Representante da FAO palestra em Congresso da Pós-graduação do IAC

 Por Carla Gomes (MTb 28156)  e Fernanda Domiciano – Assessoria de Imprensa IAC

O 2º Congresso da Pós-Graduação do Instituto Agronômico (IAC) - CoPIA, realizado em 27 de outubro de 2015, na Sede do IAC, em Campinas, foi aberto com a palestra do representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Alan Bojanic, que falou sobre agricultura e produção de alimentos. O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, participou da abertura do evento, que é organizado por pós-graduandos do IAC e destinado ao público interno.
Bojanic abordou a necessidade de ampliar a produção de alimentos para atender à demanda nas próximas décadas. Com vasta exposição de dados e informações, o agrônomo e economista, que no início da carreira atuou em pesquisas com mandioca, ressaltou a necessidade de adequação não apenas em relação à quantidade, mas também às novas formas de consumo que estão por vir. “Este é um desafio para toda a humanidade, mas, sobretudo, para os pesquisadores”, diz.
No geral, a produção de alimentos deverá crescer em 70% para alimentar uma população que será maior, urbana e com melhor renda. Em 2050, estima-se que existirão 9,3 bilhões de pessoas no mundo, população 34% maior do que o total atual. O fornecimento global de alimentos está concentrado em poucos países e o Brasil é um deles.
A produção de cereais terá que passar de 2,1 bilhões de toneladas, por ano, para 3 bilhões. No caso do Brasil, um grande desafio, segundo Bojanic, é reduzir as importações de trigo. A produção de carnes precisará aumentar em cerca de 200 milhões de toneladas. “Para os próximos dez anos, a demanda por proteína animal impulsionará os mercados mundiais de alimentos”, afirma.
Durante a abertura do evento, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, falou sobre a necessidade de ampliar a produção agrícola. “As regiões tropicais e subtropicais apresentam as condições necessárias para esse aumento de produção”, destaca.
O secretário citou o programa Aplique Bem, desenvolvido pelo IAC, em parceria com a empresa Arysta LifeScience, como uma forma de promover o uso consciente de controle químico e a saudabilidade dos alimentos, conforme recomendação do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin.
Bojanic comentou que o Brasil tem vantagens no cenário de produtos que apresentam demandas crescentes, como carnes e materiais forrageiros. Na agricultura familiar, há previsão de oportunidades em alta para café, frutas tropicais, suínos e aves.
Entretanto, o representante da FAO destaca que um outro desafio está em como fazer para que a agricultura familiar inove mais e participe dos mercados.
O palestrante apontou as condições e recursos que a agropecuária brasileira dispõe para contribuir com essas expectativas. Segundo Bojanic, há no Brasil 56 milhões de hectares degradados para serem recuperados. “Essa área é quase a mesma que o Brasil tem com grãos, atualmente”, compara. Esses espaços representam a oportunidade para aumentar a produção de forma sustentável e o País tem tecnologias suficientes para isso.
Os três pilares da produção citados por Bojanic são o aumento da produtividade e da renda no campo, a adaptação às mudanças climáticas e a redução ou remoção da emissão de gases de efeito estufa.
Conforme expôs, a agricultura contribui para o aquecimento global e, ao mesmo tempo, é vítima deste fenômeno. A atividade responde por 24% das emissões de gases de efeito estufa.
O representante da FAO comentou que quase metade da água usada na agricultura e pecuária é jogada fora, por conta de irrigação mal executada e falta de controle, por exemplo, no processamento de produtos. O desperdício não fica restrito aos recursos hídricos. “Quase 30% da produção global de alimentos são desperdiçados, por ano.”
Bojanic apresentou os 17 objetivos da Agenda Global, adotada por 193 países. Dentre os tópicos, constam: “A vida sobre a terra”, “A vida debaixo d’água”, “Combate às alterações climáticas”, “Energia acessível e limpa”, “Consumo e produção sustentáveis”, “Fome zero”, “Emprego digno e crescimento econômico”. Essas áreas envolvem direta ou indiretamente as atividades da ciência agropecuária. “Tão importante quanto produzir alimentos é transferir conhecimentos para que outros países possam produzir seus alimentos, como a África”, diz.
 
Solos estão na pauta do CoPIA
O representante da FAO, Alan Bojanic, apresentou dados que revelam a relação entre exaurimento dos solos e pobreza social. Segundo o palestrante, 25% dos solos do planeta estão degradados e 40% destes estão em áreas com elevadas taxas de pobreza. Outros 30% ocupam regiões com níveis moderados de pobreza e os restantes 30% encontram-se em áreas com baixo nível de pobreza.
Ainda sobre a conservação, estão moderadamente degradados 8% de todos os solos, 36%, estáveis ou levemente degradados e 10% estão em recuperação. De acordo com Bojanic, cerca de 80% das pessoas mais pobres no mundo vivem em áreas rurais e a maioria depende da agricultura.
O professor Antonio Roque Dechen, da Esalq-USP, e diretor da Fundação Agrisus, falou aos alunos durante o CoPIA sobre o uso sustentável do solo. Ele, que foi pesquisador do IAC de 1975 a 1981, lembrou que a divisão de solos do Instituto Agronômico é a mais antiga do Brasil, mencionou dados que mostram os saltos de produtividade agrícola e afirmou que o País está no seleto grupo que produz uma tonelada de grão, por habitante, desempenho que explica o excedente exportável.
Para ilustrar sobre a necessidade de recuperação deste recurso básico para a produção de alimento e sustentação da vida, Dechen relatou que, entre 1876 e 1883, foram plantados 105 milhões de pés de café na região de Campinas. O primeiro diretor do IAC, Franz Wilhelm Dafert, dizia que a terra exaurida tinha que ser recuperada para, então, continuar produzindo. Segundo Dechen, este posicionamento de Dafert resultou no isolamento do diretor, pois naquele momento esta ideia de recuperação não era aceita. Havia muitas áreas disponíveis e o comportamento usual era mudar de local tão logo o solo se mostrasse improdutivo. Daí novas plantas eram instaladas em outros locais. “A nação que destrói seus solos, destrói a si mesma”. Esta frase, de Franklin Delano Roosevelt, foi mencionada por Dechen ao ressaltar a relevância do solo.
O CoPIA contou também com palestras dos pesquisadores do IAC, Heitor Cantarella, sobre a interface entre agricultura e ambiente, e Hamilton Humberto Ramos, que apresentou os diferenciais do Programa Aplique Bem. A pesquisadora e assessora da diretoria-geral do Instituto, Lilian Cristina Anefalos, palestrou sobre inovação tecnológica. O tema empreendedorismo foi exposto por João de Oliveira Júnior, do NIT Mantiqueira.
Durante a abertura do evento, o diretor-geral do IAC, Sérgio Augusto Morais Carbonell, falou sobre importância da Pós-Graduação em Agricultura Tropical e Subtropical do IAC para formação de recursos humanos e também para os projetos de pesquisa realizados pelo Instituto Agronômico. Carbonell lembrou que o IAC conta com 152 pesquisadores científicos e 300 servidores de apoio. Entre funcionários terceirizados e estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado, somam-se mais 500 pessoas à equipe de trabalho do Instituto. “Os projetos dos alunos da PG IAC estão alinhados com as pesquisas do IAC, baseadas nos pilares de competitividade, essencialidade, responsabilidade e credibilidade”, afirmou.
Orlando Melo de Castro, coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), falou sobre a importância do curso de pós-graduação para os Institutos de pesquisa ligados à Agência. “A Pós-Graduação traz oxigenação para os Institutos; os alunos mexem com a Casa, questionam a pesquisa e ajudam a refinar o trabalho realizado”, afirmou.
 
Premiação no CoPIA
No Congresso, foram premiados os seis melhores pôsteres apresentados, sendo três por mestrandos e três por doutorandos. Na área de Tecnologia e Produção Agrícola, Natalia Sgobi, orientada no mestrado por André Luiz Lorenzon, foi agraciada pelo trabalho “Atratividade de Adultos e Preferência para Oviposição de Bemisia tabasi (Genn.) Biótipo B em Genótipos de Pepino”. Lilian Pereira, doutoranda orientada também por Lorenzon, apresentou o trabalho “Influência da Infecção por Tomate Chlorosis Virus (ToCV) em Plantas de Batata no Comportamento do Inseto Vetor Bemisia Tabaci biotipo B”.
Na área de Genética, Melhoramento Vegetal e Biotecnologia, Thaís Advincula, orientada no mestrado por Cecília Pinto-Maglio, apresentou o trabalho “Caracterização Citogenética da Macaúba (Acrocomia Aculeata (Jacq.) Lood. Ex Mart.)”. A aluna do doutorado, Sara Ravaris, foi agraciada pelo trabalho “Controle Genético de Caracteres Agronômicos e Rendimentos de Canjica e Identificação de Genitores e Híbridos Superiores de Milho Branco”, desenvolvido sob orientação de Maria Elisa Paterniani.
Na área de Gestão de Recursos Agroambientais, Lauren Menandro, orientada no Mestrado por Heitor Cantarella, apresentou o trabalho “Heterogeneidade da Palha da Cana-de-açúcar: Influência na Decomposição”. Cristina Souza, aluna do Doutorado e orientada por Cristiano Andrade, foi agraciada com a pesquisa “Mineralização de Fósforo, Enxofre e Micronutrientes de Fertilizantes Orgânicos e Sua Disponibilidade para Plantas”.
 

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