Diretor-geral do IAC é homenageado na Agrishow 2022

Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de comunicação e imprensa IAC

 

O diretor-geral do Instituto Agronômico (IAC), pesquisador e líder do Programa Cana IAC, Marcos Guimarães de Andrade Landell, foi homenageado pela Agrishow 2022 por suas contribuições em 40 anos de pesquisas em cana-de-açúcar.  A homenagem, realizada segunda-feira, 25, em Ribeirão Preto, no primeiro dia da Feira, foi entregue pelo secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Francisco Maturro, que também é presidente geral da Agrishow, a maior feira no segmento agro na América Latina e a segunda maior no mundo.

“Esse reconhecimento e honra se dá quando completo quatro décadas de trabalho como pesquisador e gestor, com intensa interação com o setor sucroenergético, em que procuro guiar minhas ações em consonância com as necessidades daqueles a quem direcionamos nossos estudos e com apoio da equipe do Programa Cana IAC, que é extremamente comprometida com a ciência e com o retorno à sociedade”, diz o homenageado.

Landell também coordena os projetos PROCANA (uma grande rede para caracterização final de pré-variedades de cana-de-açúcar), o projeto Manejo Varietal e o Grupo Fitotécnico de Cana IAC, que teve seu início nos anos de 1991-92. Em junho de 2021, Landell assumiu a diretoria-geral do IAC. Até então, ele respondia pela direção do Centro de Cana do IAC, em Ribeirão Preto.

            O agora homenageado colabora de alguma forma com a Agrishow desde as primeiras discussões para a realização da Feira e participa desde a sua primeira edição, em 1994, tanto nos preparativos como no dia a dia da exposição.  

A Feira constitui um momento de exposição de tecnologias, de interação com empresas e agricultores e também de prospecção de demandas de pesquisas. No final da década de 1990, o Programa Cana IAC fez uma pesquisa na Agrishow para conhecer, dentre os interessados em cana-de-açúcar, qual era o uso com a cultura. A pesquisa mostrou que a maioria das pessoas que visitou o estande do IAC e respondeu à pesquisa naquele momento tinha interesse em cana para alimentação animal. “Em função desse retorno, começamos um projeto para identificar dentro dos materiais que estavam sendo selecionados naquele momento algum material mais com perfil forrageiro. Foi assim que chegamos à variedade IAC 86-2480, que até hoje é importante para alguns produtores e se tornou uma referência para alimentação animal”, conta.

Para o cientista, o evento é uma oportunidade de fazer conexão com os agricultores e demais profissionais do agronegócio. “A Agrishow tem a grande virtude de nos colocar em contato direto com aqueles a quem destinamos nossa pesquisa e os resultados por ela gerados”, resume.

 

Trajetória no IAC

“Os primeiros dez anos no IAC foi um período de intensa preparação, quando conclui o meu mestrado e doutorado, e dediquei-me a conhecer com mais profundidade os aspectos da fitotecnia da cana.  Naquela época, os produtores e técnicos canavieiros foram os meus professores e instrutores e isso me permitiu prospectar necessidades e direcionar diversos novos projetos e, assim, ser mais assertivo em consonância com as reais necessidades do setor”, relata Marcos Landell.

Nos anos de 1991 e 1992, mesma época em que se iniciavam as tratativas para a criação da Agrishow, Landell intensificou os contatos com as melhores empresas da região de Ribeirão Preto, aquelas que tinham melhor estrutura de experimentação e propôs alguns experimentos para desenvolver variedades de cana. “Na época, não havia materiais tão expressivos e com alto potencial biológico como temos hoje,  mas foi um período de grande aprendizado para mim em instalação de ensaios e desenvolvimento de metodologias. Na década de 1990, nós desenvolvemos metodologias experimentais, como os métodos biométricos de estimação de parcelas, e isso representou um grande salto na qualidade dos nossos experimentos”, conta.

Em 1994, três meses antes de a Agrishow começar, Landell e outros pesquisadores foram chamados pelo então secretário de Agricultura, Roberto Rodrigues, para saber o que era necessário para avançar com as pesquisas em cana.  O grupo do IAC elaborou o projeto em poucos dias, mas naquele mesmo período Rodrigues anunciou que estava de saída da Secretaria, tendo prometido ajudá-los para dar andamento naquelas propostas. 

Meses depois, em uma reunião do Grupo Fitotécnico de Cana, onde eram discutidos temas relacionados à canavicultura, Landell levou o projeto, que acabou se tornando a pauta do próximo encontro. A ideia era apresentar o projeto como algo promissor para o setor sucroenergético, que iria avaliar com apoiar aquele trabalho.

Desde então, o Programa Cana IAC tem intenso apoio e interação com empresas e canavicultores. Essa parceria viabiliza extensa rede de experimentos do Programa Cana IAC em várias regiões do Brasil, com resultados que atendem às diversidades regionais, sobretudo em termos de solo e clima. Esse trabalho foi determinante para viabilizar a canavicultura fora do território paulista.

O Programa Cana IAC considera a prospecção de demandas junto às usinas e às associações do estado de São Paulo e de outros dez estados do Brasil, principalmente das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Esse modelo de atuação alavancou o IAC à posição de referência no setor sucroenergético no Brasil e em outros países pela competência científica, capacidade de gestão e interação com a cadeia de produção.

Landell foi um dos responsáveis pela estruturação do Programa Cana IAC, nos anos de 1989 a 1992. Atualmente, destaca-se como um dos quatro programas brasileiros de melhoramento genético da cana-de-açúcar.

O Programa Cana IAC tem cerca de 630 ensaios ativos na atualidade, apenas na sua rede de experimentação para seleção e caracterização de novas variedades. Esse modelo de pesquisa requer ação contínua e dinâmica da equipe de cientistas e técnicos, que chegam a rodar distâncias anuais superiores a 500 mil quilômetros no Brasil.

A equipe transfere os resultados da ciência nas diversas áreas do conhecimento, que proporcionam saltos de produtividade, com sustentabilidade ambiental na canavicultura.

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