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Pesquisador do IAC recebe prêmio internacional por pesquisas com sustentabilidade

Por Carla Gomes (MTb 29156) e Ana Cláudia Chagas (estagiária) – Assessoria de imprensa – IAC
 
O pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, Heitor Cantarella, irá receber o Prêmio Norman Borlaug 2017, da Internacional Fertilizer Association (IFA). A cerimônia será em novembro, em Zurique, na Suíça, durante o Fórum Estratégico IFA. Cantarella conquistou esse reconhecimento pelos 42 anos de trabalho científico desenvolvido no IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
“Sinto-me muito honrado, é um prêmio muito importante para quem trabalha nessa área e é o reconhecimento de uma carreira como pesquisador. De alguma maneira, coroa a minha trajetória e, obviamente, me traz mais responsabilidades”, declara o escolhido entre vários nomes indicados do mundo inteiro.
Na ocasião da entrega, o pesquisador irá participar de uma mesa-redonda com outros ganhadores de edições anteriores para discutir questões atuais sobre os rumos da fertilização e da produção agrícola. Cantarella é o segundo pesquisador do IAC e o terceiro brasileiro agraciado com este Prêmio.
Ele se dedica à fertilidade de solos, nutrição de plantas e eficiência no uso de fertilizantes. “Acredito que tenha dado contribuições importantes nos estudos com perdas de nitrogênio, especialmente por volatilização de amônia, fazendo medições das reais quantidades que são emitidas quando aplicadas ao solo”, avalia.
Em suas mais recentes pesquisas, Cantarella se voltou à área de sustentabilidade com foco em gases de efeito estufa, especialmente com emissão de óxido nitroso. “Começamos a trabalhar com cana-de-açúcar porque havia uma falta de informações muito grande; os dados que existiam na literatura internacional sobre emissão de gases de efeito estufa com uso de fertilizantes na cana eram poucos e os números muito altos”, afirma.
Segundo o pesquisador, havia registro sobre uma perda média de 4% de nitrogênio como óxido nitroso, enquanto o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) considera 1% como número de referência. “Nosso trabalho, juntamente com outros pesquisadores brasileiros, mostrou que no Brasil as emissões atingem, no máximo, 1%, o que garante que o etanol nacional é bastante sustentável”, diz.
O pesquisador está estudando também as emissões que ocorrem com uso de resíduos da indústria sucroalcooleira, como vinhaça e torta de filtro. O estudo visa encontrar medidas para mitigar essas emissões. “Podemos reduzir substancialmente a liberação de óxido nitroso quando usamos inibidores de nitrificação, que são compostos acrescentados aos fertilizantes para reduzir a taxa de transformação de amônio em nitrato, reação que ocorre naturalmente nos solos”, afirma. Esses inibidores têm alto potencial para reduzir as perdas de óxido nitroso.
Redução
Cantarella é um dos primeiros cientistas a avaliar as emissões de óxido nitroso associadas à produção de etanol. Sua pesquisa mostrou que as liberações deste gás de efeito estufa poderiam ser reduzidas em até 95%, aplicando fertilizantes de ureia à cana com compostos que retardam a conversão de amônia em nitrato. "Se não controlarmos as emissões associadas à produção de etanol, podemos perder os benefícios da substituição de combustíveis fósseis", diz.
O pesquisador do IAC já trabalhou também com inibidores de urease, que permitem reduzir as perdas por volatilização de amônia, quando a ureia é aplicada na superfície dos solos para adubar as culturas. Os primeiros inibidores registrados no Brasil foram feitos graças aos resultados gerados por Cantarella.
Além de pesquisa e desenvolvimento, ele se dedica também à transferência de tecnologia, sobretudo na área de análise de solos com o objetivo de guiar a recomendação de adubação, não somente com o desenvolvimento de métodos para o clima tropical, como também com a difusão e o treinamento para 136 laboratórios do Brasil e do exterior.
Cantarella ainda tem mais de 130 artigos científicos publicados em revistas indexadas e 70 capítulos de livros. O conjunto que compõe sua carreira motivou a indicação ao Prêmio Norman Borlaug, entregue anualmente, desde 1993, ao pesquisador que se destaca na área de fertilizantes.
Para o secretário Arnaldo Jardim, os reconhecimentos conquistados pela pesquisa paulista e seus integrantes reforçam a excelência dos resultados. “A credibilidade do IAC na área de solos ultrapassa fronteiras e traz laboratórios de diversos Estados e de outros países que buscam capacitação na pesquisa paulista, como orienta o governador Geraldo Alckmin”, disse.
"Encontrar uma maneira de tornar o etanol ainda mais sustentável através de inovações em fertilizantes tem sido minha missão e estou encantado por ter sido reconhecido com este prêmio de prestígio", diz o pesquisador.

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