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Programa Cana IAC transfere informações sobre pedologia para técnicos de usinas

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Conhecer o tipo de solo da propriedade é fundamental para o bom desempenho das culturas. Essa informação é determinante para alicerçar as decisões de manejo e, consequentemente, definir as necessárias aplicações de corretivos abaixo da camada arável no perfil de solo, o que implica também em poupar recursos, mão de obra e impacto ambiental. O pesquisador da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que atua no Programa Cana do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, , Hélio do Prado, é um dos 50 profissionais de Pedologia do Brasil, área voltada ao estudo do solo na camada arável e abaixo dela, até, aproximadamente, um metro de profundidade.
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Em dez anos, Prado já ministrou o treinamento em classificação de solos para técnicos de 30 usinas, em diversas regiões do Brasil. “O treinamento permite conhecer aspectos pedológicos nos quais se diferenciam conservação do solo, correção química em profundidade,  frequência de irrigação e enquadramentos dos ambientes de produção. Esses fatores são básicos para se aplicar a matriz de colheita”, explica o pesquisador que também é autor de livros sobre o assunto e mantém o site www.pedologiafacil.com.br
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Nos treinamentos regionais, Prado aplica um questionário para saber qual é a produtividade média de cinco cortes exatamente no local do solo classificado e o tipo de manejo. Os dados são essenciais para a elaboração da tabela de ambientes de produção de cana-de-açúcar do IAC.
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            Na usina São Martinho, região de Pradópolis, interior paulista, 15 técnicos agrícolas participaram do curso teórico-prático, com duração de doze meses. Após dois anos da finalização do curso, sempre é feita uma atualização de conhecimentos. “O curso contribui para a formação dos nossos colaboradores e na tomada de decisões no trabalho. É um dos melhores e principais cursos de solos que se tem”, afirma Luís Gustavo Teixeira, gerente de produção agrícola da São Martinho.
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            Antonio Pachir, líder do Laboratório de Química Agrícola da Usina São Martinho, elogia a atividade mantida pelo Programa Cana IAC. “A participação no curso ajuda bastante nas análises feitas em laboratório. Minha avaliação do curso é muito positiva. Com ele foi possível unir o conhecimento do campo, com o trabalho que realizo no laboratório. Isso é muito importante”, avalia.
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            O técnico agrícola e auxiliar de campo da São Martinho, Cristiano Aparecido dos Santos, diz que também gostou de participar da capacitação. “Eu não sabia da possibilidade de identificar a  argila do solo pela sensação de pegajosidade no tato. O Hélio do Prado é um ótimo professor. O curso me abriu um leque de possibilidades”, resume.
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O secretário de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, ressaltou a importância da atividade como ação de transferência de tecnologia. “Estes treinamentos otimizam as atividades no campo e aumentam a produtividade do setor, como recomenda o governador Geraldo Alckmin”, avaliou.
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Ambientes de produção
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O pesquisador do IAC explica que, no curso, os técnicos também são informados sobre os diferentes ambientes de produção em que são considerados solo, clima e tipo de manejo. “Durante o treinamento, é transferida a tecnologia que envolve a classificação do solo para, posteriormente, associar essa informação com as condições de clima, a fim de conhecer o ambiente de produção”.
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            Esse conhecimento contribui para a eficiente alocação das variedades de cana-de-açúcar em função das diferenças genéticas. “As plantas mais exigentes são alocadas nos melhores ambientes de produção. Colocamos as menos exigentes em ambientes mais restritivos”, afirma.
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           Prado explica que a composição do ambiente A1 inclui, necessariamente, solos férteis e com elevada disponibilidade de água. Ressalta-se que devem estar presentes estes dois fatores. Quanto mais se afastam dessas condições ideais, os solos são reclassificados com as letras subsequentes, como A2, B1, até chegar ao G2. No projeto Ambicana, foi identificado o solo mais fértil, chamado Vertissolo argiloso, em Juazeiro, na Bahia, porém com reduzida disponibilidade hídrica. Naquela circunstância, que inclui alta fertilidade e baixa quantidade de água, o pesquisador classificou o ambiente como G2. Neste, é obtida média de cinco cortes, com produtividade inferior a 50 toneladas por hectare, com adoção de no manejo básico, sem irrigação.
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O pesquisador identificou também o Vertissolo na usina Três Valles no México, onde a precipitação atinge 2.500 milímetros, por ano. Com essas características, é configurado o ambiente D2. “Isso ocorre porque no período chuvoso há alagamentos, nessas condições as raízes não exploram grande volume de solo em profundidade e, consequentemente, não confere adequado vigor à planta para resistir ao período de seca, de quase quatro meses contínuos”, explica.
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             Os participantes do curso também adquirem informações importantes para a avaliação de terras nos momentos que antecedem ações de arrendamentos ou compras, quando é fundamental evitar os piores solos.
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O IAC também desenvolve pesquisas de mapeamento de solos de regiões e microbacias. “Uma vez classificado o solo, é possível conhecer seus aspectos positivos, como fertilidade natural adequada, profundidade e negativos, como erosão, baixa fertilidade natural, alta pedrecgosidade, etc permitindo para manejá-los com base nas potencialidades e limitações”, afirma o pesquisador do IAC.
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