\r\n
Cento e sessenta pessoas, incluindo produtores de cana-de-açúcar e demais profissionais do setor sucroenergético, estiveram reunidas no Centro de Cana do Instituto Agronômico (IAC), em Ribeirão Preto, no último dia 29 de julho, durante o lançamento da edição 2016/2017 do projeto Caminhos da Cana, desenvolvido pela Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana).
\r\n
Este evento foi realizado para as quatro associações da Orplana que compõem a região Nordeste, na divisão geopolítica da Organização. São elas: Associação Rural Vale do Rio Pardo (Assovale), sediada em Ribeirão Preto, Associação dos Fornecedores de Cana de Guariba (Socicana), em Guariba, Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (CanaOeste), em Sertãozinho, e Associações dos Lavradores e Fornecedores de Cana de Igarapava (Alfocig), em Igarapava, todos estes municípios paulistas.
\r\n
A partir desta edição, o Caminhos da Cana, que busca pela inovação, eficiência e gestão das associadas no setor, conta com a participação do IAC, graças à parceria firmada entre o Instituto e a Orplana, em maio deste ano.
\r\n
Celso Albano, gestor executivo da Orplana, afirma que o IAC tem interação com a Organização não somente neste projeto. “Temos um encontro bimestral no Centro de Cana do IAC, em que há discussões entre pesquisadores do Instituto e técnicos das associações da Orplana envolvendo as pesquisas realizadas pelo IAC”, afirma Albano.
\r\n
Segundo o gestor, os resultados do IAC são transferidos para todas as 33 associações da Orplana. O pesquisador do IAC e líder do Programa Cana IAC, Marcos Guimarães de Andrade Landell, passou, este ano, a integrar o conselho técnico estratégico da Orplana.
\r\n
Este foi o primeiro evento desta nova edição, destinado à transferência de informações e tecnologias sobre o setor sucroenergético.
\r\n
Durante o evento, a palestra principal, ministrada pelo criador do Caminhos da Cana, Marcos Fava Neves, abordou o campo de negócios, incluindo a entrada de recursos externos e a necessidade de profissionalização do associativismo. Outros assuntos abordados foram a adoção dos custos de produção como ferramenta estratégica, gestão da informação, entendimento das ações convergentes no agronegócio para se antecipar a fatores impactantes, confrontação entre a cultura associativa perante à necessidade de profissionalização do canavicultor e introdução da visão da gestão estratégica.
\r\n
Na abertura do evento, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, ressaltou que os preços do açúcar e do etanol devolveram ao setor a possibilidade de se equilibrar, em um primeiro momento, e posteriormente, projetar um cenário mais favorável de ganho. Jardim lembrou que é necessário estar atento aos desafios e destacou a relevância da busca pela produtividade. “É preciso trabalhar pelo aumento da produtividade, por meio da adoção de novas variedades, desenvolvidas pelo IAC e por outras instituições, e de novas formas de manejo agrícola, como o sistema de Mudas Pré-Brotadas (MPB)”.
\r\n
Jardim completou dizendo que o MPB, criado pelo IAC, além de elevar a produtividade, viabiliza a recuperação do papel do plantador e fornecedor de cana para que seja mais proativo. “O produtor está voltando a ter gosto por produzir e oportunidade de escolher a variedade que irá plantar e de cuidar da sua terra”.
\r\n
O secretário comentou que este ano praticamente se encerrará a queima da cana no Estado de São Paulo. “Isso vai indicar a conveniência de reconversão de algumas áreas antes destinadas ao plantio de cana”, alertou.
\r\n
Para Neves, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), a entrada do IAC no Caminhos da Cana dá uma envergadura na parte científica agrícola.
\r\n
Neste ano, a temática adotada pelo projeto é “Eficiência – antecipando-se às novas realidades”. O objetivo é focar os assuntos nos problemas que o canavicultor tem ou terá a partir de fatores ambientais, regulamentadores, fiscais, legislativos, econômicos e tecnológicos, considerando o preparo do produtor para estas novas realidades. Nesse novo contexto estão incluídos a legislação ambiental, o novo Código Florestal, o protocolo agroambiental, que envolve o fim da queima da cana e a mecanização total, a prestação de serviços em colheita e outros.
\r\n
Criado em 2014, o Caminhos da Cana tem por objetivo ampliar o conhecimento desta cadeia de produção, identificando seus principais desafios e tendências, além de fortalecer o associativismo. O projeto visa também transferir para a opinião pública os benefícios gerados pela produção e uso do etanol como energia sustentável e renovável.
\r\n
O Caminhos da Cana já percorreu cerca de 50 municípios nos Estados de São Paulo, Alagoas, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraíba.
\r\n
A Orplana tem 25 associações no Estado de São Paulo, três em Goiás, três em Minas Gerais, uma no Mato Grosso e outra no Mato Grosso do Sul. Ao todo, são 17 mil produtores associados, em 420 municípios, que produzem em 900 mil hectares. Para esta safra a produção é de 71,5 milhões de toneladas de cana.
\r\n
\r\n