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Centro de Seringueira e Sistemas Agroflorestais


Instalação do Seringal

Dada a característica de a seringueira ser uma planta perene, com longa vida útil, cuidados especiais devem ser tomados na fase de implantação, como a escolha da área adequada na propriedade, relação dos clones, densidade de plantio e estande final. Caso contrário, o rendimento poderá ser comprometido, bem como a viabilidade econômica.


1. Localização da área

A área para implantação de seringais deve apresentar topografia plana ou ligeiramente ondulada, com até 5% de inclinação. Em declives maiores as linhas de plantio devem ser dispostas em nível.


O solo deverá apresentar de preferência textura média, ter boa drenagem, ser de fácil acesso, ter boa disponibilidade de água, evitando-se locais de baixada a fim de prever danos causados por geadas. Neste particular, deve-se evitar o plantio em regiões que apresentem altitudes acima de 1.000m, onde ocorre maior resfriamento noturno.


O plantio da seringueira nos espigões e meia encostas ou mesmo plantio feito próximo a grandes superfícies livres de água (lagos ou rios largos) são essenciais para proteger a cultura dos efeitos da geada.


Devem ser considerados também aos aspectos relacionados aos riscos de incêndio, evitando o plantio de seringais próximos a pastagens, canaviais, capoeiras, etc.


Deve ser dada atenção especial a áreas cuja vegetação seja de Brachiaria sp., pelo seu efeito competitivo, de conseqüências drásticas na redução da taxa de crescimento da seringueira.


2. Alinhamento

O alinhamento tem por objetivo a distribuição ordenada, no terreno, das plantas de uma cultura qualquer. Deve permitir igual insolação à todas as plantas e melhor aproveitamento do terreno destinado à cultura. Feito com o auxílio de balizas, consiste na demarcação de uma linha mestra disposta vertical ou horizontalmente a determinada referência, como, por exemplo, uma estrada ou mesmo uma via de acesso secundária. Paralelas a essa linha mestra, e no espaçamento adotado para a cultura, traçam-se as demais linhas necessárias à complementação do número de plantas que se tem por objetivo estabelecer. Sobre todas as linhas assim demarcadas e com o auxílio de pequenas estacas, marcam-se os pontos em que serão abertas as covas destinadas às mudas.


Pode ser disposto de várias formas (triangular, quadrangular, retangular, em quincôncio, em linhas múltiplas, em renque) na qual as plantas devem ser dispostas na área a determinada densidade. Normalmente, em seringais preferem-se os espaçamentos retangulares distribuídos em 7m x 3m, 8m x 2,5m ou 8m x 3m, dentre outros.


Em plantios em renque ou em linhas múltiplas, são formados conjuntos de linhas de plantio próximas entre si (espaçamento 4 x 3m.) intercaladas por espaços maiores (12m por exemplo) onde as árvores são dispostas de modo divergente das linhas. São exemplos de tipos de disposição de plantio usados quando se deseja intercalar a seringueira com outras culturas perenes. O plantio em linhas múltiplas associa a vantagem de plantio adensado (alta produção por área) com a vantagem de plantio mais espaçado, resultando em bom crescimento e boa regeneração da casca. Esse sistema apresenta também a vantagem de diminuir a susceptibilidade aos danos causados pelo vento.


Os espaçamentos de 7, 8 e 10 metros entre linhas ou outros, são sempre dispostos no sentido dos ventos dominantes, devendo a área total de plantio ser dividida em blocos de até 25 hectares, sendo cada bloco um sub-múltiplo inteiro da área total de plantio.


Os coeficientes técnicos para implantação de 1 hectare de seringal de cultivo relativo ao 6º ano (período de imaturidade) e do 7º ao 11º ano (período adulto) encontram-se discriminadas na Tabela 6.


3. Abertura das covas

Para a abertura das covas, deve ser feito primeiramente o sulcamento das linhas de plantio e em seguida a demarcação das mesmas. Toda a terra retirada das partes mais profundas da cova deverá ser posta de lado e não utilizada para reenchimento. A porção de terra retirada da cova, incorporar a seguinte adubação:


• 20 litros de esterco de curral bem curtido, quando disponível;

• 30 g de P205, 30 g de K20 e, em solos deficientes, com teores de Zn inferiores a 0,6 mg/dm3, 5g de Zn.

• A mistura desses adubos com a terra que vai ser usada no reenchimento da cova deveria ser o mais uniforme possível e feito, igualmente com alguma antecedência do plantio.


As covas podem ser abertas manualmente nas áreas mais declivosas, ou mecanicamente, com o uso de perfuratriz (broca) em terrenos mais planos, nas dimensões de 40cm de largura por 50cm de profundidade. Caso a abertura das covas seja feita com brocas acopladas ao trator, evitar o espelhamento da parede da cova adaptando-se garras nas bordas da broca.


4. Plantio

O plantio deve ser feito de preferência no início do período chuvoso, devendo-se considerar o tipo de muda. O período e o índice pluvial exercem papel importante no desenvolvimento da seringueira, mais pela distribuição do que pela quantidade de chuvas. Longos períodos de estiagem comprometem o desenvolvimento das plantas, principalmente das mais jovens, já que o seu sistema radicular, ainda não completamente formado, é incapaz de retirar água das camadas mais profundas do solo.


4.1. Muda de raiz nua

O principal cuidado é evitar a formação de bolsões de ar na ponta da raiz pivotante ou ao longo desta, o que causaria a sua morte. Desse modo, a ponta da raiz deve estar bem apoiada no fundo da cova ou em um pequeno furo aberto com espeque no centro da cova. O enxerto deve ser voltado para o leste e, ao se reencher a cova, a terra deve ser socada em seu terço inferior, completando-se o reenchimento sem socar.


4.2. Muda de torrão em saco plástico

Dois meses antes de efetuar o plantio os porta-enxertos são recepados. Após seleção das melhores mudas são transplantadas para o campo com até dois lançamentos foliares, de modo que o último lançamento encontre-se maduro.


Para evitar o destorroamento e abalo da muda deve-se, primeiramente, retirar com um canivete o fundo do saco para depois colocá-la dentro da cova. Uma vez colocada e firmada a muda na cova, abre-se o saco lateralmente com o canivete e termina-se a sua retirada com cuidado. A seguir, procede-se ao reenchimento da cova comprimindo-se com as mãos ou pés a terra ao redor da muda desde o fundo da cova até a superfície, para evitar a formação de bolsas de ar que podem comprometer o pegamento.


Dependendo das condições do tempo, deve ser feita uma rega logo após o plantio.


5. Culturas associadas ao cultivo da seringueira

A seringueira se comporta muito bem com culturas intercaladas. Apresenta um período juvenil que vai até seis ou sete anos. Atingindo a maturidade requer uma área útil de 21 a 25 m2/planta, em arranjos diversos, para que possa vegetar e produzir economicamente. Sob tais condições pode ser feita a intercalação de culturas, com bons resultados, guardando-se sempre distância mínima de 1,5 a 2,0 m das linhas de seringueira. Dependendo da cultura consorciada, o espaçamento tradicional de 7,0 m entre linha e 3,0 m entre planta pode ser mudado para linhas duplas divergentes de 4,0 m x 3,0 m x 10 m.


5.1. Cultivos associados perenes

A consorciação com culturas perenes tem sido feita com cacau, guaraná, pimenta-do-reino e café, com bons resultados na Amazônia, Litoral Paulista, Planalto Paulista e em Sarawak na Malásia.


Em Java, vários sistemas de consórcio entre cafeeiro e seringueira foram utilizados, mostrando-se mais rentável o "sistema avenida", no qual a seringueira é disposta em fileiras e o cafeeiro ocupa as amplas faixas. Segundo Pereira (1992) nesse sistema a seringueira produz 30 a 50% a mais do que nas modalidades de plantio convencionais.


A consorciação com cacau, praticado há muito tempo na Indonésia não é aconselhável no Brasil. A associação seringueira - cacau favorece o ataque de Phytophtora palmivora, o que torna conveniente estudar o controle desta doença nos dois cultivos.


5.2. Cultivos associados anuais

Este sistema pode ser utilizado nos primeiros anos, deixando um metro livre de cada lado do sulco de plantio da seringueira. O importante é obter os melhores rendimentos dos cultivos consorciados sem prejudicar a futura produção da borracha.


Como exemplo de culturas semi-anuais pode-se citar a soja, milho, algodão, arroz de sequeiro, tomate, pimentão, mamão, entre outros.




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