Palestra sobre milho transfere conhecimentos a chefs, sommeliers e estudiosos

A riqueza do milho foi abordada no 9º Paladar Cozinha do Brasil, realizado na Capital paulista, em 27 de setembro de 2015. O evento reuniu público composto por chefs, sommeliers e estudiosos e contou com palestra de Aildson Pereira Duarte, pesquisador da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que atua no Instituto Agronômico (IAC), de Campinas. Ele abordou o sugestivo tema “Que milho é esse?”. Além de palestras, o evento ofereceu aulas e degustações.
Duarte explica que existem vários tipos de milho, como o milho grão, destinado à indústria, milho-pipoca, milho verde para a produção de pamonha, cural e bolo, milho branco para canjica, milho doce para conserva e minimilho. Esses são os conhecidos pelos consumidores.
O cereal é destinado às indústrias de alimentos e de rações, além dos mercados de consumo in natura. Os grãos são utilizados para a fabricação de ingredientes utilizados amplamente na indústria de alimentos, como iogurtes, óleos, embutidos e farinhas.
Estima-se que cerca de 30% das sementes de milho-pipoca convencional cultivadas no Brasil são de materiais desenvolvidos pelo IAC. O milho-pipoca do Instituto é cultivado em São Paulo, Mato Grosso e Paraná, e o milho grão convencional, em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. O Instituto tem produção e comercialização própria e transfere suas sementes genéticas para empresas, que também multiplicam e fazem a venda aos agricultores.
Em 2015, o Instituto lançou os híbridos de milho-pipoca IAC 268 e o IAC 367, os dois com potencial produtivo de 4,5 toneladas por hectare de grãos, podendo chegar a 5 ou 6 toneladas, por hectare. Com grãos amarelo claro, o IAC 268 destaca-se pela maior resistência a doenças foliares e nematoides pratylenchus brachyurus. O IAC 367 tem grãos alaranjados, que atendem às exigências do mercado.
 
Milho verde
O IAC lançou, também este ano, o híbrido de milho IAC 8046, que tem potencial para produzir de nove a dez toneladas de grãos por hectare. Este híbrido possui espigas grossas, grãos de boa qualidade e baixa retenção de cabelo na espiga, que são características adequadas para produção de milho verde. O IAC 8046 é menos atacado pela lagarta-do-cartucho e apresenta boa resistência às principais doenças foliares, como ferrugens, pinta branca, mancha de turcicum e cercosporiose.O secretário de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, ressalta a importância do programa de melhoramento de milho mantido pelo IAC. “A pesquisa paulista usufrui de sua experiência para seguir gerando novas tecnologias que atendam às demandas e aproveitem nichos de mercados, seguindo a orientação do governador Geraldo Alckmin”, diz o secretário.
Transgênicos são maioria nos campos
 
Atualmente, a produção de milho no Brasil é composta por, pelo menos, 80% de transgênicos. Poucas empresas e instituições públicas, como o Instituto Agronômico, produzem sementes de milho convencional. “Hoje, é possível encontrar o milho transgênico em qualquer local e época do ano”, diz Duarte.
O pesquisador do IAC, explica que os produtores e as indústrias que trabalham com material convencional devem seguir os critérios de isolamento de tempo de plantio e colheita para que não tenha pólen de transgênicos, além de armazenar e transportar separadamente os grãos a fim de evitar mistura de grãos convencionais e transgênicos. “Geralmente, este tipo de mercado paga um prêmio pelo milho livre de transgênicos”, afirma Duarte.
Ao produzir milho transgênico, os produtores devem reservar uma área de refúgio, onde é cultivado material convencional. A medida é necessária para evitar o desenvolvimento de resistência da principal praga da cultura, a lagarta-do-cartucho, à proteína Bt, presente na planta transgênica. Segundo Duarte, todas as sementes transgênicas cultivadas no País são analisadas e aprovadas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). “Segundo a CTNBio, não há nenhum risco no consumo do milho transgênico, mas há consumidores exigentes que optam por material convencional”, diz o pesquisador do IAC.
 

 

 

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