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Nova variedade de arroz IAC estará na Agrishow 2003

A novidade é o tipo especial para a culinária japonesa e é a primeira desse tipo selecionada para o cultivo em São Paulo.(17/04)

IAC apresenta nova variedade de arroz na Agrishow 2003
Os visitantes da Agrishow 2003 terão muito para conhecer dentre as tecnologias e variedades que o Instituto Agronômico (IAC) irá expor na Feira, que acontecerá de 28 de abril a 03 de maio, em Ribeirão Preto. Além observar as culturas, os produtores e demais profissionais da agricultura terão a oportunidade de receber de pesquisadores explicações sobre as características das culturas e os benefícios apresentados pelas variedades IAC.
Além de uma nova variedade de arroz, estarão expostas cultivares de milho, amendoim, feijão, soja, girassol, mamona, pupunha e frutas. O público também terá acesso a cursos na área de mecanização agrícola, sobre pulverizadores. A estufa de hidroponia, onde pesquisadores explicam sobre essa tecnologia de cultivo na ausência do solo, será outro ponto de visita quase obrigatória para os produtores que buscam diferentes nichos de mercado. A Rede de Estações Meteorológicas do IAC, que coleta dados de chuva e temperatura no Estado de São Paulo, também estará na Agrishow 2003, com novidades sobre a informatização do sistema.
Arroz
O público da Agrishow terá uma ótima oportunidade para conhecer a nova variedade de arroz do IAC, órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. A novidade é o tipo especial para a culinária japonesa e é a primeira desse tipo selecionada para o cultivo em São Paulo. O IAC adotou um sistema de apresentar as variedades na Feira para os produtores conhecerem e, posteriormente, lançar oficialmente a variedade.
A nova variedade foi selecionada para atender ao nicho específico de mercado ? a culinária japonesa, especialmente para produção de sushi. Esse tipo de arroz é o que apresenta maior demanda dentre os tipos especiais de arroz . Os demais especiais são o arroz aromático, o exótico e o arbóreo (rizotto).
Apesar da grande demanda, até então, não havia nenhuma variedade especial selecionada para o cultivo em São Paulo. O Estado tem condições de clima favoráveis para esse tipo de arroz, com padrão compatível com a produção da melhor região do Japão. Por enquanto, as variedades cultivadas em campos paulistas vêm de outros estados ou são importadas de outros países. Esse fator, além de encarecer o produto, tem outra agravante: as variedades importadas não são adequadas para as características de solo e clima paulistas, além de serem suscetíveis a doenças.
O objetivo da pesquisa, iniciada no IAC em 1992, foi desenvolver uma variedade com características culinares de padrão internacional, tipo Koshihikari, e com qualidade agronômica, com aspectos de resistência e produtividade adequadas às condições edafoclimáticas de São Paulo. As sementes dessa nova variedade devem estar disponíveis para o produtor a partir de 2004.
Segundo o pesquisador do IAC, Cândido Ricardo Bastos, a nova variedade IAC tem qualidade excelente, comparada aos melhores materiais importados, especialmente para fazer sushi. Em termos de resistência, a variedade é moderamente suscetível a brusone, principal doença que ataca o arroz. Os materiais importados são altamente suscetíveis a essa doença.
A variedade apresentou uma produtividade média de 5200 kg por hectare, equivalente aos tipos tradicionais. Para o tipo especial essa produtividade é considerada excelente. De acordo o pesquisador do IAC, Luiz Ernesto Azzini, os materiais importados não ultrapassam 2000kg/ha. Os testes de qualidade e produtividade foram feitos, durante três anos, no Vale do Ribeira, Vale do Paraíba e Mococa. Outras características dessa variedade são ciclo intermediário, de 120 a 130 dias do plantio à colheita, porte baixo, com 97 cm em média, e grão médio, com 5 ou 6 milímetros de comprimento.
A forma de cultivo é o plantio tradicional de arroz irrigado por inundação, chamado arroz de várzea. ?O produtor de arroz irrigado não precisa mudar nada, não precisa investir em nada ? é uma simples troca de uma variedade por outra?, afirma Bastos.
A produção dessa nova variedade traz outras vantagens para o produtor: primeiramente, o fato de ser um tipo especial e superar em muito os padrões nacionais destinados à culinária japonesa. O agricultor passará a ter uma nova opção para produzir e negociar arroz dentro da cadeia produtiva, com uma expectativa de ter um ganho superior ao obtido com o arroz tradicional, que chega a ser cinco vezes mais barato que o arroz do tipo especial.
Um dos reflexos no agronegócio esperado por essa nova variedade ? e que merece destaque ? é a garantia de continuidade no mercado já conquistado. Isso porque o produtor e a indústria não ficarão na dependência de material importado, cuja estabilidade de fornecimento depende da variação cambial e de políticas de importação.
Para o consumidor, as vantagens da nova variedade estão na qualidade de padrão internacional e no preço, que deve baixar por ser material nacional. ?O consumidor vai levar para casa a qualidade de um produto que outros materiais não teriam?, diz Bastos. A qualidade da nova variedade IAC foi testada por integrantes da colônia japonesa. A exigência de qualidade no mercado para arroz tipo especial é maior que no arroz tradicional.
Programa de Melhoramento de Arroz
O Programa de Melhoramento de Arroz do Instituto Agronômico funciona desde 1935. Na última década, tornou-se mais eclético em atendimento às exigências de mercado e visando a cadeia produtiva. Nos últimos dez anos, seis novas variedades foram selecionadas, sendo cinco do tipo tradicional e uma do especial. A última variedade lançada, em 2001, é a IAC 500, arroz aromático que também é do tipo especial.

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