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Regulamentação da produção de mudas de maracujá em São Paulo objetiva recuperar o cultivo da fruta no estado

 

 
O manejo do vírus que causa o endurecimento dos frutos do maracujazeiro, que já dizimou muitos pomares paulistas, baianos, mineiros, paraenses, goianos e fluminenses, foi tema da reunião técnica realizada pelo Instituto Agronômico (IAC), em Campinas. O objetivo foi discutir as recomendações técnicas para minimizar os danos causados pela virose e, a partir disso, desenvolver diretrizes para os produtores e promover a regulamentação do setor produtivo, especialmente com relação às normas para produção de mudas. A finalidade dessas ações é recuperar a produção paulista da fruta, que teve uma redução de 145% em 15 anos.
O vírus causador do endurecimento dos frutos é transmitido por pulgões e tem difícil controle, devido à sua rápida disseminação. A doença prejudica o crescimento dos frutos, que ficam deformados e endurecidos, perdendo o valor comercial. Além desses prejuízos, a virose reduz significativamente a produtividade do pomar, comprometendo a viabilidade econômica. A dificuldade de controle da virose está associada à agressividade do vírus e também aos pulgões, que são os vetores da doença. Eles são bastante eficientes na contaminação das plantas e estão amplamente distribuídos em todas as regiões produtoras. Além disso, possuem um grande número de plantas hospedeiras, onde se alojam e se multiplicam em larga escala.
No encontro, no dia 14 de agosto de 2018, foram abordadas as ações da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA) que vêm sendo discutidas a partir da Comissão Técnica de Fruticultura da SAA. Estiveram presentes pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), do IAC, das Coordenadorias de Assistência Técnica Integral (CATI) e Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo (CDA), da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP) e da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo (USP).
Entre as diretrizes mais importantes destacam-se a produção de mudas exclusivamente dentro de estufas teladas, utilizando recipientes de capacidade mínima de um litro, preenchidos com substrato orgânico, ou adquiridas com viveiristas registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Estes deverão produz as mudas de acordo com essas normas. “Essas medidas visam garantir a sanidade das mudas na instalação do pomar, o que viabiliza a produção, ainda que as plantas sejam contaminadas após o florescimento”, diz a pesquisadora do IAC, Laura Maria Molina Meletti. Recomenda-se, ainda, a eliminação da lavoura contaminada após o final da safra, até o limite de 1º de julho de cada ano, promovendo um vazio sanitário mínimo de 20 dias até o próximo plantio.
A muda de boa qualidade é o principal insumo na instalação de um novo pomar. Se ela estiver contaminada, haverá total frustração de safra. Plantas contaminadas após o florescimento, em infecções tardias, poderão produzir adequadamente.
“No período de 2000 a 2015, observou-se uma queda de 145% na produção paulista de maracujá, que resultou no desabastecimento estadual. Atualmente, os produtores não estão mais conseguindo atender à demanda da CEAGESP (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), que está adquirindo frutas de outros estados, principalmente Bahia e Santa Catarina”, diz a pesquisadora do IAC.
            O objetivo desse trabalho é que tais recomendações se tornem aspectos regulatórios do cultivo do maracujazeiro, recuperando a produção dos pomares estaduais e viabilizando a fiscalização. Com a normatização, se um produtor se sentir prejudicado por um vizinho que adotou um manejo inadequado e, consequentemente, tem uma lavoura contaminada, capaz de inviabilizar seu empreendimento, ele poderá acionar a CDA. Esta, por sua vez, terá um mecanismo legal para respaldar seu trabalho.
Os especialistas consideram ainda que a regulamentação poderia viabilizar o acesso dos produtores a uma linha de crédito disponível para a construção de estufas teladas. A equipe pretende também continuar a realizar treinamentos regionais para técnicos e produtores, nas diferentes regiões produtoras, oferecendo também uma cartilha com instruções técnicas, que os permita fazer inspeção semanal no pomar e eliminação de plantas sintomáticas até o florescimento. Esta prática também viabiliza a produção de maracujá em áreas contaminadas pela virose.
Após a publicação proposta desta resolução no Diário oficial seria concedido o prazo de 12 meses para os produtores se adequarem às novas regras.
 
 
Contaminação de pomares pelo vírus do endurecimento dos frutos do maracujá fez São Paulo passar da 1ª para a 7ª posição no ranking de produção nacional
 
Os pomares paulistas de maracujá amargaram com a virose do endurecimento e a doença fez o Estado de São Paulo perder a posição de líder em produção do fruto. Atualmente, a liderança é de Santa Catarina e São Paulo está lá na sétima posição.
Segundo a pesquisadora do IAC, entre os motivos que levaram a essa situação estão os cuidados dos produtores catarinenses com a polinização manual, a preocupação com cada fase da produção e também a ausência do vírus do endurecimento dos frutos naquela região. A precaução foi tamanha que, mesmo sem a ocorrência do vírus, os fruticultores adotaram, em 2016, essas medidas preventivas agora propostas para São Paulo.
            Laura relata que as diferenças na produção de maracujá nos dois estados vão além da questão climática, que contribui para evitar o vírus em Santa Catarina. Embora ambas sejam realizadas por agricultores familiares, em São Paulo a produção é dispersa, não há cooperativismo e os frutos são destinados para indústria e consumo in natura. Enquanto em Santa Catarina, a produção está concentrada no sul do estado, há uma cultura de cooperativas na região e a produção é para o mercado in natura, que tem um valor de mercado maior, porém exige mais dos produtores.
Por outro lado, Santa Catarina enfrenta dificuldades com os grandes encargos vinculados ao transporte para vender a produção na CEAGESP e uma diminuição no período de produção devido ao clima. “Apesar da distância a ser percorrida até São Paulo, o valor agregado por conta da qualidade dos frutos, compensa os custos do transporte”, diz a pesquisadora.
 
 

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