IAC desenvolve pesquisas sobre óleos essenciais de citros para caracterizá-los e identificar novos usos

 

 
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Agronômico (IAC), desenvolve pesquisas sobre óleos essenciais de citros. O objetivo é caracterizar o óleo essencial de parte da coleção de cerca de 1700 acessos do Banco Ativo de Germoplasma (BAG) de citros do IAC e identificar novas moléculas e novos usos potenciais dos óleos essenciais de citros.  
Para o secretário de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, a pesquisa colabora com a transferência de conhecimento e tecnologia. “Essa atividade vai ao encontro da recomendação do governador Geraldo Alckmin de levar a ciência para o setor agrícola e industrial”, diz.
Fazem parte do estudo 13 variedades de laranjas, 32 de tangerinas, 8 de mexiricas, 13 de limões, 11 de pomelos, 1 de cidra, 1 de toranja, 6 híbridos. de tangerinas e outros seis híbridos de laranja com tangerinas. 
No IAC, os estudos envolvendo óleos essenciais começaram na década de 30. Recentemente, uma parceria com a iniciativa privada resultou em trabalho inédito. Os resultados das pesquisas são apresentados em uma publicação, que é o maior compêndio já publicado sobre óleos cítricos, segundo Nilson Borlina Maia, pesquisador da Secretaria que atua no IAC.
“Os 87 óleos descritos no livro sobrepõem várias vezes os 17 óleos cítricos do livro de Kerterson, JW. e outros autores, publicado pela Universidade da Flórida, em 1971”, explica Maia, editor do livro Essential Oil in Citrus Plants - Óleos Essenciais de Plantas Cítricas. A obra, em português e inglês, em 182 páginas, foi finalizada em 2015, pela editora Setembro.
“Os resultados dessa parceria reúnem o maior número de análises de diferentes óleos essenciais de citros já publicados em um único volume”, diz o editor.
O trabalho envolveu parceria de profissionais do IAC, no Brasil, e da Miritz, na Alemanha, considerada a maior empresa independente de fornecimento de ingredientes cítricos. O IAC, detentor de uma das maiores coleções de citros do mundo, foi responsável por coletar, cruzar e cultivar variedades e espécies de citros. A empresa alemã realizou as análises de óleos, com equipamentos capazes de identificar com precisão as moléculas que caracterizam os diferentes óleos essenciais.
O BAG de citros do IAC fica no Centro de Citricultura “Sylvio Moreira”, em Cordeirópolis, interior paulista. Banco de germoplasma é uma coleção de plantas vivas usadas nas pesquisas com melhoramento genético vegetal, onde é possível identificar as características agronômicas e comerciais desejáveis de plantas.
Segundo o pesquisador e diretor do Centro de Citricultura do IAC, Marcos Antonio Machado, encerrada essa primeira fase de levantamento de óleos essenciais, o Centro ampliou sua colaboração com o setor privado. “Um acordo de cooperação com a empresa Givaudan, líder mundial de aromas, aumentou o potencial de uso dos óleos essenciais de citro”, afirma.
De acordo com Maia, o óleo de citros é usado nas indústrias de química fina de alimentos, bebidas, fármacos e perfumes. “Todos esses segmentos têm, atualmente, neste trabalho do IAC, as descrições detalhadas das moléculas de sua composição, que poderão ser usadas de acordo com as respectivas necessidades”, diz Maia.
Segundo o pesquisador, todas as espécies aromáticas são de interesse para o  desenvolvimento desses óleos. No caso de óleo de laranja, o Brasil é o líder, com cerca de 50% da produção mundial. No setor de óleos essenciais, o País é o terceiro maior exportador. Os óleos de citros representam 90% dessas exportações brasileiras. Os Estados Unidos ocupam a primeira posição, com 40% do mercado, e a França, a segunda. A União Europeia é responsável por 30% do mercado.
 

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