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Avaliações regionais identificam variedades de cana adaptadas a solo, clima e estresse hídrico
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A avaliação de variedades de cana-de-açúcar em dez diferentes regiões do Brasil, sendo sete no Estado de São Paulo, chamadas de sites de seleção, é fundamental para a seleção de clones promissores e os validam como novas variedades para determinadas condições edafoclimáticas. A seleção possibilita determinar o desempenho dos materiais em situações diversas de solos e clima, inclusive nas de estresse hídrico. A sistemática foi adotada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo no Programa Cana do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas.
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Um dos exemplos, nos sites 6, localizado em Mato Grosso do Sul, Paraná e Sudoeste paulista, e 7, na região Oeste e Noroeste de São Paulo, são testadas variedades de cana-de-açúcar tolerantes ao estresse hídrico, por exemplo. A primeira introdução de seedlings nas regiões ocorreu em 1987. Naquela época, três usinas apoiavam o programa nesses sites. Atualmente, são 30.
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“Na regional 6 há pouco déficit hídrico no período do outono e inverno, o Teor de Açúcares Totais é um dos maiores desafios para esse site. No 7, há um acentuado registro de déficit em relação às outras regionais. Cada local possui necessidades diferentes para obtenção de novas variedades que possam auxiliar na sustentabilidade do segmento”, afirma Ricardo Kanthack, pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), que integra a equipe do Programa Cana IAC e é o responsável pelos dois sites de seleção
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Na região 6 são selecionados clones adequados para maturação no inverno e com maior teor de açúcar por tonelada de cana. “O ambiente dessa localidade é muito diversificado, com áreas favoráveis a desfavoráveis. Nos nossos campos de clones promissores, observamos características agrícolas e tecnológicas superiores às variedades tradicionais, que podem agregar valores significativos para o produtor e a indústria”, avalia Kanthack. Os pesquisadores buscam ainda selecionar materiais resistentes ao carvão e às ferrugens alaranjada e marrom entre outras doenças, além das principais pragas presentes na região.
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A regional 7 tem menor disponibilidade hídrica e ambientes mais restritivos, com solos de menor fertilidade, erodidos em seus horizontes superficiais e com menor capacidade de retenção de água. Essas características acarretam em maior incidência de doenças oportunistas, como carvão e ferrugem marrom, presença de nematoides, entre outros desafios a serem considerados. Os pesquisadores do IAC buscam desenvolver e selecionar em todos os sites de seleção variedades eretas, com alto número de perfilhos, adequadas aos plantios e colheitas mecanizados.
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“Essa característica do Programa Cana IAC é fundamental para o desenvolvimento de uma canavicultura moderna, que leve em conta o perfil das regiões. Isso segue as recomendações do governador, Geraldo Alckmin, de que as pesquisas possam gerar os melhores resultados aos produtores, quando chegarem ao campo, possibilitando um aumento de produção e rendimento sem a necessidade de aumentar a área plantada”, afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim.
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Variedades IAC selecionadas nas regiões
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O Programa Cana IAC lançou, em novembro de 2013, duas variedades de cana-de-açúcar com perfil para atender aos períodos críticos da safra com relação à qualidade e produtividade. Um dos lançamentos, a IACSP96-7569, foi selecionada no site de seleção 7. A IACSP96-7569 é indicada para ser colhida de maio a agosto, quando se dá alta produtividade e teor de sacarose elevado. Com teor de fibra médio, tem ótima adaptação à região Oeste de São Paulo, nos municípios de Andradina, Araçatuba, Presidente Prudente e Adamantina, onde ocorreu a última grande expansão da canavicultura paulista. Ela também vem se destacando em outras regiões em que o IAC atua.
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A variedade IACSP93-6006, lançada em 2004, foi selecionada na regional 6. Ela ainda está em expansão de uso em algumas usinas associadas ao Programa Cana IAC, principalmente, por ter alta produtividade, em condições também de baixa disponibilidade hídrica. “Uma importante contribuição dessas variedades refere-se à ampliação do leque de opções, e consequentemente, o reforço na diversidade genética. Isso redunda em uma estratégia de proteção das lavouras contra doenças e pragas, viabilizando a proteção do agronegócio canavieiro como um todo”, afirma Marcos Guimarães de Andrade Landell, pesquisador e líder do Programa Cana IAC.
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