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Programa Cana IAC: melhoramento genético Como novas variedades são desenvolvidas no Brasil

Essencial para a produção de açúcar e etanol, a cana-de-açúcar é uma das culturas mais importantes do Brasil, que é líder mundial na canavicultura sustentável. Essa competitividade é fruto do suporte científico e tecnológico gerado pelas instituições de pesquisa e pela atitude inovadora de canavicultores e empresários do setor sucroenergético, que cada vez mais se abrem para a adoção de novos pacotes de soluções agrícolas.

Para garantir variedades cada vez mais produtivas e adaptadas às condições climáticas regionais, o melhoramento genético desempenha um papel fundamental. No Brasil, um dos programas mais avançados nesse campo é o Programa Cana do Instituto Agronômico (IAC), que realiza um trabalho contínuo e altamente eficiente na seleção de novas variedades.

 

Como é feito o melhoramento genético?

O processo de melhoramento da cana-de-açúcar envolve diversas etapas. Tudo começa na hibridação – realizada na Estação de Hibridação em Uruçuca*, na Bahia -, e consiste no cruzamento de diferentes parentais para gerar variabilidade genética. “A partir desses combinações, são produzidas sementes verdadeiras, chamadas cariópses, que darão origem aos seedlings (plântulas)”, explica Mauro Xavier, pesquisador melhorista e diretor do Centro de Cana do IAC.

Esses seedlings são introduzidos, selecionados e caracterizados em 13 regiões produtoras de cana-de-açúcar no Brasil, abrangendo o Centro-Sul, Oeste e Nordeste.

“Esse modelo possibilita ao Programa Cana IAC ser bastante eficiente, porque, em tese, significa o desenvolvimento de 13 programas de melhoramento simultaneamente, tornando o processo abrangente e adaptado às diversas condições locais de solo e clima”, comenta Xavier.

Dessas 13 regiões de introdução e seleção, em 9 delas ocorre o processo completo de seleção regional (FS1, FS2, FS3 e rede de experimentação regional).

 

*Conheça a Estação neste link https://www.youtube.com/watch?v=5viL0gdPpeo

 

Etapas de seleção

O melhoramento genético da cana ocorre em fases sucessivas de seleção, permitindo que clones promissores sejam melhor caracterizados ao longo do processo.

  • Fase 1: Seleção inicial de aproximadamente 500 a 2.700 clones por ano.
  • Fase 2: Caracterização mais detalhada dos materiais selecionados, viabilizando uma análise aprofundada.
  • Fase 3: Estabelecimento da rede experimental, onde os clones são testados em diferentes regiões.

 

De acordo com o pesquisador, a partir da fase 3 de seleção realizada nessas diferentes regiões, há a possibilidade do estabelecimento da chamada rede experimental. Inicialmente, forma-se uma rede regional de experimentação que possibilita a identificação de clones elites por região, que, posteriormente, são incluídos numa experimentação nacional para o estudo de adaptação e validação final. Portanto, o Programa Cana IAC tem duas redes de experimentos. A primeira é a regional e a segunda é a chamada Rede PROCANA – ao final ocorre a validação e a consequente liberação das variedades. “Esse é o percurso de um programa de melhoramento. Essa rotina de atividades ocorre todos os anos, de forma continuada, e permite ao Programa do IAC disponibilizar variedades com bastante frequência – temos um trabalho sem interrupção”, diz.

 A equipe, apesar de enxuta, atua de forma intensa e estratégica, contribuindo para consolidar o Brasil como um dos líderes mundiais na pesquisa e desenvolvimento de cana-de-açúcar, por meio da geração de variedades que se destacam no cenário da canavicultura moderna e atual.

“É um trabalho robusto, intenso, que requer, além do conhecimento técnico e científico, muita transpiração”, afirma.

 

Impacto na produção de cana-de-açúcar

O trabalho contínuo do Programa Cana do IAC permite que a canavicultura brasileira se mantenha competitiva, por meio da liberação frequente de novas variedades mais produtivas e tolerantes aos desafios fitossanitários e climáticos.

“Graças a esse trabalho, o Brasil segue na vanguarda da produção de cana-de-açúcar, impulsionando o setor sucroenergético e garantindo avanços constantes na cultura”, afirma Xavier.


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