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Sphenophorus exige diagnóstico preciso e escolha de ferramentas corretas para controle
Praga é uma das principais da cultura da cana, mas tem manejo limitado.
Apesar dos avanços em pesquisa, o manejo do Sphenophorus na cultura da cana-de-açúcar ainda se apoia, majoritariamente, em práticas já consolidadas ao longo dos anos. Segundo a pesquisadora do Programa Cana IAC, Leila Luci Dinardo-Miranda, o principal desafio não está na falta de conhecimento técnico, mas na dificuldade de aplicação estratégica dessas medidas no campo.
Para Leila, apesar da importância da praga, seu controle nos canaviais é limitado. Isso ocorre porque o Sphenophorus é uma praga de solo, passando grande parte do seu ciclo de vida protegido no interior da planta ou abaixo da superfície, o que dificulta a ação de defensivos agrícolas químicos e biológicos.
Diante desse cenário, a recomendação é clara: o foco do manejo deve estar na implantação de novos plantios com níveis reduzidos de infestação. “É muito difícil controlar a praga depois que a cultura está instalada. O caminho mais eficiente é começar certo, com baixa infestação”, explica.
A combinação entre diagnóstico preciso, escolha estratégica de áreas e execução adequada das práticas é determinante para reduzir os prejuízos causados pela praga. “As ferramentas existem. O desafio é usá-las corretamente, no momento certo e com base em dados”, afirma.
Destruição da soqueira e vazio sanitário são estratégias-chave
Entre as principais práticas recomendadas pela pesquisadora do Instituto Agronômico está a destruição mecânica da soqueira infestada e a adoção de um vazio sanitário prolongado.
A eliminação da soqueira deve ser realizada preferencialmente durante o período seco do ano. Essa operação contribui para reduzir significativamente a população da praga ao expor larvas, pupas e adultos à radiação solar, à ação de inimigos naturais e ao impacto mecânico.
Como a destruição mecânica não é totalmente eficaz, ela deve ser complementada pelo vazio sanitário — período em que a área permanece sem plantas hospedeiras. A recomendação é que esse intervalo seja de, no mínimo, seis meses. “Esse intervalo é fundamental para eliminar os insetos remanescentes por inanição”, ressalta Leila.
Amostragem orienta decisões no campo
Outro ponto crítico no manejo é a realização de amostragens sistemáticas. Sem dados confiáveis sobre o nível de infestação, produtores e usinas operam sem referência, o que compromete a eficácia das estratégias adotadas.
De acordo com a pesquisadora, o ideal é monitorar a lavoura em todos os ciclos de corte ou pelo menos após o primeiro e o penúltimo corte. “Quem não mede, não gerencia. Sem amostragem, não há como saber se as medidas estão funcionando”, reforça.
Planejamento e priorização de áreas
Para grandes produtores e usinas, a adoção dessas práticas em toda a área pode ser inviável. Por isso, a orientação é priorizar talhões com maior nível de infestação, identificados por meio das amostragens.
Nesses casos, é necessário antecipar a colheita — idealmente até meados de agosto — para permitir a destruição da soqueira ainda no período seco e garantir um vazio sanitário adequado antes do novo plantio, que geralmente ocorre a partir de março.