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30 anos: Grupo Fitotécnico completa três décadas de socialização de conhecimento com o setor sucroenergético
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Há 30 anos surgia em Ribeirão Preto um grupo para socialização de conhecimento para o setor sucroenergético de todo o Brasil. Chamado hoje de Grupo Fitotécnico de Cana, o espaço que conta com a participação de cerca de 250 pessoas mensalmente surgiu de conversas na mesa do bar e anotações em guardanapos. Hoje, é palco para o lançamento das principais tecnologias e reúne especialistas para as discussões dos assuntos mais importantes e urgentes do setor canavieiro do Brasil.
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Liderado pelo Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o Grupo Fitotécnico de Cana completou três décadas em abril deste ano, em um momento de renovação, no auge da segunda onda de Covid-19. Por conta da pandemia, as reuniões que antes eram realizadas de forma presencial no Centro de Cana do IAC, em Ribeirão Preto, passaram a ser online. Mesmo com a distância física entre os participantes, o grupo continuou com sua relevância e trazendo informações confiáveis para um momento também sensível para o setor sucroenergético.
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“Desde que iniciamos as reuniões remotas, temos tido a participação de cerca de 250 pessoas. Esse público é bem próximo do que geralmente participava de forma presencial das reuniões”, conta Daniel Nunes, engenheiro agrônomo do Programa Cana IAC.
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Nunes, que está acostumado com o contato direto com os parceiros do Programa Cana, conta que as reuniões virtuais trouxeram alguns pontos positivos, como a participação de profissionais de regiões mais distantes, como de Estados do Nordeste. “Encurtamos as distâncias entre nós para a socialização das tecnologias discutidas pelo Grupo em 2020 e 2021. Outro ponto positivo foi que as empresas reduziram os custos com viagens, alimentação e hospedagem dos seus profissionais, além do risco de exposição de acidentes nos deslocamentos. Agora, com a melhora nos índices da pandemia, retomamos as reuniões presenciais, mas vamos continuar com as transmissões online para facilitar o compartilhamento das informações”, afirma.
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A sétima e última reunião do Grupo deste ano, que aconteceu em 23 de novembro de 2021, teve dois marcos importantes. O IAC lançou de forma oficial para o setor três novas cultivares de cana-de-açúcar, a IACSP04-6007, IACCTC05-2562 e IACCTC05-9562 (veja no link). Os dados do censo varietal de cana-de-açúcar do IAC também serão postos para as empresas, instituições de pesquisa e usinas.
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30 anos de história
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Tudo começou em conversas de mesa de bar, com anotações feitas em guardanapos. No boteco Ao Leste do Éden, em Ribeirão Preto, aproximadamente cinco profissionais de usinas, um professor e o então jovem pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, hoje líder do Programa Cana IAC, Marcos Guimarães de Andrade Landell, se encontravam mensalmente para discutir os assuntos fitotécnicos mais relevantes da cana. Nascia ali o Grupo Fitotécnico de Cana-de-açúcar, composto atualmente por cerca de 80 empresas, além de associações, usinas e profissionais ligados ao setor sucroenergético.
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As conversas mensais, nos botecos da boêmia Ribeirão Preto, foram substituídas, em 1992, por reuniões, na então fazenda Experimental do IAC, onde funciona atualmente o Centro de Cana IAC. “As patroas já estavam ficando bravas com a gente”, conta Renato Ferreira da Rosa, referindo-se às esposas dos profissionais que iam ao bar. Renato Rosa, que é hoje gerente coorporativo do grupo Vale Verdão, esteve desde o início dos trabalhos do Grupo Fitotécnico, sendo um dos fundadores do mesmo. Houve mudança do espaço, mas as reuniões nunca perderam o foco de discutir de forma objetiva os assuntos técnicos da cultura da cana, contemplando os principais temas do setor.
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“O Grupo Fitotécnico representa um ambiente em que os atores do setor sucroenegético interagem, trocam conhecimento e ideias e, principalmente, aprendem uns com os outros. Isso beneficia cada empresa e instituição individualmente e, sobretudo, beneficia o segmento como um todo”, afirma Landell, hoje diretor-geral do IAC.
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Paulo Carvalho, coordenador agroindustrial do Grupo Colorado, também esteve desde a primeira reunião do Grupo Fitotécnico realizada no Centro de Cana do IAC. “Desde o início foi uma troca muito transparente de informações entre os centros de pesquisa, usinas, produtores e demais técnicos. A grande sacada das reuniões do grupo são as conversas de corredores, que infelizmente, se perderam durante as reuniões online na pandemia”, afirma.
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Atualmente, cerca de 250 pessoas participam das sete reuniões anuais no Centro de Cana IAC. No início, eram, aproximadamente, 20. Para melhor organização dos trabalhos, os pesquisadores do Programa Cana IAC decidem a pauta das reuniões, sempre acolhendo sugestões de temas encaminhados pelos técnicos participantes. Para cada um dos temas escolhidos, são convidados pesquisadores, docentes e técnicos para expor o assunto, estimulando o debate, as questões e outras exposições dos presentes. Ao final, todos os representantes de empresas, usinas, cooperativas e instituições de pesquisa falam, discutem e contam suas experiências.
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“Ao longo desses anos, discussões muito importantes foram feitas no Grupo. A doença conhecida hoje como Amarelinho, foi identificada e relatada, em 1993, acometendo uma importante variedade da época, a SP71-6163. Em uma de nossas reuniões, uma pessoa relatou o problema e vários grupos de pesquisa, inclusive o IAC, começaram a trabalhar no assunto”, conta Landell
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As discussões são importantes, também, para orientar a programação científica do Programa Cana IAC. As demandas apontadas pelos integrantes do grupo são sempre incorporadas nos trabalhos científicos do IAC, com o intuito de resolver os problemas atuais e antever futuras necessidades do setor. Exemplo claro ocorreu em 1992, quando foi sinalizada com bastante ênfase que a colheita mecânica crua seria o futuro da canavicultura. Desde então, todas as variedades lançadas pelo IAC têm características ideais para esse fim.
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“A mecanização da cultura e o consequente estabelecimento da “cana crua” modificou de maneira significativa todo o contexto da produção canavieira no Centro-Sul do Brasil. Novas pragas apareceram, um novo manejo de nutrição e de plantas invasoras se estabeleceu, e tudo isso estimulando os grupos de pesquisa a focarem os seus estudos nessa nova condição. Citamos como exemplo a ocorrência da cigarrinha-de-raiz, debatida pela primeira vez no Grupo Fitotécnico em uma reunião realizada em 1997. Até então, esta praga tinha importância relativa e não representava riscos para a produtividade da cana”, lembra Landell.
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O debate na reunião evidenciou a necessidade de se realizar estudos que indicassem o melhor manejo da praga. Mais recentemente, no início de 2010, a mesma situação ocorreu com a ferrugem alaranjada da cana, outra doença de grande importância da cultura e que foi debatida em mais de uma ocasião nas reuniões do grupo.
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Em 2012, o IAC lançou também em uma reunião o Sistema de Mudas Pré-Brotadas (MPB), uma tecnologia simples, mas com potencial para mudar a forma de se plantar cana-de-açúcar realizada desde 1532. O sistema hoje é adotado nas principais usinas e regiões canavieiras do Brasil.
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“O grupo foi minha grande escola”
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Marcos Guimarães de Andrade Landell, hoje líder do Programa Cana IAC, era um jovem pesquisador quando o Grupo Fitotécnico de Cana foi criado. Landell já trabalhava no IAC há 10 anos, em pesquisas com cana-de-açúcar. A seção de cana-de-açúcar do Instituto, porém, tinha sido extinta na época e Landell lutava para reestruturar um novo programa de pesquisa.
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Suas conversas com representantes do setor acabaram resultando no Grupo Fitotécnico de Cana, que enriqueceu o desenvolvimento da canavicultura e contribuiu para o aperfeiçoamento profissional do pesquisador do Instituto. “O grupo foi e é uma escola para mim. Costumo dizer que foi um novo curso de pós-graduação, porque nele aprendi sobre cana e estreitei laços com pessoas que me ensinaram muito”, conta.
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