IAC apresenta as principais pesquisas do setor citrícola na 42ª Semana da Citricultura, 46ª Expocitros e 52º Dia do Citricultor

Eventos ocorrerão de forma online de 26 a 29 de julho

Por Carla Gomes (MTb 28156) e Mônica Galdino (MTb 47045) – Assessoria de imprensa IAC 

O Centro de Citricultura Sylvio Moreira do Instituto Agronômico (IAC) realiza de 26 a 29 de julho, a 42ª Semana da Citricultura, a 46ª Expocitros e o 52º Dia do Citricultor. Ao longo dos 42 anos do evento, esta será a primeira vez que os participantes terão a experiência de participar remotamente do congresso online. A Semana da Citricultura é conhecida por apresentar os mais novos resultados das pesquisas e inovações tecnológicas e discutir pautas relevantes para o setor. Os interessados podem se inscrever e conferir a programação completa no site https://expocitros.com.br.

No dia 27 de julho, os participantes terão acesso à sessão de variedades e saber sobre os lançamentos do Programa de Melhoramento Genético de Citros.  A pesquisadora do IAC, Mariângela Cristofani Yaly, irá apresentar as novas opções de variedades de copa e porta-enxertos para a citricultura desenvolvidas pelo Instituto Agronômico. Alguns desses materiais foram lançados em 2021 e outros estão em fase final de avaliação. Entre os destaques estão os novos porta-enxertos o IAC 3128 e o IAC 3026.

O Programa de Melhoramento Genético de Citros do IAC possibilita aos produtores novas opções de combinações de variedades copa e porta-enxertos, que atendam à demanda do mercado por frutos de mesa, para Suco de Laranja Concentrado Congelado (FCOJ) e Suco de Laranja Não Concentrado (NFC), e ainda apresentam tolerância às principais doenças que afetam a cultura. “Os dois porta-enxertos são importantes porque são diferentes um do outro, um é mais vigoroso, que é o IAC 3128, apesar de ser semi-ananicante, o outro é menos vigoroso e induz a variedade-copa ao tamanho menor que dois metros”, explica a pesquisadora do IAC.

O benefício proporcionado pelo porte ananicante é a viabilização de um espaçamento menor entre as plantas e, consequentemente, a instalação de um maior número de árvores, por hectare, podendo propiciar maior produção por unidade de área. É o chamado plantio adensado, estratégia adotada pelo setor a partir do surgimento e expansão do Huanglongbing (HLB ou Greening), uma das doenças mais severas dos citros que causa perdas econômicas substanciais. Além da maior eficiência produtiva, a planta de menor porte facilita a colheita, a inspeção, a pulverização e a erradicação no controle do HLB, atendendo aos anseios da maioria dos citricultores para o controle de pragas, doenças e seus vetores.

O porta-enxertos IAC 3128 induz a variedade de copa a ter o porte semi-ananicante e boa qualidade de fruta. Suas principais características agronômicas são tolerância à seca, compatibilidade com laranja ‘Pera’ e indução à elevada produtividade da variedade copa. O IAC 3128 se destacou em Barretos com a produção de 4.000 caixas, por hectare. O porta-enxertos IAC 3026 se destaca por induzir o porte ananicante à variedade de copa e gerar boa qualidade de fruta. Ele pode ser recomendado para plantios mais adensados, entretanto não apresenta tolerância à seca. “Atualmente, a maior parte das plantas cítricas do Brasil está enxertada sobre os porta-enxertos citrumelo Swingle e limão Cravo, o que pode colocar em risco a citricultura brasileira em função da baixa diversidade genética. Por isso, é tão importante a ciência gerar essas opções ao setor citrícola e o IAC está disponibilizando essas duas novas alternativas, possibilitando a formação de plantas longevas e conferindo à copa produção e qualidade de fruto e suco”, complementa Mariângela.

            Outro tema relevante aos citricultores é a questão da sanidade dos pomares. O pesquisador do IAC, Helvécio Della Coletta Filho, abordará o tema em sua palestra: “Ações do Centro de Citricultura na produção de citros: sanidade do material de propagação para uma citricultura sustentável”. O pesquisador explica que a contribuição das características genéticas e a sanidade de todo material de propagação vegetal são essenciais para o sucesso do empreendimento.

A Clínica Fitopatológica do Centro de Citricultura atua há 25 anos em conjunto com o setor citrícola desenvolvendo, adaptando e disponibilizando testes de diagnóstico para os principais patógenos que afetam a produção e comercialização de citros. “Os números e impactos no sistema de produção serão discutidos face a sustentabilidade da atividade, seja na produção ou comercialização”, diz Helvécio.

O pesquisador do IAC informa que em culturas com propagação vegetativa e perenes como os citros, a sanidade do material de propagação torna-se ainda mais importante face a transmissibilidade de patógenos sistêmicos, que habitam o interior das plantas, por meio da enxertia, característica essa ainda importante quando se trata de patógenos com longo período de incubação.  Outro fator crucial de muito impacto de patógenos está na comercialização da fruta, ainda mais se tratando de microrganismos quarentenários no destino das frutas, onde carregamentos inteiros são recusados no recebimento quando diagnosticada a presença da praga.

As pesquisas desenvolvidas pelos Institutos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo estão alinhadas aos preceitos da sustentabilidade, por isso, esse tema não poderia deixar de ser abordado durante o evento. A pesquisadora do IAC, Regina Célia de Matos Pires, apresentará a palestra: “Estratégias para manejo da irrigação: economia do uso da água, florescimento e pegamento de frutos”.

Regina explica que com o atual cenário de mudanças climáticas a irrigação vem se tornando uma prática cada vez mais frequente na citricultura, pois, além de proporcionar ganhos em produtividade também representa segurança em anos com períodos prolongados de seca.  “Durante a minha apresentação irei abordar as principais estratégias para o correto manejo da irrigação, visando a época de florescimento e pegamento de frutos com consequente economia do uso da água”, afirma.

Ainda na temática sustentabilidade, o IAC possui um robusto trabalho em segurança do trabalhador e aplicação correta de defensivos agrícolas. O responsável pelas pesquisas da área, Hamilton Humberto Ramos, apresentará a palestra: “Inovação na aplicação: evolução do volume de calda na citricultura e suas implicações”.

Ramos explica que o volume de calda em citros tem sido sensivelmente reduzido nos últimos anos. Essa redução impacta na diminuição dos custos operacionais e na capacitação dos trabalhadores que aplicam os pulverizadores. “A palestra abordará os fatores da pulverização, que até então tinham sua importância reduzida, como velocidade de deslocamento, uso de adjuvantes ou sistema de condução dos pomares e passam a ter importância primordial na eficácia do tratamento fitossanitário”, comenta o pesquisador.

A nutrição dos citros será o tema abordado pelo pesquisador do IAC, Rodrigo Boaretto, que apresentará quais são os nutrientes que mais podem mitigar os efeitos dos estresses ambientais e otimizar a produção no campo, diante do cenário de mudanças do clima. “O manejo adequado de nutrientes é fundamental para a obtenção de altas produtividades, associado a isso alguns nutrientes também desempenha papel fundamental na desintoxicação de radicais livres e aumentam a resistência das plantas a condições ambientais adversas”, diz Boaretto. Em levantamento recente nos pomares do cinturão citrícola brasileiro foi verificado a alta incidência de áreas deficientes em alguns nutrientes chaves no processo de desintoxicação das plantas. A palestra irá apresentar o quanto a carência desses elementos pode impactar a produtividade e quais são as possíveis forma de correção desses nutrientes.

Como será no formato digital

As sessões, em 27 e 29 de julho, contarão com uma palestra temática e três interativas, seguidas de painéis de discussões, que permitirão a interação com o público no ambiente digital. Ao todo, serão 24 apresentações e seis salas interativas. Participam dessas sessões: pesquisadores, especialistas de negócios, consultores, citricultores, além de profissionais da Espanha, Uruguai e Estados Unidos.

A Expocitros/Semana da Citricultura realizará também a entrega de prêmios para os destaques do setor em sua abertura no dia 26 de julho. Em 2021, na categoria engenheiro Agrônomo do Ano, o citricultor e consultor, Maurício Lemos Mendes da Silva, será agraciado. A categoria Prêmio Centro de Citricultura, irá para o Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Campus de Araras. Aproximadamente, 300 estudantes de agronomia da UFSCar atuaram no Centro de Citricultura nos últimos 15 anos, muitos como bolsistas dos programas PIBIC e PIBIT do CNPq, e que foram laureados com o prêmio de melhor trabalho do programa. “Outros estiveram engajados no programa de pós-graduação em projetos de pesquisa com os pesquisadores do Centro de Citricultura. Hoje, muitos egressos ocupam posições de destaque na agricultura”, afirma o diretor do Centro de Citricultura e pesquisador, Dirceu Mattos Jr.

 

 

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