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Baixa produtividade no campo? O problema pode estar no solo

Análise de solos em São Paulo passa pelo Programa de Qualidade de Laboratórios do IAC, funcionando desde 1984.

A importância da qualidade do solo para o sucesso da atividade agrícola é indiscutível. Para torná-lo fértil, o produtor tem que pôr a mão no bolso e investir. Para se ter uma idéia, de 20 a 30% do custo da produção agrícola é devido à correção do solo e adubação. Os insumos são essenciais para a obtenção de altas produtividades e garantia de retorno econômico para o agricultor. No Brasil, em 2002, foram comercializados cerca de 18 milhões de toneladas de fertilizantes NPK e 20 milhões de toneladas de calcário.
Porém, não basta o investimento, é preciso investir bem. Para fazer uso correto de insumos ? obtendo retorno financeiro e sem agredir o ambiente ? é necessário ter um diagnóstico de fertilidade do solo. Esse diagnóstico resulta de análise do solo feita por laboratórios especializados.
Para prestar esse serviço à agricultura paulista e brasileira, o Instituto Agronômico (IAC), órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, tem um Programa de Qualidade de Laboratórios funcionando desde 1984. O Programa do IAC foi pioneiro também no lançamento do selo de qualidade, feito em 1989.
Para ingressar no Programa do IAC, o laboratório tem que usar os métodos oficiais do estado de São Paulo. Os laboratórios recebem amostras numeradas, analisam e mandam o resultado para avaliação no Programa do IAC. O Instituto Agronômico então verifica a análise feita pelo laboratório e decide se o resultado apresentado pela empresa está dentro da faixa de variação permitida ou se há necessidade de adotar alguma providência corretiva. Esse processo é feito durante um ano e os laboratórios que apresentam desempenho satisfatório nesse período recebem o selo de qualidade no ano seguinte. O selo indica que o laboratório tem preocupação com a qualidade e que teve desempenho satisfatório no Ensaio de Proficiência realizado pelo IAC.
Atualmente, esse Programa conta com a participação de 80 laboratórios de 11 estados do Brasil e um laboratório do Uruguai. Desses 80, 55 são do estado de São Paulo. Do total de laboratórios de análises de solos existentes em São Paulo, 95% integram o Programa de Qualidade do IAC.
Em 1984, quatro laboratórios participavam do Programa. A credibilidade do Instituto Agronômico entre os produtores é um dos fatores que levou ao crescimento do número de integrantes. Segundo o pesquisador Heitor Cantarella, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Solos e Recursos Ambientais do IAC, o agricultor tende a dar preferência aos laboratórios que têm o selo do Programa do IAC.
O Instituto Agronômico disponibiliza o método de análise e oferece treinamento para os laboratórios, que se reúnem anualmente no Instituto para discutir qualidade. Neste ano, o encontro foi realizado no dia 25 de fevereiro, em Campinas.
Lançados em 1983, os métodos de análises de solo do sistema IAC foram desenvolvidos para solos tropicais por pesquisadores do Instituto Agronômico, pioneiro nessa atividade no Brasil. O laboratório do IAC foi o primeiro a fazer análise de solo no País e durante muitos anos foi o principal laboratório a prestar esse serviço. O laboratório do IAC continua atendendo os agricultores mas, hoje com o Programa de Qualidade, essa prestação é feita também de forma indireta. Atualmente, 70% do laboratórios de solos são privados. \"Desenvolvemos os métodos, fazemos análise de solo e hoje damos suporte para os laboratórios privados por meio do Programa de Qualidade\", diz o pesquisador.

Pra lá de importante
O pequeno produtor, muitas vezes, não usa a análise por não dar a essa tecnologia a devida importância, mas deveria. Afinal, ele precisa usar adequadamente seus insumos para alcançar melhor retorno financeiro e produzir com qualidade. Segundo um levantamento de 1996, nas áreas mais tecnificadas do estado de São Paulo, o uso de análise de solos chega a 90% dos produtores. Em áreas menos tecnificadas, a análise não chega a 50% dos agricultores.
E bem que o pequeno agricultor tem condições de recorrer a essa importante ferramenta, pois além de custar pouco, ainda é possível encontrar laboratórios em todo o estado de São Paulo.
De acordo com o pesquisador Heitor Cantarella, a análise de solo é a análise química mais utilizada na agricultura. É também um procedimento de baixo custo ? cerca de R$ 15,00 por amostras para a análise básica ? e portanto bastante acessível.
Isso sem falar na importância desse procedimento, pois uma limitação séria da fertilidade do solo pode comprometer toda a produção. Quando o produtor tem o resultado da análise, ele vai usar o adubo adequado para aquele solo. Assim ele não aplica nada além do necessário e não desperdiça dinheiro. Por isso a análise de solo é relevante também para a tomada de decisões com relação a gastos, e deve ser feita antes da compra de insumos.
\"De modo geral pode-se esperar um aumento de 10 a 30% na produção com o uso correto de fertilizantes e calcário mas, se o solo é muito pobre e ácido, com a análise e a utilização adequada de insumos é possível até dobrar a produção\", explica o pesquisador do IAC, Heitor Cantarella.
Análise química
A análise química visa diagnosticar a fertilidade do solo e determinar as principais limitações para o desenvolvimento das plantas. Uma análise básica oferece informações sobre 10 atributos do solo, desde a acidez até a disponibilidade dos principais nutrientes para as plantas. Além disso, muitos laboratórios oferecem também a análise dos chamados micronutrientes, elementos que as plantas absorvem em menores quantidades, mas, não menos importantes para o desenvolvimento das culturas. O agricultor pode também solicitar análises físicas, como as de textura, que mostra os teores de argila e areia do solo.
Laboratórios se reúnem no IAC para discutir qualidade de análise de solo
No último dia 25 de fevereiro, os responsáveis por cerca de 80 laboratórios de análise de solo de 11 estados brasileiros e de um laboratório do exterior se reuniram no IAC, em Campinas, na sede do Instituto Agronômico, para discutir qualidade de análise de solo.
Esses laboratórios, que realizam cerca de 500 mil análises de solo anualmente, fazem parte do \"Ensaio de Proficiência IAC para Laboratórios de Análise de Solo para Fins Agrícolas\", como o Programa de Qualidade do IAC é conhecido. No Programa, são avaliadas as análises básicas (acidez, disponibilidade de nutrientes pelo método da resina de troca iônica, teor de matéria orgânica, saturação por bases etc), as análises de micronutrientes (elementos absorvidos em pequenas quantidades pelas plantas, porém, essenciais ao seu desenvolvimento) e também as determinações granulométricas (argila, areia).
Funcionando desde 1984, o Programa de Qualidade visa dar suporte aos laboratórios que atendem os agricultores de forma que esses tenham acesso a análises de qualidade. Afinal, as análises de solo para fins de fertilidade são empregadas para diagnosticar problemas de acidez e deficiências de nutrientes e são fundamentais para o uso correto e a escolha do tipo e doses de fertilizantes e calcários.
Os laboratórios que tiveram desempenho satisfatório no Ensaio de Proficiência em 2002 terão o direito de utilizar o \"selo\" do Programa de Qualidade em 2003, indicando aos seus clientes o empenho em oferecer um bom serviço de análise.


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