Webmail    |    Intranet

 

Cultivar Obatã Vermelho do IAC será usada em campeonato mundial de baristas

Campeão do 17º Campeonato Brasileiro de Baristas visita o IAC para conhecer o trabalho de pesquisa
 
      Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de Imprensa – IAC
 
A cultivar Obatã Vermelho desenvolvida pelo Instituto Agronômico (IAC) estará no campeonato mundial, World Barista Championship, em Amsterdã, na Holanda, de 20 a 23 de junho de 2018. O material será levado pelo campeão do 17º Campeonato Brasileiro de Baristas, Thiago Sabino. Para conhecer as pesquisas, Sabino esteve no IAC, em Campinas, em visita ao Centro de Café “Alcides Carvalho”, no dia 6 de abril de 2018. A visita faz parte da preparação do barista para a participação no campeonato mundial.
 
No evento, ele irá representar o Brasil usando a cultivar de café IAC Obatã Vermelho. “Vim para conhecer mais sobre a variedade e repassar esse conhecimento no campeonato mundial”, diz o barista. Sabino teve a oportunidade de ouvir pesquisadores do Instituto e conhecer o banco de germoplasma de café, o viveiro e outras áreas de pesquisa, por onde já passaram todos os cafés do tipo arábica do Brasil.
 
Usando a cultivar IAC Obatã Vermelho, Sabino venceu 23 concorrentes na competição nacional, em janeiro de 2018, no Rio de Janeiro, onde foi disputada a vaga para o mundial da categoria. Após o campeonato nacional, foi realizada uma degustação de café para selecionar a cultivar que será levada por Sabino ao mundial. A IAC Obatã Vermelho foi escolhida na presença de grandes profissionais do setor, durante ocupping, na cafeteria IL Barista, na Capital paulista, onde o barista trabalha desde 2015. “A gente diz que ele (o Obatã) é um monstro”, conta o barista, sobre como eles resumem as qualidades sensoriais da cultivar.
 
“Viemos ao IAC para discutir, à luz da ciência, sobre a interação entre ambiente e genótipo e como isso interfere na expressão final da qualidade da xícara”, disse Luiz Roberto Saldanha, proprietário da fazenda Califórnia, situada em Jacarezinho, no Norte Pioneiro do Paraná, que acompanhou Sabino na visita. Saldanha cultiva a Mundo Novo e a Catuaí Amarelo, todas desenvolvidas pelo IAC, e sua produção de cafés especiais é destinada à exportação. “Precisamos falar a mesma língua, o mundo científico precisa falar mais com o varejo e vice-versa.
 
O barista e o cafeicultor foram recebidos por Júlio César Mistro, pesquisador e diretor do Centro de Café do IAC, Sérgio Parreiras Pereira, pesquisador e vice-diretor da Unidade, e Luiz Carlos Fazuoli, pesquisador aposentado do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Fazuoli se emocionou ao ouvir os relatos de Saldanha sobre a qualidades dos cafés IAC em sua propriedade.
 
“É uma grandeza receber essa notícia de que a cultivar Obatã Vermelho, desenvolvida pelo IAC, estará no campeonato mundial de barista. O seu melhoramento foi iniciado na década de 60 e finalizado no início dos anos 2000, isto é, aproximadamente 40 anos de trabalhos no campo e laboratório, visando principalmente à resistência à ferrugem-da-folha”, disse Mistro.
 
Gelma Franco, diretora da IL Barista Cafés Especiais, também veio visitar o IAC. “É a primeira vez que o barista vai até a pesquisa”, afirmou. Segundo Gelma, a iniciativa cria bases que contribuirão para a seleção de campeões baristas no Brasil. “Estamos estreitando relações e aproximando o mundo acadêmico do dia a dia”, resumiu.
 
 
"O Obatã é sensacional, mas é preciso conhecer sua dinâmica para garantir que tenha as condições para expressar seu potencial".
 
Luiz Saldanha, que é engenheiro agrônomo formado pela Esalq/USP, dedica-se há 14 anos a potencializar as qualidades do Obatã. Ele conta que quando as pessoas conhecem as qualidades dessa cultivar, elas não acreditam que se trata de café do Paraná, “muito menos da altitude que tem, com a complexidade sensorial que tem”. A fazenda fica a 700 metros de altitude e, segundo ele, acredita-se que café especial deve ser cultivado acima de 1200 metros. “A altitude não é o ponto; mas sim a amplitude térmica no período da maturação”, explica.
 
O cafeicultor já conquistou vários concursos do setor com as cultivares IAC. Para ele, conhecer o material é fundamental para obter o melhor resultado. “Sua maturação mais lenta aliada a um ambiente que lhe dê condições de expressar todo o seu potencial agronômico e sensorial culminaram nessa conquista nacional”, avalia Mistro.
 
Segundo Saldanha, a Obatã tem maturação tardia, exigindo dois meses a mais no campo, comparando-o com outras cultivares. “O Obatã fica mediano se não oferecem para ele o que a planta precisa”, diz. “Nós oferecemos todas as condições para alcançar o melhor dele; são 14 anos de dedicação para chegar a esse patamar de xícara”, resume. Saldanha desenvolveu um processo de inoculação com levedura de champanhe destinado a aumentar a complexidade da bebida. A criação foi denominada Honey Moon, em homenagem à esposa.
 
Competição
 
Thiago Sabino relata que no campeonato, enquanto preparam as bebidas, os participantes vão comentando sobre as qualidades agronômicas das cultivares e o manejo adotado nos cultivos, de modo a explicar que aquele processo resulta no café que será provado pelo júri. “Essas informações mostram o quanto o participante conhece sobre o café, a região produtora, o processo adotado; isso aumenta a pontuação”, diz o barista.
 
Sabino lembra que quando procurou por Saldanha para conversar, o cafeicultor disse: “Vou te mandar o melhor café que eu tenho aqui”, referindo-se ao Obatã. Na fazenda Califórnia também são plantadas as duas cultivares Catuaí Amarelo do IAC, que Sabino escolheu para concorrer no Campeonato Brasileiro de Barista de 2017, quando conquistou a terceira colocação. “A Obatã já vinha ganhando alguns campeonatos regionais, mas atingir essa magnitude em nível nacional e, possivelmente, mundial é uma enorme satisfação para o Instituto Agronômico, berço das pesquisas de café no mundo”, afirma Mistro.
 
Na 17ª edição do Campeonato nacional, os 24 participantes prepararam, em cada etapa, quatro espressos, quatro bebidas com leite vaporizado e quatro bebidas originais de assinatura. Todos são avaliados por juízes sensoriais e técnicos. Os critérios avaliados são: sabor, qualidade e persistência da crema, no caso do espresso; harmonia entre café e leite, criatividade, avaliada na bebida de assinatura, e manipulação profissional dos ingredientes, do moinho e da máquina de espresso.
 
O Campeonato Brasileiro de Baristas é uma ação do projeto setorial “Brazil. The Coffee Nation” e é realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Alliance for Coffee Excellence (ACE). No setor, os baristas são considerados fundamentais para a valorização do café junto aos consumidores finais e também para criar uma cultura cada vez mais forte relacionada aos cafés especiais no Brasil.

 

Sede do Instituto Agronômico
Avenida Barão de Itapura, 1.481
Botafogo
Campinas (SP) Brasil
CEP 13020-902
Fone (19) 2137-0600