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IAC participa da Trilha Agro no Inova Campinas

 
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Iniciativa inédita contou com sete tecnologias IAC
 
Nessa primeira edição da Trilha Agro 2018 houve a inauguração do seu principal evento: o "Mais Valor Agro", que ocorreu no dia 24 de outubro. O destaque da programação foi a conferência Mais Valor Agro, com a temática Agricultura 4.0 e Agregação de Valor. A proposta da Trilha Agro promoveu o setor Agro - suas inovações, iniciativas e casos de sucesso e aproximou os diferentes stakeholders do agronegócio, além de propiciar um ambiente para compartilhamento de conhecimentos e experiências, facilitando o relacionamento entre instituições e empresas.
A participação do Instituto Agronômico (IAC) na Trilha Agro teve como principal desafio apresentar e discutir a agregação de valor com qualidade dos produtos agrícolas. “Discutimos questões como estimular o incremento na qualidade dos produtos agrícolas, para prover novos patamares das cadeias produtivas, inclusive para valorização de produção local e como atender às demandas de sustentabilidade do consumidor final, com produtos de maior valor agregado”, disse a diretora Núcleo de Inovação Tecnológica do IAC (NIT-IAC), Lilian Cristina Anefalos.
O IAC esteve presente com um stand no Inova Campinas, para mostrar os novos produtos, serviços e soluções tecnológicas que foram disponibilizados para o setor agrícola. Além disso, neste ano o IAC também disponibilizou sete tecnologias na plataforma 100 opentech em busca de parcerias. 
Entre as tecnologias expostas pelo IAC está o Sistema Aeropônico Portátil (SAP) — um equipamento portátil para produção de plantas dentro de casa, sem o uso de solo —, que possibilita a produção dentro de casa de plantas aromáticas e medicinais. O primeiro protótipo do equipamento, apresentado este ano, destina-se à produção de hortaliças folhosas, pimentas e plantas aromáticas, além de batata-semente. “Por meio da utilização de luz artificial e nebulização é possível produzir diversos tipos de plantas, inclusive aquelas que são utilizadas no dia a dia para o preparo das refeições. O princípio é a utilização da técnica chamada de aeroponia, desenvolvida em São Paulo pela APTA para a produção comercial de batata-semente”, explicou Thiago Factor, pesquisador do IAC.
A tecnologia resulta de projeto realizado pela startup Aeropônica, em parceria com o IAC e a APTA Regional, com financiamento de R$ 160 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), no programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). A parceria entre a startup, o IAC e a APTA Regional surgiu após o proprietário da Aeropônica, Alex Humberto Calori, finalizar o doutorado na Pós-Graduação IAC em Agricultura Tropical e Subtropical e o estágio na unidade de pesquisa de Mococa. “Percebi que havia demanda de produtos customizados de hidroponia e aeroponia para ambientes indoor. O conhecimento obtido na época do estágio, no mestrado e doutorado no IAC contribuiu para consolidar meus conhecimentos nesses dois sistemas de produção, o que foi fundamental para o desenvolvimento desse produto inovador”, diz Calori.
A aeroponia é uma vertente da hidroponia e consiste no cultivo de planta sem a necessidade de solo ou substrato. No sistema, as raízes ficam suspensas no ar e a planta é alimentada por nebulização de gotículas de água carregadas de nutrientes. A APTA adaptou a tecnologia para produção de batata-semente em São Paulo. Com ela, é possível quadruplicar a produção de batata-semente, utilizando 90% menos de água. “Esta é uma tecnologia já adotada por alguns produtores paulistas. Estamos agora adaptando para que ela seja utilizada em domicílios, por pessoas que nunca cultivaram uma planta”, afirmou o pesquisador.
Outra tecnologia do IAC que também foi ofertada na plataforma é a máquina de pré-poda e poda da videira. O protótipo desenvolvido pelo IAC é um sistema pórtico articulador acoplado à máquina ao trator. Segundo Antonio Odair Santos, pesquisador do IAC, o pórtico está ligado a um segundo rodado, dessa forma a máquina não está sustentada totalmente no trator. “O pórtico faz correções de acordo com as inclinações do terreno e foi desenvolvido levando em consideração a prevenção da compactação do solo”, explicou.
A máquina foi desenvolvida considerando as características nacionais. “O solo brasileiro tem maior propensão à compactação comparativamente a outros países produtores de uva, por isso o IAC mapeia os impactos da introdução da mecanização da viticultura”, disse Santos. O equipamento pode ser adotado em campos voltados para a produção de uva para o consumo in natura ou para a indústria.
Também para a viticultura foi apresentada a máquina para desfolha da videira e cultivos assemelhados, além da máquina perfuratriz para viticultura e áreas assemelhadas. A primeira viabiliza a desfolha mecanizada da videira, confere maior velocidade ao processo, facilitando a vida do produtor e viabilizando o processo em áreas maiores. É importante ressaltar que a desfolha contribui para evitar doenças na videira, com diminuição de aplicação de agrotóxicos. Segundo Santos, não existem modelos de fabricação nacional e o equipamento em desenvolvimento no CEA/IAC, apresenta vantagens sobre modelos importados, em operação no Brasil, tais como: custo de produção reduzido, devido ao tipo de material utilizado e construção simplificada Operacionalidade mais simples que dos modelos importados, facilitando o trabalho do operador, mais leve que os modelos importados, o que reduz os riscos de compactação do solo. A perfuratriz permite produzir covas para plantio e replantio da videira, para a colocação de mourões, com maior flexibilidade de posicionamento da broca. O modelo em desenvolvimento opera com força hidráulica em várias direções. Ainda, segundo Santos, existem modelos de fabricação nacional, entretanto o equipamento para realizar o coveamento mecanizado no plantio da videira, em desenvolvimento no CEA/ IAC, apresenta vantagem sobre os modelos existentes, pela sua flexibilidade de posicionamento da broca, o que permite a sua utilização também no replantio de mudas em vinhedos já instalados.
A diversidade de tecnologia que foram apresentadas ao público fica evidente ao analisarmos outro produto como a caracterização do gene Dirigente Jacalina, que possibilita aumento de biomassa em até 350%, sendo que o menor ganho observado foi de 35%. Até então, essa função deste gene era desconhecida e não havia sido descrita em nenhuma literatura. A tecnologia também atesta à planta tolerância à seca. A descoberta traz novas possibilidades para aumentar a produtividade sem ampliar a área de produção. “Trata-se da verticalização da produção, só manipulando o que a planta já tem, é uma importante contribuição para o melhoramento genético não convencional. Em São Paulo, a média é de 85 toneladas por hectare, a busca é pelos três dígitos, como 100 toneladas, por hectare”, disse Silvana Creste Dias de Souza, pesquisadora do IAC. Nos estudos, iniciados em 2012, o gene da proteína Dirigente Jacalina chamou atenção por se expressar muito na planta tolerante na condição de déficit hídrico, em experimentos com materiais adaptados e não adaptados ao clima árido do Cerrado.
O IAC já fez o depósito de pedido de patente da tecnologia do gene da proteína Dirigente Jacalina e, também, do fator de transcrição ScMYBAS1, outro gene ligado à produção de biomassa e tolerância ao déficit hídrico. Os pedidos de patentes de invenção ou de modelo de utilidade dos equipamentos para mecanização da viticultura, também, já foram depositados junto ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial).
A Trilha Agro é o resultado de parceria entre o IAC, e as demais instituições da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) e a Coordenadoria Técnica de Assistência Integral (CATI), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, com a Inova Campinas e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA).
Para Lilian, a Trilha Agro atendeu aos anseios da região por trazer as discussões sobre esse importante setor para o principal evento de Inovação da região de Campinas – Inova Campinas.
 

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