“A gente vê a reciprocidade no produtor em busca de informações” Homenagem ao Dia do Agrônomo

Carla Gomes (MTb 28156) – Assessora de imprensa – IAC

Nos últimos dias de calor intenso, a agrônoma e pesquisadora do Instituto Agronômico (IAC), Angelica Prela Pantano, tem atendido jornalistas até no início da noite para comentar sobre as altas temperaturas. Para ela, não tem tempo ruim quando o assunto é clima. Solícita, como a descreveu uma jornalista que a entrevistou recentemente perto das 19h, a agrônoma da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, poderia estar atuando na área jurídica. Na fase pré-vestibular, era o Direito que a atraía. Mas as circunstâncias da vida na pequena Bandeirantes, no interior do Paraná, conduziram-na à agronomia, universo em que a maioria é masculina, justamente numa cidade onde a tradição era cursar magistério. Na pessoa desta cientista, é homenageada toda a categoria neste 12 de outubro, Dia do Engenheiro Agrônomo, profissional que atua para auxiliar a ampliar a capacidade da produção agrícola, considerando os aspectos técnico, ambiental e socioeconômico. O IAC tem 67 agrônomos em sua equipe de 143 pesquisadores.

“Ser agrônoma é uma realização, tive essa oportunidade e me identifiquei”, resume Angelica. Ela tinha 17 anos quando terminou o segundo grau, no município que, à época tinha 25 mil habitantes, e tem a agricultura como base da economia. “Embora fizesse o magistério com muito carinho, não era isso que eu queria”. Ela sonhava fazer direito, mas a família não tinha condições de mantê-la em outra cidade. Ainda assim, prestou o vestibular do curso desejado. Porém, a data da prova da segunda fase do exame coincidiu com a do curso de Agronomia e ela optou por fazer a prova deste. Afinal, a faculdade de Agronomia ficava na sua cidade e sua mãe trabalhava lá, o que lhe possibilitaria ter bolsa de estudo de 50%. 

Angelica iniciou a faculdade em 1992 e concluiu em 1996. Fez Especialização em Biologia Vegetal na mesma faculdade e, em 1997, foi para o mestrado na Universidade Estadual de Londrina, com estudo já direcionado para climatologia, área em que atua no IAC. Ela quis sair da pequena cidade e procurar algo melhor. Solange, sua irmã nove anos mais velha, permaneceu com a mãe, a dona Tereza, em Bandeirantes. “As duas sempre me apoiaram, minha família sempre foi muito humilde e minha mãe trabalhou muito para eu estudar, então eu achava eu que tinha que continuar”, recorda.  Angelica acreditava que numa cidade pequena, o meio para mudar de vida seria pelo caminho do estudo. E foi o que ela fez.

Para dar continuidade na mesma área de pesquisa, a jovem mudou de estado e veio para Piracicaba, cursar doutorado na Esalq/USP. Ao finalizar o doutorado, em 2005, foi aprovada no concurso público e ingressou em maio daquele ano como pesquisadora do Instituto Agronômico.  “Foi estudando que eu consegui chegar a um concurso e ser aprovada”.

Também no último ano do doutorado Angelica conheceu Marcelo, seu marido, que sempre a apoiou. Enquanto namoravam, ele morava em Santa Bárbara D’Oeste e ela em Assis, trabalhando na unidade do IAC já com climatologia relacionada a grandes culturas. Após dois anos e meio, transferiu-se para Campinas, seguiu no grupo de climatologia e se casou. O marido sempre a apoiou nas viagens de campo, necessárias para a pesquisa científica. Mesmo depois de ter dois filhos, João Paulo, com 10 anos, e Pedro Henrique, com sete, as viagens permanecem e seu marido fica com as crianças. Para conciliar a carreira e a família, ela acorda bem cedo e para tarde da noite. 

As crianças foram para a escola aos cinco meses de vida. Há pouco tempo deixaram de ficar em período integral e agora estão no estudo remoto, por conta da pandemia. Como todas as mulheres que trabalham dentro e fora de casa, Angelica está se dividindo também para acompanhar os filhos no ensino online. “Está bem corrido, mas em muitos aspectos está rendendo bem mais o trabalho em casa, também consegui manter atividades em campo, de uns três meses para cá, para preservar os experimentos.” Os filhos gostam do trabalho da mãe agrônoma e, por vezes, visitam seu local de trabalho.  

Para ela, ser pesquisadora do IAC é um orgulho, apesar das dificuldades enfrentadas. A agrônoma gosta muito da oportunidade de conhecer vários produtores, em locais diferentes e novas culturas. “Trabalhar com oliveira tem sido um desafio, conhecer uma nova cultura para o estado de São Paulo e para o Brasil tem sido recompensador, a cada safra a gente conhece produtores diferentes”, diz. O clima influencia diretamente a oliveira e o cafeeiro, as duas culturas com as quais mais trabalha a agrônoma. Ela conta que percebe a sede do produtor por conhecimento e tem sido possível levar informações ao setor agrícola.

De uns três anos para cá, Angelica tem sido muito procurada para atender à imprensa e falar sobre clima e impactos na agricultura. Sua disponibilidade não se encerra com o final de expediente. Ela fala com jornalistas mesmo fora do horário de trabalho. “Esforço-me para atender às solicitações de jornalistas, gosto e fico feliz; alguns aspectos não conseguimos atender porque foge da esfera do IAC, como previsão do tempo”, diz.

Nessa trajetória exitosa, será que há um sonho não realizado como agrônoma? Apreciadora de plantas ornamentais, Angelica pensava que seguiria nesta área. “Mas no IAC, acabei trabalhando com grandes culturas, esse é um sonho que não realizei”. Nessa área, só ajuda amigas com seus jardins. “Profissionalmente não realizei, só como amadora, mas gosto muito, me sinto realizada pelo que faço com minhas plantas ornamentais e de meus amigos”, diz.

Trabalhar com clima foi uma experiência muito boa. Na faculdade, as aulas de agrometeorologia eram muito difíceis, achava descontextualizadas. “Hoje eu vejo relação em tudo”, comenta. E o humor da agrônoma, está mais para dias ensolarados ou cinzas? “O céu azul é maravilhoso, mas o dia cinza também tem seus benefícios, a chuva é necessária; pra mim um dia nublado também é bom. Na maioria dos dias, eu tento ver o lado bom das coisas, embora não seja fácil todos os dias”. Quem a conhece, dirá que ela consegue. Parabéns agrônomas e agrônomos!

 

 

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