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Pesquisas com a palmeira macaúba são alternativas para biodiesel e para indústria farmacêutica

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A expectativa é que o Instituto lance uma cultivar da palmeira em sete anos
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   A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, desponta nas pesquisas de genética com a macaúba, palmeira que produz óleo da polpa, com alto teor de ácido oleico, que desperta especial interesse para a produção de biodiesel e bioquerosene, e óleo da amêndoa, muito rico em ácido láurico e com características desejadas pelas indústrias farmacêutica e alimentícia.
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   Os estudos coordenados pelo IAC estão à frente dos demais conduzidos no Brasil, segundo o pesquisador do Instituto, Carlos Colombo. A expectativa é que o Instituto paulista lance, em sete anos, a cultivar da palmeira. “Como resultado da experiência adquirida ao longo de oito anos trabalhando com a macaúba, é do IAC também o trabalho que propõe a planta ideal de macaúba para fins de cultivo em escala comercial, considerando atributos importantes, como o tamanho dos frutos, teor e composição de óleo e altura da planta”, afirma Colombo.
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  O IAC instalou, em 2013, o primeiro experimento nacional de avaliação de progênies de macaúba, em áreas experimentais da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), nos municípios de Pindorama e Presidente Prudente. Essas progênies são fruto de cinco anos de avaliação de plantas, em cerca de 30 municípios paulistas e mineiros. O Instituto Agronômico, vinculado à APTA, identificou ainda que, em alguns casos, a macaúba é uma planta bianual, como o café. Até 2018, a equipe de pesquisadores do IAC pretende instalar outros três experimentos de avaliação de progênies, a partir de novas observações, em áreas consideradas estratégicas do ponto de vista socioeconômico e ambiental.
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    Colombo explica que o fruto da macaúba é rico em óleos concentrados no mesocarpo e endosperma. “A concentração de óleo no mesocarpo pode atingir valores superiores a 70%, sendo rico em ácido oleico, muito apreciado para consumo humano e para biodiesel em função da maior estabilidade à oxidação e operabilidade a baixas temperaturas”, afirma.
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    De acordo com o pesquisador, a concentração do óleo no endosperma é, em média, de 54%, com alto teor de ácido láurico, matéria-prima para fabricação de cosméticos e de outros produtos de saponificação. “As porções do mesocarpo e endosperma também geram tortas e rações, excelentes suplementos alimentares para humanos e animais, em virtude da rica composição nutritiva, com 9% e 32% de proteína, respectivamente”, complementa. Outra porção do fruto de grande valor econômico é o endocarpo, que apresenta elevado poder calorífico. “Esta parte pode ser aproveitada com excelentes rendimentos em gasogênios, operações metalúrgicas e siderúrgicas”, diz.
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    Atualmente, pesquisadores do IAC coordenam dois projetos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Iniciado no IAC em 2014, o projeto "MacaubEST: atlas transcriptômico da macaúba" deverá representar um marco nas pesquisas em genética da macaúba. Em 2016, será divulgado para a comunidade científica o primeiro projeto de sequenciamento do genoma da espécie.
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Pioneirismo
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    A macaúba é considerada a palmeira de maior ocorrência no Brasil. Pode ser encontrada, sobretudo, em Cerrados da região Centro-sul do país, onde cresce naturalmente e forma grandes populações.      
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    Em São Paulo, a macaúba é encontrada em grande quantidade em pastos, bordas de matas, margens de estradas, áreas de relevo acidentado e, principalmente, em áreas de conservação, sobretudo na região do Pontal do Paranapanema, onde estão as maiores populações naturais da espécie. Esta região, que abriga a maior reserva de Mata Atlântica do interior do Estado e o maior contingente de pequenos agricultores assentados, apresenta condições favoráveis para o plantio comercial da macaúba, sobretudo em sistemas agroflorestais. “Por ser árvore nativa, também teria grande apelo para plantio em áreas de proteção permanente ou reserva legal, conforme determinam leis vigentes”, diz o pesquisador do IAC, Carlos Colombo.
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     Ele destaca que as pesquisas com macaúba reforçam o pioneirismo do Instituto ao dar início ao melhoramento genético da espécie Acrocomia aculeata, popularmente conhecida por macaúba, grande promessa ao setor agrícola.
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     A palmeira apresenta ampla distribuição geográfica. Ocorre na América tropical e subtropical, desde o sul do México e Antilhas e grande parte da América do Sul, chegando até o Sul do Brasil.
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    Estimativas de produção de óleo a partir de populações nativas de macaúba são da ordem de 4 mil litros, por hectare, por ano. A título de comparação, a soja pode produzir 650 litros, o girassol, 1,5 mil, a mamona, 2 mil, o pinhão-manso, 2,4 mil e o dendê, 6 mil litros, por hectare, por ano, na Indonésia e Malásia, países de maior produção. “Vale destacar que o dendê é muito exigente em água e precisaria ser irrigado, quando plantado em ambientes com déficit hídrico, estando na contramão da economia de água e da sustentabilidade que buscamos para as culturas brasileiras”, avalia.
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    O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, destaca que a biomassa para produção de energia é uma das principais alternativas energéticas de países com a geografia e dimensão do Brasil. Ele lembrou que o Plano Paulista de Energia oferece um conjunto de diretrizes e propostas de políticas públicas na área de energia e destaca a macaúba como opção de cultivo no Estado de São Paulo, com vistas à ocupação de áreas não adequadas para mecanização ou espaços subutilizados. “O governador Geraldo Alckmin tem incentivado a busca de alternativas energéticas. Há várias frentes de pesquisas e essa é uma que merece atenção”, acrescenta.
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   De acordo com Colombo, pretende-se incentivar o plantio da macaúba consorciada com pastagens com vistas à diversificação da produção agrícola e à recuperação de áreas degradadas. “Esta ação, no futuro, irá ao encontro do projeto “Integra São Paulo Lavoura e Pecuária”, lançado pelo Governo do Estado de São Paulo”, diz.

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