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Centro de Seringueira e Sistemas Agroflorestais


Sementes

Sementes de Seringueira.

As sementes da seringueira são geralmente grandes, normalmente pesando de 3,5 a 6,0 g. de forma oval com a superfície neutral ligeiramente achatada. O tegumento é duro e brilhante de cor marrom com numerosas matizes sobre a superfície dorsal. É possível identificar a árvore ou clone mãe que deu origem pelas matizes do dorso e pelo seu formato visto que o tegumento é tecido maternal e o formato deste é determinada pela pressão externa da cápsula durante seu desenvolvimento.



1. Escolha das sementes

As melhores sementes para a obtenção de porta enxertos são as obtidas de talhões de pés francos ou blocos com mistura de clones. Blocos monoclonais revelam redução drástica de seu vigor, em virtude da auto-polinização. Na prática, tem-se observado que sementes coletadas em blocos do clone RRIM 600 possuem baixo vigor e altas taxas de albinismo em função da endogamia, resultando em desuniformidade e perdas exageradas de porta-enxertos no viveiro. Considerando ser o clone GT 1 auto-estéril, sugere-se seu uso, ou sementes de blocos monoclonais coletadas nas periferias dos talhões, onde a possibilidade de ocorrência de sementes cruzadas com outro clone é maior.


2. Colheita

Como a maioria das sementes oleaginosas, também as de seringueira têm poder germinativo bastante limitado. De maneira geral, germinam dentro de quinze a vinte dias. Associando-se a esse fator, o fato de que a taxa de germinação nem sempre vai além de 80%, é claro que toda semente caída deve, tão logo quanto possível, ser posta à germinar. A época de queda de sementes é mais intensa nos meses de janeiro e fevereiro, nos seringais paulistas, porém apresenta pequenas variações de uma região para outra no Brasil. O período compreendido entre o início e o fim da queda das sementes é de 1 a 2 meses e existe sempre uma alternância de alta e baixa produção de um ano para outro.


Cerca de cinco meses após o florescimento, nos frutos amadurecidos ocorre a deiscência explosiva, espalhando as sementes no solo. Antes que a queda se inicie, o solo deve estar limpo de ervas daninhas, de forma que as sementes não fiquem escondidas e qualquer semente velha possa ser coletada juntamente com as novas.


A coleta diária ou em dias alternados é a melhor forma, considerando que a viabilidade das sementes declina drasticamente após dois dias de exposição ao sol, passando de 9,7% para 9% germinação. Sementes à sombra perdem o poder de germinação mais lentamente do que as expostas ao sol.


Período exposto (dias) 0 1 2 3 4 5


Germinação (%) 97 95 68 9 1 0


Sugere-se que, na medida do possível, tão logo colhidas as sementes sejam semeadas. Descoloração do endosperma indica sua baixa qualidade, e a viabilidade pode ser prolongada através de adoção dos diferentes métodos de conservação, considerando-se a perda de umidade e temperatura.


3. Conservação

Sementes recém-colhidas podem ser mantidas à sombra com pouca perda de viabilidade por sete dias. Segundo Annual Report... (1967), a viabilidade da semente pode ser mantida por dois meses através da sua mistura a um volume igual de serragem envelhecida com 10% de umidade em sacos de polietileno perfurado.


Na Indonésia, Pa & Koen (1963) observaram que as sementes armazenadas em sacos de polietileno com pequenos orifícios, mesmo à temperatura ambiente (27ºC) apresentaram aos 98 dias de armazenamento, quase 100% de germinação. Cícero (1988) em São Paulo, recomenda armazenamento semelhante: em sacos plásticos com orifícios na parte superior, mantidos em local sombreado e ventilado. Houve germinação satisfatória das sementes até 180 dias de armazenamento.


No Amazonas, Pereira (1980), utilizou sacos de polietileno com capacidade de 2,5 kg cheios à temperatura ambiente (27ºC) e observou que as sementes mantiveram alta germinação até 135 dias de armazenamento, com 64% de germinação.


Um teste prático para verificação da viabilidade das sementes consiste em coletar 100 sementes ao acaso e mediante uma faca ou canivete bem afiado, fazer um corte no meio da sementes, para analisar a coloração do endosperma. Endosperma branco e leitoso significa sementes viáveis, e endosperma amarelado, ressecado ou com outros danos representa sementes inviáveis (morte do embrião). Separando-se as sementes viáveis, obtém-se a porcentagem, dando uma idéia de quantas sementes irão germinar.




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