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Estudo do IAC mostra grande variabilidade térmica paulista

Temperaturas mínimas mais baixas serão apresentadas em congresso na Itália

 

Por Mônica Galdino (MTb 47045)  e Carla Gomes (MTb 28156) - assessoria de comunicação IAC

 

Os dados de temperatura e volume de chuvas registrados pelo Instituto Agronômico (IAC) de 2000 a 2025 serão apresentados no XXVIII Convegno Nazionale di Agrometeorologia, a ser realizado em Florença, na Itália, de 17 a 19 de junho, mês em que o IAC completa 139 anos de atuação ininterrupta. O estudo revela grande variação térmica entre os municípios paulistas nos últimos 15 anos. A partir de 2020, observaram-se quedas significativas nas temperaturas mínimas em diversas localidades, em comparação às duas décadas anteriores. A amplitude de altitude no estado, que varia de zero a 1.800 metros, explica a variação térmica. Fundado em 27 de junho de 1887 por D. Pedro II, o IAC celebra 139 anos de existência este mês. A cerimônia comemorativa será realizada no próximo dia 30, às 15h, em Campinas.

Na Itália, a pesquisadora do IAC, Angelica Prela Pantano, apresentará o trabalho "Análise termopluviométricos do Estado de São Paulo, de 2000 a 2025: Mais de duas décadas de dados climáticos”. Realizado em coautoria com a cientista do IAC, Jane Maria Carvalho Silveira, o estudo revelou grande variabilidade térmica entre municípios no Estado de São Paulo de 2000 a 2009.

Todos os dados são referentes ao mês de julho, ao longo do período analisado. As maiores variações nas temperaturas mínimas foram observadas a partir de 2020, quando diversas localidades registraram quedas significativas nas mínimas em comparação com o período de 2000 a 2019. Em Auriflama, os termômetros despencaram de 15,44°C para 1,3°C. Em Capivari, a queda foi menor, passando de 9,05°C para 4,14°C. Em Limeira, caiu de 9,63°C para 3,31°C e em Tatuí a variação foi de 8,98°C para 5,10°C, indicando um inverno mais frio em 2021.

Em 2024, as temperaturas mínimas permaneceram estáveis na maioria do Estado. “Já no ano passado, o inverno trouxe temperaturas mínimas mais baixas, indicando um declínio. Essas quedas foram registradas também na região Noroeste considerada como uma região quente do Estado de São Paulo”, comenta a cientista do IAC, da APTA (Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

O Sul do Estado teve as menores temperaturas mínimas, enquanto a da Serra do Mar e do Vale da Ribeira registraram os maiores volumes de precipitação em comparação com as demais regiões analisadas. “As médias mínimas de temperatura não caíram, ou seja, houve períodos pontualmente mais frios. Quanto às chuvas, grandes volumes têm sido registrados ao longo dos anos na região Litorânea e Vale do Ribeira”, comenta a pesquisadora.

Segundo Angelica, no período analisado houve registro de outras temperaturas mais baixas, mas são dados pontuais causados por entrada de frentes frias. “Por exemplo, em Assis, Capão Bonito, Itararé e Campos do Jordão. Nesta última não temos estação meteorológica, mas ocorrem temperaturas próximas de zero com frequência durante o inverno”, relata.

Dados do primeiro ano do estudo

No primeiro ano do estudo, em 2000, as temperaturas mínimas mais baixas foram registradas em Capivari, com 6,57°C, e Ibiúna, com 6,61°C. Já em 2001, Capivari apresentou mínima de 6,72 °C, enquanto em Mirante do Paranapanema a temperatura mínima foi mais elevada, 7,2 °C. “As regiões montanhosas e do interior Sul concentraram as mínimas mais baixas, enquanto o Noroeste de São Paulo teve as mínimas mais altas”, comenta Angelica.

Variação de altitude paulista resulta em variabilidade climática

O Estado de São Paulo apresenta ampla variação de altitude, indo de quase zero — nas áreas costeiras — a cerda de 1.800 metros nas regiões serranas. Essa condição resulta em alta variabilidade climática entre diferentes localidades. Nesse cenário, a ampla rede de estações meteorológicas mantidas pelo IAC é fundamental para o desenvolvimento desse tipo de pesquisa. O número de estações meteorológicas automáticas no Estado de São Paulo mais que triplicou nos últimos 16 anos. Em 2010, eram aproximadamente 70 estações, hoje são 230. Esse aumento expressivo refletiu na ampliação de regiões paulistas que são registradas e analisadas pela equipe técnica.

“Importante salientar que com o passar dos anos, o maior número de estações meteorológicas possibilitou ampliar o monitoramento para outros municípios paulistas e com melhores sensores. Esses registros só são possíveis devido à expansão dessa rede ao longo do período”, diz Angelica.

As estações são coordenadas pela Secretaria de de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e gerenciadas pelo IAC, em colaboração com a Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag).

O IAC conta com um dos mais antigos e completos banco de dados climáticos do Brasil, com registros desde 1890, que apoia atividades no campo e na cidade. A partir desses registros, é possível elaborar orientações agrometeorológicas aos agricultores e embasar o zoneamento agrícola, exigido para empréstimos e seguros rurais. Nas cidades, os dados apoiam ações de prevenção e de segurança das unidades da Defesa Civil, nos períodos de seca e enchente.

O pesquisador aposentado do IAC e diretor-presidente da Fundag, Orivaldo Brunini, também irá apresentar a pesquisa “O alcance online da agrometeorologia na gestão e resiliência da agricultura diante de cenários de mudanças climáticas”.

 


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