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Pesquisa da PG-IAC avalia uso de bactérias benéficas em cana sob condições de déficit hídrico

Promoção de crescimento e tolerância da cana a condições de seca foram notadas no estudo devido à inoculação de bactérias benéficas

 

Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessoria de comunicação IAC

 

Uma pesquisa de mestrado da Pós-Graduação em Agricultura Tropical e Subtropical do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, que completa 25 anos em 2024, avaliou o uso de bactérias benéficas na promoção de crescimento e tolerância de plantas de cana-de-açúcar sob condições de déficit hídrico. O objetivo foi avaliar como bactérias benéficas poderiam mitigar os efeitos negativos do déficit hídrico e ainda contribuir para o crescimento das plantas.

 A pesquisa foi desenvolvida durante dois anos pela aluna de mestrado Tainá Silva Peres Gonçalves, sob orientação de Adriana Parada Dias da Silveira, pesquisadora do IAC, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

A conclusão é que as bactérias empregadas foram benéficas desde a obtenção das mudas pré-brotadas de cana até o desenvolvimento inicial da planta, reduzindo perdas em condição de déficit hídrico, o que pode ser muito positivo em um cenário de mudanças climáticas, com períodos de seca.

“A utilização agrícola de bactérias benéficas não traz impactos negativos e nem riscos para o ambiente, afirma a pós-graduada pelo IAC.

No estudo, foram usados nove isolados de bactérias já anteriormente avaliados como promotores de crescimento em pesquisas com a própria cana,  alface, citros e café.

O estudo foi dividido em três etapas de experimentos para observação do efeito dos isolados no desenvolvimento  da cana-de-açúcar. Na primeira, foram produzidas as mudas no sistema MPB, inoculando-se as bactérias benéficas.  Em um segundo momento, as mudas foram transferidas para o vaso e foi aguardado o período de aclimatização da muda, ou seja, sua adaptação ao solo. Na etapa final, a planta foi submetida à condição de déficit hídrico, sendo comparado o crescimento inicial de plantas com irrigação adequada e  com irrigação deficiente.

“Durante as três etapas, foi observado efeito de promoção de crescimento pela inoculação dos isolados bacterianos, que também mitigaram os efeitos negativos do déficit hídrico no estágio inicial de desenvolvimento da planta. Outra observação interessante é que o uso de alguns isolados manteve a biomassa da planta igual em ambas as condições de irrigação, ou seja, mesmo com restrição hídrica. Indicadores fisiológicos e bioquímicos mostraram o efeito positivo da bactéria na tolerância da planta a condições de déficit hídrico no solo, comenta Tainá.

“Essa pesquisa tem um viés muito interessante de inovação tecnológica porque os isolados empregados mostram grande potencial para uso como bio produtos, o que atende à demanda crescente por bioinoculantes, no atual cenário agrícola”, afirma a orientadora, Adriana Parada.

Quem pode aproveitar essa pesquisa

Além de canavicultores, viveiristas e produtores, o uso de bactérias benéficas como bio produtos tem sido explorado por empresas de biotecnologia.  A orientadora explica que, antes de chegar ao produtor agrícola, é necessário que a tecnologia seja multiplicada por empresas para então ser aplicada pelos produtores, tanto na forma de produto formulado como “on farm”.

Essa tecnologia pode ser amplamente usada, desde que adotados os cuidados para preservação da qualidade do bioinsumo, conceito que envolve desde a manutenção do microrganismo  até os processos ou tecnologias empregados na obtenção do bio produto.


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