos destaques principais desse material, além da estabilidade produtiva acarretada pela resistência.
Mais resistentes a doenças e pragas, essas cultivares irão reduzir a aplicação de agrotóxicos e racionalizar a mão-de-obra. O ciclo da IAC 23 é precoce, 110 dias, e o da IAC 24 é semi-precoce, 120 dias do plantio à maturação. Isso torna necessário menor número de máquinas, pois, juntamente com outras variedades, possibilita a colheita em épocas diferentes. Reunindo-se cultivares de ciclos precoce, médio e tardio é possível alongar o período de colheita em um mês.
A IAC 23 tem altura uniforme, de 70 cm, e facilita a mecanização. Além disso, tem período juvenil ? apresenta a mesma altura independente da época do plantio ? o que garante também maior amplitude geográfica de utilização.
Para o consumidor, a IAC 23, e IAC-24 terão outro atrativo: maior teor de isoflavona, substância que está embutida na resistência a insetos e tem positivos reflexos na saúde humana, como prevenção de câncer e osteoporose, e renovação de células.
Na avaliação do pesquisador Manoel Miranda, a IAC 24 terá expansão mais rápida, por ser tolerante à \"queima do broto\", virose importante que ataca as plantações na Região Sul de São Paulo, Estado que reúne a maior área plantada de orgânicos, com 30 mil hectares.
As pesquisas com essas variedades foram concluídas em 1999. Agora as cultivares estão em fase de registro.
MILHO
Pequenos e médios produtores terão híbrido mais barato
O público Agrishow 2003 poderá conhecer e receber explicações sobre os resultados de pesquisas em milho. Estarão expostas a IAC 8333 e a variedade Airã. A IAC 8333 é um híbrido simples de sintético (resultante do cruzamento de dois sintéticos) ? uma classe de milho que praticamente não existe no mercado ? e está em testes finais no Instituto Agronômico (IAC). IAC 8333 é um híbrido muito mais barato que os existentes, por isso deverá atender às necessidades do pequeno e médio produtor.
Com a redução do preço da semente, a expectativa é viabilizar economia ao produtor, para que possa fazer outros investimentos e aumentar sua renda. Esses resultados poderão contribuir também para a fixação do agricultor no campo.
Segundo o pesquisador do IAC, Eduardo Sawazaki, esse material é moderno e bem adaptado para a mecanização, em razão do porte baixo, caraterística que dá maior resistência à planta, e apreciada no mercado, podendo ser usada para produtores de média a alta tecnologia. A IAC 8333 também é mais produtiva, comparada com outras variedades da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado.
Há três anos, a IAC 8333 está em testes em todo o Brasil, em vários municípios paulistas e em campos de demonstração nas Unidades da APTA, em Adamantina, Mococa, Capão Bonito, Votuporanga, Pariquera-Açu. A produção de sementes será feita, sob encomenda, em convênios para atender aos produtores, associações e cooperativas.
Variedade Airã
Essa variedade tem boa adaptação para os plantios extemporâneos (safrinha). Essa característica beneficia o produtor pelo fato de explorar a entresafra, quando o produto atinge melhores preços. A safrinha é forte na Região Norte do Estado, envolvendo a cidade de Ribeirão Preto, e também no Vale do Paranapanema.
Além dessa vantagem, a Airã é precoce, tem resistência às principais doenças do milho e apresenta grãos alaranjados e semi-duros, características apreciadas pelo mercado.
A Airã está sendo avaliada pelo segundo ano nas regiões Centro e Sul do Brasil, e há vários anos nos ensaios regionais de São Paulo em plantios de verão e safrinha.
Pesquisa do IAC ajuda a manter exportação de palmito
O Brasil detém 95% do mercado de exportação mundial de palmito. Isso pode representar boa oportunidade para os interessados nesse mercado. A fim de auxiliar os agricultores, o IAC desenvolve pesquisas sobre a pupunha, palmito que pode ser colhido 18 meses após o plantio. Além da precocidade, a pupunha é mais doce, mais amarelada e não escurece após o corte, o que facilita o processamento e a comercialização in natura de um produto de boa qualidade e excelente aceitação.
A pupunha pode ser chamada de \"palmito politicamente correto\", pois apresenta o caráter permanente de exploração, sua principal característica. Os demais palmitos são explorados, em uma atividade ainda hoje extrativa e altamente predatória. Por esse motivo, a pupunha é a alternativa para manter a exportação.
Com o objetivo de alterar esse quadro, diminuindo a pressão de exploração sobre nossas espécies nativas, palmeiras mais precoces e produtoras de palmito de boa qualidade têm sido alvo de pesquisa e de interesse crescente pelos agricultores. O Instituto Agronômico desenvolve, desde 1972, pesquisas com palmeiras produtoras de palmito. Esse interesse é devido, principalmente, à alta demanda interna e à externa para palmito de boa qualidade e à lucratividade do setor. Dentre as palmeiras mais precoces, têm merecido destaque a pupunheira (Bactris gasipaes) e a palmeira real australiana (Archontophoenix spp.).
O cultivo de pupunha despertou o interesse dos produtores devido à busca de novas opções de cultivo em substituição aos originais, poucos rentáveis no mercado pela extração predatória. A pupunheira apresenta quase todas as características de bom palmito, como abundância, boa ao paladar, cor, formato, ausência de princípios tóxicos, alto rendimento e facilidade de extração. Apresenta ainda algumas vantagens adicionais, como crescimento acelerado (precocidade), perfilhamento, rusticidade e alta sobrevivência no campo.
Agronegócio Palmito
Para se ter uma idéia da dimensão dessa atividade, basta dizer que o faturamento médio anual do setor no Brasil é da ordem de 350 milhões de dólares, com geração de 8 mil empregos diretos e cerca de 25 mil indiretos. No entanto, devido à alta taxa de exploração de palmeiras do gênero Euterpe e ao seu poder de regeneração relativamente baixo, há atualmente, falta de produto de boa qualidade.
Nesse mercado, de cerca de 30 mil toneladas por ano, antes dominado por palmeiras do gênero Euterpe, a contribuição atual de palmito de pupunha é superior a 40%. A tendência da participação do palmito cultivado sobre o nativo é aumentar, em vista da entrada em produção de novas áreas de cultivo, com essa e outras espécies igualmente precoces (palmeira real australiana e gariroba), e da diminuição das reservas naturais de Euterpe, em virtude da exploração predatória, ainda operante. Some-se a isso o interesse dos consumidores que, imbuídos de espírito conservacionista, começam a dar preferência ao produto cultivado.
Linhas de Pesquisa
O Instituto Agronômico (IAC) desenvolve, desde 1972, pesquisas com palmeiras produtoras de palmito em diferentes áreas do conhecimento, sempre enfocando a aplicabilidade dos trabalhos e/ou processos desenvolvidos, em parceria com outras instituições de pesquisa, universidades, empresários e agricultores em geral. Ênfase tem sido dada aos estudos de técnicas de propagação e cultivo, manejo e irrigação, adubação orgânica e mineral, fisiologia do crescimento e da produção, fitossanidade, melhoramento genético, manutenção, caracterização e conservação de germoplasma, colheita e processamento pós-colheita, de palmito de palmeiras de diversas espécies e gêneros botânicos.
Duas variedades IAC de girassol são expostos na Agrishow 2003
O cultivo de girassol também está nas pesquisas do Instituto Agronômico, que levará para a Agrishow duas variedades da planta. A variedade Uruguai, que tem todo seu potencial explorado se plantada na safrinha, e a IAC-Iarama que deve ser plantada na safra, pois em outras épocas a produção não corresponde aos padrões.
A variedade IAC-Uruguai ? excelente para silagem ? também pode ser utilizada para a produção de grãos para pássaros e para adubação verde. É de ciclo semi-tardio, porte alto, sementes rajadas com cerca de 34% a 38% de óleo. Na safrinha pode render de 10t a 12 t/ha de matéria seca. As pesquisas com essa variedade tiveram início em 1980 no IAC.
Para áreas de reforma de canavial, na safra, a boa opção é a variedade IAC-Iarama, que será lançada ainda este ano. Em razão da precocidade, a Iarama é a mais utilizada na reforma de canaviais, pois as doenças do girassol atacam no início do plantio, em outubro, e a IAC-Iarama pode ser plantada em novembro, após o período do ataque das pragas. Sua precocidade ainda viabiliza sua colheita sem atrapalhar a preparação do solo para o plantio da cana. As outras variedades destinadas à renovação de canaviais, por terem ciclos mais longos, geralmente são atacadas por doenças no inicio do plantio, em outubro.
A IAC-Iarama, pesquisada desde 1990, possui semente escura, com cerca de 44% de óleo, porte baixo e ciclo curto. Rendimento médio de grãos de 2.400 kg/ha e boa uniformidade, o que facilita a colheita mecanizada. A utilização da variedade Iarama é exclusiva para a produção de óleo. A semente possui cerca de 44% de óleo. Apesar da quantidade média de óleo em outras sementes de girassol ser próxima a esse valor, a variedade IAC se destaca por produzir quantidade um pouco maior de óleo, porém em menor tempo, de acordo com a pesquisadora do IAC Maria Regina Gonçalves Úngaro.
A grande vantagem das variedades IAC, em relação aos híbridos, está no preço mais baixo e na possibilidade de uso das sementes produzidas pelo próprio agricultor por até dois ciclos, desde que não tenham ocorrido problemas graves com doenças, o que é raro.
As pesquisas no IAC tiveram início em 1942. Atualmente elas envolvem o desenvolvimento de novos cultivares, avaliações fitotécnicas e fitopatogênicas, estudos de fisiologia, máquinas agrícolas e, mais recentemente, a utilização do biocombustível de girassol em motores agrícolas.
O girassol é uma das quatro culturas oleaginosas do mundo. Além do óleo para consumo humano e medicinal, também pode fornecer alimentação para animais, como os grãos para pássaros e aves, tortas para compor rações em geral, silagem e forragem para gado, caprinos e ovinos, além de ser excelente produtor de mel e bom adubo verde.
Introduzido no Brasil pelos imigrantes europeus devido ao hábito do consumo de suas sementes tostadas, o girassol pode ser cultivado em grande parte do território brasileiro, com exceção para a faixa litorânea e a região amazônica devido ao excesso de umidade. Goiás é o grande produtor de grãos para óleo e para pássaros. São Paulo produz para silagem, pássaros, óleo comestível e medicinal, principalmente.
IAC expõe feijão Tybatã
IAC-Carioca Tybatã é uma nova opção para o agricultor
Pioneiro no Brasil nos programas de melhoramento genético de feijão, o Instituto Agronômico (IAC) traz para a Agrishow a última variedade de feijão desenvolvida, lançada em 2002 ? é o IAC-Carioca Tybatã. Recomendada para o plantio nas três épocas de cultivo em todo o Estado de São Paulo e com características de alta produtividade e resistência, a variedade é benéfica para o mercado e também para o ambiente. O IAC-Carioca Tybatã apresenta maior resistência a patógenos, alta capacidade produtiva, boa arquitetura de planta ? que facilita a mecanização da colheita ?, e bom teor protéico.
Para o produtor, a nova variedade permitirá a redução no custo de produção por ser resistente a vários patógenos, como o mosaico dourado, a ferrugem e a mosca branca. Com isso, reduz-se aplicação de agrotóxicos, o que beneficia também o ambiente e a saúde dos trabalhadores, livrando-os de intoxicação. A queda do custo de produção deverá representar mais reais por hectare e menor preço para o consumidor.
Segundo um dos pesquisadores responsáveis, Antonio Sidney Pompeu, do Centro de Análise e Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Grãos e Fibras do IAC, o objetivo principal da pesquisa, iniciada em 1989, foi produzir um material resistente ao mosaico dourado e com isso aumentar a produção e sua estabilidade. A produtividade média do IAC-Carioca Tybatã também é um de seus destaques. Considerando-se as três épocas de plantio no período 1997-98, em 32 ensaios, a produtividade foi de 2.404 kg/ha, comparada a 2.169 kg/ha do controle IAC-Carioca.
Nos 70, no Paraná, não se cultivava feijão em razão dessa doença ? que infecta toda a planta, reduz sua produção e até hoje prejudica essa cultura naquele Estado.
Fartura
Seguindo a tradição que os pesquisadores têm de dar nomes Tupi Guarani às novas variedades, Tybatã significa fartura. A expectativa dos pesquisadores é que com a redução do custo de produção para o agricultor, o preço para o consumidor também sofra queda e, com isso, permita maior consumo da principal fonte de proteína vegetal na alimentação do brasileiro. Na década de 60, o consumo de feijão era de 30 quilos por pessoa ao ano. Hoje, esse número está em 15 quilos.
Pesquisa
Parte integrante do Programa de Melhoramento Genético do Feijoeiro do IAC, a pesquisa do IAC-Carioca Tybatã teve início em 1989. O trabalho foi feito com cruzamentos, então aplicados em Votuporanga, no plantio da seca, situação em que há alta incidência do mosaico dourado e da mosca branca. Foram feitas seleções, avaliações e ensaios nas regiões produtoras do Estado. Em 1998, foi encerrada a parte experimental. Os pesquisadores iniciaram então a fase descritiva do feijão, para levantamento de informações necessárias para registrar o cultivar. Naquele período, iniciou-se também a produção de sementes, com a plantação de 40 toneladas.
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