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Pesquisadora do IAC comenta temporal e relação com cultivos agrícolas

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O temporal ocorrido na madrugada de 5 de junho de 2016 causou estragos na cidade de Campinas. Somaram-se alto volume de chuvas, ventos fortes e granizo. Segundo a pesquisadora da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que atua no Instituto Agronômico (IAC), Angélica Prela Pântano, em 45 minutos o volume de chuvas atingiu 74 milímetros. Este total é o dobro do volume esperado para junho, que de acordo com a média histórica é de 35 milímetros.
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O fenômeno ocorrido foi classificado como microexplosão — situação em que a corrente de ar se desloca em linha reta, compondo um "corredor de vento", diferentemente do tornado, que se forma em espiral.
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Angélica afirma que esses eventos climáticos se formam rapidamente e, mesmo com pesquisas e acompanhamento das condições, ainda é difícil afirmar quando e aonde irá se formar e se irá acontecer novamente, pois dependem de condições locais e momentâneas. “Ainda não há como prever essas tempestades, mesmo porque, se formam e acontecem em um intervalo pequeno de tempo”.
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A pesquisadora ressalta que, apesar de esses eventos não ocorrerem frequentemente, em 2005 a cidade de Campinas passou por uma situação semelhante, porém menos intensa. Esse evento ocorreu no dia 5 de janeiro  de 2005, com ventos acima de 90km/h e 64.5 milímetros de chuva.  Ainda em janeiro de 2005, foi registrado outra ocorrência de precipitação de 138 milímetros, perfazendo um total de 435 milímetros no mês de janeiro daquele ano. Vale ressaltar que o agravante nesses dois casos foi a velocidade do vento combinada com o volume de chuva em pouco tempo. “Os vendavais e chuvas fortes, geralmente, são comuns no verão, quando ocorre a chegada de uma massa mais fria e se choca com a massa de ar quente atuante”, explica.
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Angélica lembra que outra situação incomum foi o período de déficit hídrico, em 2014, que resultou em queda no volume de água de todo o sistema Cantareira, levando ao racionamento de água e energia em todo o Estado de São Paulo.  
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A pesquisadora ressalta que essas tempestades não são comuns no Brasil. O recomendado é o acompanhamento das condições climáticas pelos órgãos competentes, que alertam sobre a possibilidade de ocorrência de chuvas com volumes elevados e existência de ventos. “As unidades da Defesa Civil dos locais que podem ser atingidos ficam em estado de atenção para caso de alagamentos, destelhamentos e outros danos possíveis para que possam atender às solicitações de ajuda ou mesmo retirar pessoas de áreas de riscos que já foram mapeadas”, afirma.
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No campo
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Com relação aos impactos dos temporais para a agricultura, a pesquisadora do IAC destaca a importância de o agricultor realizar o seguro agrícola de sua propriedade e da produção, considerando as questões climáticas. “Em caso de eventos extremos, não apenas de tempestades mas também em situação de seca, podem ocorrer perdas parciais e até totais da plantação e, consequentemente, da produção. O seguro cobre os danos, a reconstrução de áreas como galpões, casas e outros prejuízos”, acrescenta.
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Outra alternativa para ampliar a proteção na agricultura é o cultivo protegido. Mesmo assim, eventos extremos, como esse que ocorreu em Campinas, podem afetar diretamente esses cultivos. Porém, em situações menos severas, as plantas estarão bem mais protegidas, se quando instaladas em cultivos a céu aberto.
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“Porém, não estão 100% protegidos, porque em casos de tempestades com ventos fortes, a estrutura poderá ser afetada e até mesmo destruída, ficando as plantas desprotegidas”. Esse sistema também colabora com a qualidade do produto final, pois proporciona maior controle das condições atuantes durante o ciclo da cultura, segundo Angélica.
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O Instituto Agronômico possui banco de dados com informações sobre clima desde 1890 e foi o primeiro a fazer o zoneamento no Estado de São Paulo.
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Para o secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, o aporte científico já construído faz a diferença nesses momentos de crise. “Os registros históricos, como os mantidos pelo IAC, oferecem suporte para a análise da situação e a elaboração de diagnósticos mais confiáveis. É a prestação de serviço de qualidade, como recomenda o governador Geraldo Alckmin”, diz.
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CIIAGRO
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A rede meteorológica do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (CIIAGO), do IAC, possui 192 estações no Estado de São Paulo, por meio da rede de estações meteorológicas automáticas. Essa estrutura fornece dados atualizados a cada 20 minutos, a cada hora e totais diários dos diversos elementos meteorológicos, em especial: chuva, temperatura do ar e umidade relativa.
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As informações podem ser acessadas no site www.ciiagro.org.br/ema. Esses dados, além de todo o suporte para a agricultura e Defesa Civil, podem dar importantes subsídios para previsão e suporte para programas de sustentabilidade da agricultura, segurança alimentar e segurança hídrica. 
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