VARIABILIDADE PATOGÊNICA DO FUNGO PYRICULARIA GRISEA, AGENTE CAUSAL
DA BRUSONE DO ARROZ, NAS CONDIÇÕES DO ESTADO DE SÃO PAULO

MENDES, L. ¹*, MALAVOLTA, V.M.A.¹**
¹Centro de Grãos e Fibras, IAC.
*Bolsista PIBIC/IAC; **Orientador


RESUMO

Folhas e panículas de diversos genótipos de arroz com sintomas de brusone foram coletadas no período de dezembro/2004 a março/2006 em 12 municípios do Estado de São Paulo, representativos da região produtora de arroz. A partir desses materiais foram obtidos 43 isolados monospóricos do fungo Pyricularia grisea, agente causal da brusone. Para a caracterização da variabilidade patogênica desses isolados foram utilizadas as séries diferenciadoras internacional e japonesa. A semeadura das cultivares diferenciais foi realizada em solo contido em caixas plásticas e as plantas inoculadas aos 15-20 dias de idade. O fungo foi multiplicado em meio constituído por 15g de farinha de arroz em casca, 15g de aveia em flocos, 20g de ágar, 5g de dextrosol e 1L de água destilada. A suspensão de esporos foi padronizada na ordem de 104 conídios.mL-1. Após a inoculação as plantas foram mantidas em ambiente com alta umidade relativa por 72 h. Avaliação dos sintomas foi realizada no décimo dia após inoculação. Segundo a série internacional, os 43 isolados resultaram em 18 patótipos: IB-9, IB-33, IB-34, IB-38, IB-41, IB-45, IB-46, IB-48, IB-64, IC-13, IC-14, ID-9, ID-13, ID-14, IF-1, IG-1, IG-2 e II-1. Houve predominância de raças dos grupos ID, IB e IG com 12, 11 e 11 constatações, respectivamente. A variedade Raminad apresentou os genes de resistência mais efetivos contra os isolados ocorrentes na região, não suplantados por nenhum dos isolados testados, seguida da Dular (somente 7,0% de reações suscetíveis) e NP 125 (9,3%). Por outro lado, a resistência da variedade Sha-tiao-tsao foi suplantada pela maioria dos isolados (86,0% de reações suscetíveis), seguido da Usen (58,1%) e da Caloro (41,9%). Utilizando-se a série diferencial japonesa, foram identificados 29 patótipos: 1, 3, 4, 5, 6, 22, 40, 44, 46, 47, 100,102, 107, 112, 117, 120, 122, 127, 134, 136, 137, 140, 143, 147, 157, 161, 166, 176 e 547. Sete isolados não puderam ser identificados por essa série, por apresentarem reação do tipo resistente em todas as variedades. A análise do espectro de virulência dos isolados obtidos mostra que nenhum dos isolados teve a capacidade de suplantar a resistência conferida pelo gene pi-ta2 e somente 1 isolado a do gene pi-zt . Por outro lado, 60,5% dos isolados conseguiram causar sintomas em plantas com o gene pi-a, 58,1% com o gene pi-ta e 51,2% com o gene pi-i.

Palavras-chave: Pyricularia grisea, arroz, brusone, patótipos, raças fisiológicas.


Título do projeto do orientador: Variabilidade patogênica do fungo Pyricularia grisea, agente causal da brusone do arroz, nas condições do Estado de São Paulo
Programa/projeto: CNPq – IAC/PIBIC
Apoio financeiro: CNPq, FAPESP

Classificação do trabalho na Tabela de Áreas do Conhecimento no CNPq:
Grande-área: Ciências Agrárias
Área: Fitossanidade
Sub-área: Fitopatologia
Especialidade: Variabilidade patogênica