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O Estado de São Paulo tem os seringais mais produtivos do mundo, com produtividade superior a 1.300 kg de borracha por hectare, ao ano, frente aos 1.100 kg/ha da Tailândia, 1.000 kg/ha da Malásia e 800 kg/ha da Indonésia – países heveicultores tradicionais. A competência paulista nesta área tem como base a pesquisa agrícola desenvolvida pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, que desenvolve pesquisas de melhoramento genético, manejo, tratos culturais e adubação e nutrição em seringueira.
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O principal objetivo do Programa do IAC é obter clones de seringueira adaptados às diferentes condições edafoclimáticas do Estado de São Paulo, com características de alto potencial de produção e vigor. Nos lançamentos mais recentes, o IAC conseguiu esse perfil aliado à precocidade. Nos novos materiais desenvolvidos pelo Instituto Agronômico, a extração do látex pode ser feita em cinco anos a partir do plantio, isto é, dois anos antes do que normalmente ocorre.
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Este perfil precoce está presente em quatro, dos 15 clones lançados pelo Instituto. São eles: IAC 505, IAC 507, IAC 511 e IAC 512. “Começar a sangrar com tempo 30% menor significa antecipar ganhos para pagar o investimento”, explica Gonçalves.
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Todos os 15 novos clones selecionados pelo IAC têm também maior produtividade do que o material mais plantado em São Paulo, atualmente, o importado da Ásia, RRIM 600, que produz em torno de 1.250 kg por hectare, ao ano. O novo IAC 500 – o mais produtivo dos selecionados – produz 1.731 kg de látex por hectare, 38% superior que o mais plantado. São ganhos de 500 kg de borracha seca por ano.
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“As pesquisas do IAC envolvem 51 experimentos de campo distribuídos em todo o Estado e um total de 500 novos clones avaliados”, afirma Paulo de Souza Gonçalves, pesquisador líder do Programa Seringueira do Instituto Agronômico.
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De acordo com Gonçalves, em função dos trabalhos de pesquisa do IAC e de órgãos de extensão estaduais, o Estado de São Paulo conta com aproximadamente 95 mil hectares plantados com seringueira, abrangendo o total acima de três mil heveicultores. Cerca de 95% dessa área é plantada com materiais desenvolvidos ou selecionados pelo IAC, como o RRIM e o IAC 40.
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O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, destaca que o IAC já desenvolveu 31 clones de seringueira nas últimas três décadas. “A região do Noroeste paulista é responsável pela metade da borracha produzida no Brasil; este desempenho tem relação com a geração e transferência de tecnologias, em conformidade com a orientação do governador Geraldo Alckmin”, diz Jardim.
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O produto extraído das seringueiras, o látex, está em mais de 50 mil produtos, como pneu de avião, chupeta de bebê e preservativo.
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Geração de emprego e renda no campo
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A cultura da seringueira é reconhecida como grande geradora de emprego. Para cada cinco hectares, uma pessoa é contratada. Nos 95 mil hectares plantados em São Paulo são gerados mais de 19 mil empregos diretos no campo. A mão de obra não é considerada “pesada”, de acordo com Gonçalves, possibilitando que toda a família possa trabalhar na área.
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Outra vantagem do cultivo é a produção ao longo de todo o ano, possibilitando renda contínua ao produtor e diluição do risco, principalmente quando comparada com as culturas anuais, em que qualquer problema climático ou fitossanitário compromete a renda durante o ano.
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Considerando o aspecto ambiental, a seringueira auxilia na fixação de gás carbônico no solo. Em setembro de 1996, foi considerada pelo Ministério do Meio Ambiente como uma espécie para reflorestamento. “Ao término da vida útil dos seringais, aos 35 anos, o produtor terá ainda a renda pela venda da madeira, já bem aceita pela indústria moveleira dos mercados orientais e dos Estados Unidos, com preço de mercado em torno de US$ 200 o m³”, afirma.
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IAC tem o único centro multidisciplinar de seringueira do Brasil
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O IAC passou a ter o Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Seringueira e Sistemas Agroflorestais. A unidade de pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), em Votuporanga, tornou-se um centro especializado em heveicultura, a partir de decreto assinado em 4 de dezembro de 2013, pelo governador Geraldo Alckmin, em São Paulo.
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O objetivo é reunir competências multidisciplinares no Centro, o único no Brasil com esse perfil, onde serão desenvolvidas pesquisas com seringueira e sistemas integrados de produção agropecuária e de espécies florestais de interesse econômico. Até então, as pesquisas no Instituto são realizadas com atividades em Campinas e em Votuporanga.
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A unidade de Votuporanga possui 30 hectares com seringueira e desenvolve, atualmente, pesquisas com cerca de 600 clones. Lá, há um banco de germoplasma com cerca de 200 acessos, que somado às coleções que ficam no IAC, em Campinas, e no Polo da APTA, em Colina, compõe um dos maiores bancos de germoplasma da espécie no Brasil. No Centro Experimental Central, do IAC, em Campinas, há cerca de cem clones, introduzidos em 1952.
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