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Centro de Seringueira e Sistemas Agroflorestais


Clones

Um clone se constitui de um grupo de plantas obtidas através da propagação vegetativa de uma planta matriz. Todas as árvores de um clone possuem a mesma constituição genética, responsável pela uniformidade existente entre elas. Através do programa de melhoramento genético da seringueira, em andamento pelo Instituto Agronômico, até agora foram obtidos centenas de clones que, em conjunto com clones asiáticos e de grande potencial de produção, encontram-se em fase de avaliação, com vistas à recomendação tanto para o Litoral como para o Planalto Paulista.


O fator que normalmente influencia a produtividade de um seringal é o material a ser plantado. É importante a escolha de clones que propiciem alta produção durante os primeiros anos de sangria, bem como seu ciclo econômico; que respondam bem à estimulação, à baixa intensidade de sangria e que apresentem crescimento satisfatório antes e depois da entrada da fase de produção. Com base nesses caracteres clonais, o heveicultor poderá assegurar alta produção, aliada a alta taxa de retorno sobre o investimento aplicado e em curto espaço de tempo.

As restrições impostas a tais caracteres são as relacionadas aos defeitos inerentes ao clone e a sua interação com os fatores ambientais. Clones com propensão extrema à quebra pelo vento ou suscetibilidade ao mal-das-folhas e à antracnose podem restringir severamente seu uso em certas regiões do planalto e do litoral paulista.


O desempenho na produção de um clone pode ser seriamente afetado pela ocorrência de restrições do local em áreas indicadas ao cultivo de seringueira. Os fatores ambientais de uma região que influenciam a escolha de um clone são: velocidade do vento, umidade atmosférica, tipo de solo, freqüência de geadas, disponibilidade hídrica e intensidade e duração da estação seca.


Clones não adaptados às condições do local resultam em redução do potencial de produção. Clones suscetíveis à quebra não podem ser plantados em locais com ventos fortes e constantes, sem qualquer proteção. Clones suscetíveis ao mal-das-folhas não devem ser plantadas em clima superúmido. O clone RRIM 600, altamente produtivo, mas susceptível à quebra, produzirá mais em locais pouco afetados pelo vento.


O tipo de solo é importante para a produtividade, uma vez que o potencial de um clone pode ser limitado quando em condições pedológicas desfavoráveis.


Ao contrário das recomendações de clones para amplas regiões que se faziam no passado, que deparavam com problemas de interação genótipo-ambiental, atualmente as recomendações são restritas aos respectivos ambientes. A maximização do potencial de produção, sendo o somatório, de partículas da interação genético-ambiental do local, possibilita uma escolha mais adequada de um clone para plantio comercial.


Importância

Os clones, como material para o estabelecimento de um seringal, apresentam várias vantagens, a mais importante delas é a uniformidade exibida pelos seus indivíduos.


Todas as árvores de um mesmo clone, sob as mesmas condições ambientais, apresentam baixa variabilidade em relação a diferentes caracteres como: vigor, espessura de casca, produção, propriedades do látex, senescência anual de folhas, nutrição e tolerância à pragas e doenças. De certa forma, isso possibilita ao heveicultor adotar um manejo fácil e econômico. Com crescimento uniforme, o número de árvores de um seringal que necessita ser descartado é sempre menor. Outro ponto importante a considerar no clone é a uniformidade das propriedades do látex. Para propósitos industriais específicos, ele é mais bem apreciado, considerando essa uniformidade essencial. Através de clones possuidores de caracteres específicos diferenciados, é possível a seleção de material para as mais diversas situações exigidas.


Classificação

Com base nos parentais utilizados nos cruzamentos para obtenção de ortete (árvore matriz), os clones costumam ser classificados em primários, secundários e terciários.


Clone oriundos de parentais desconhecidos são chamados clones primários. Em geral, essas árvores matrizes possuem caracteres desejáveis, sendo portanto, multiplicadas vegetativamente para dar origem ao clone.


Em clones secundários, as árvores matrizes são obtidas através de cruzamentos controlados entre dois clones primários. As árvores matrizes são então multiplicadas vegetativamente, do mesmo modo que os clones primários. Clones terciários são obtidos de cruzamentos onde pelo menos um dos paternais é secundário.


Clone de importância comercial

1. Clone RRIM 600

Clone secundário desenvolvido pelo Rubber Research Institute of Malaysia – RRIM, cujos parentais são os clones primários Tjir 1 e PB 86. Suas árvores são altas, com caule vertical e de rápido crescimento quando jovem. Os ramos aparecem tardiamente e formam grossas bifurcações que acarretam grande peso para a base das plantas e, em caso de problemas de vento, haverá quebra, podendo provocar o aparecimento de clareiras no seringal.

No Estado de São Paulo esse clone é considerado suscetível ao vento. A copa é estreita e a folhagem esparsa, apresentando folhas pequenas verde-claras. O vigor, se comparando antes e após a entrada em sangria é considerado médio. A casca por ser fina, torna-o um pouco delicado à prática de sangria; em compensação, a renovação é boa. A alta produção é seu ponto de destaque.

Em plantios comerciais da Malásia, sua média de produção nos primeiros cinco anos de sangria foi de 1.540 kg ha-1ano-1 no sistema 1/2S d/2 e, na Costa do Marfim, de 1.732 kg ha-1ano-1 no sistema 1/2S d/3 6d/7 com quatro estimulações por ano à base de ethephon, enquanto, na Índia, a produção foi de 1.185 kg ha-1ano-1, também no sistema 1/2S d/2. O clone exibe uma tendência de produção crescente. Em geral, a produção inicial é média, mas as subsequentes são muito altas. A produção durante o estágio de senescência também é alta. No Oeste do Estado de São Paulo foi observado que o sistema 1/2S d/3 ET 2,5% 8/y foi superior em 47% em relação ao sistema 1/2S d/2.

O látex é branco e impróprio para concentração, devido à baixa estabilidade. Este clone demonstra tolerância à seca do painel, salvo quando é submetido à sangria intensiva. É altamente suscetível ao cancro do tronco (Phytophthora spp.) na Costa do Marfim e considerado pouco tolerante ao frio na China. É o clone mais plantado na região do Planalto do Estado de São Paulo, por apresentar bom desempenho no que tange a produção e vigor.


2. Clone GT 1

Clone primário desenvolvido no seringal Gondang Tapen, em Java, Indonésia. A árvore, de caule bem vertical, pode apresentar irregularidades, tais como estrias ou torsões na região do enxerto. Isto é incompatibilidade.

A abertura da copa é bastante tardia e de hábito variável, pois algumas árvores não apresentam galhos líderes, enquanto outras possuem vários. As árvores jovens são altas e tendem a entortar quando a formação dos galhos é tardia. As folhas, durante o período de imaturidade, são grandes, verde-escuras e brilhantes, e menores quando a árvore atinge a fase adulta.

A casca virgem é média, bastante tenra, e se renova imediatamente, não apresentando problemas à sangria. O vigor, expresso pelo crescimento da circunferência do caule até a abertura do painel de sangria, na Costa do Marfim, é razoável, tornando-se lento após a sangria normal, mas, em compensação, é um clone muito homogêneo. No município de Guararapes, São Paulo, é o clone com maior perímetro de abertura do painel de sangria. É considerado de excelente produção, tanto que na Malásia sua média de produção nos primeiros dez anos foi de 1723 kg ha-1ano-1, na Costa do Marfim nos primeiros cinco anos de 1.728 kg ha-1ano-1 e no Estado de São Paulo foi 1810 kg ha-1ano-1, todos no sistema 1/2S d/2 6d/7.

A produção tem um pequeno declínio durante a senescência. Apresenta caracteres secundários desejáveis, pois a resistência à quebra pelo vento é de média para boa e a ocorrência de seca do painel, é pouco notada, salvo quando submetido à sangria intensiva. Esse clone demonstra uma tendência de aumentar a produção de látex com o passar do tempo. O látex é branco e adequado para todos os processos de produtos manufaturados.

Na China, revelou-se tolerante às geadas de radiação e de vento. Por ser precoce e pela sua rusticidade e qualidades agronômicas, deve ser recomendado para pequenos heveicultores do planalto paulista.


3. Clone PB 235

Clone secundário resultante do cruzamento dos clones primários PB 5/51 x PBS/72 em Prang Besar, originário da Malásia. A árvore possui caule muito reto, regular, e boa compatibilidade com relação ao enxerto e porta-enxerto. No Estado de São Paulo observa-se que as árvores apresentam melhor desempenho produtivo quando é utilizado o porta-enxerto deste clone induzindo uma produção média dos clones nele enxertados de 53,25 g árvore-1sangria-1.

Quando jovem, possui, na base, muitos galhos pequenos, dispostos horizontalmente. As árvores adultas revelam uma formação de galhos bastante homogênea, mas entre os seis e os dez anos, ocorre um desbaste natural, proporcionando o aparecimento de novos ramos mestres situados muito altos e com ângulo bem definido. As folhas são de coloração verde bem acentuada.

Na Costa do Marfim, apresenta senescência parcial, pois não ocorre praticamente o desfolhamento total e a queda das folhas é muito lenta dentro da própria estação. A casca virgem é lisa, espessa, tenra, sem problemas na sangria, pois, em condições experimentais no município de Tabapuã, a sangria teve início aos cinco anos e meio e comercialmente aos seis.

Em Marília, também no planalto paulista, tem demonstrado estrutura e permeabilidade de copa tolerante ao vento. Na Costa do Marfim, é considerado muito vigoroso, pois o início da sangria se dá aos cinco anos e meio, e altamente produtivo: a média de produção nos cinco primeiros anos de sangria foi de 2.093 kg ha-1ano-1 no sistema 1/2S d/2 6d7 enquanto na Malásia, no mesmo sistema, foi de 2.273 kg ha-1ano-1 e no Estado de São Paulo foi de kg ha-1ano-1 (média de 4 anos). Foi observado que este clone não responde à estimulação e no Oeste do Estado de São Paulo e recomenda-se a freqüência de sangria d/7 pela ausência de seca do painel observada.

O PB 235 caracteriza-se principalmente por entrar em produção muito rápido, favorecido por sua grande homogeneidade. Os caracteres secundários, de modo geral, são bons, executando-se a seca do painel, problema que se tornou de grande importância na Costa do Marfim.

Em função do número de árvores comumente afetadas por esse problema, nos sistemas normais de sangria, assim como alguma susceptibilidade a oídio, o plantio deve ser aconselhado com a devida reserva.


4. Clone PR 107

Clone primário, desenvolvido na Indonésia, originalmente lançado como LCB 510, tornou-se conhecido como PR 107. A árvore é alta, firme, com caule ereto; os galhos primários, pesados e, os secundários, leves, caem naturalmente, deixando lesões no caule. A copa é estreita, bem balanceada e densa. As folhas são escuras, alongadas, de margens onduladas. A casca virgem é espessa, revelando boa regeneração após a sangria. O vigor, até a época da abertura do painel, é considerado fraco, sendo raramente sangrado antes dos seis anos e meio de idade na Costa do Marfim. O crescimento após a sangria também é lento. Em plantios comerciais da Malásia, sua média de produção nos primeiros sete anos de sangria foi de 1.168 kg ha-1ano-1 no sistema ½S d/2, enquanto, na Costa do Marfim, produziu 1.244 kg ha-1ano-1 no sistema ½S d/3 6d/7, com quatro estimulações por ano. A produção do clone adulto é média, tornando-se elevada em seringais velhos, o que popularizou entre os produtores da Costa do Marfim. No tocante à quebra pelo vento, está entre o mais tolerantes, pois, em vinte anos de observações no Centro Experimental de Campinas, não se constataram árvores quebradas. Apresenta certa tolerância à seca do painel, porém é altamente suscetível à Phytophthora spp.


5. Clone PB 252

Clone secundário resultante do cruzamento dos clones primários PB 86 x PB 32/36 em Prang Besar, na Malásia. As árvores do clone possuem copa com um bom esgalhamento e são resistentes com resistência ao vento. Possui boa taxa de crescimento durante o período de imaturidade. A casca virgem renovada geralmente é fina. Na Malásia, resultados de produção de sangria do primeiro painel mostrou superioridade em relação ao RRIM 600. Em experimentos de Avaliação de Presidente Prudente, a média de produção de cinco anos apresentou os melhores valores de produção entre os dez clones em estudo, com produtividade de 2.792 kg ha-1ano-1, 1.442 kg ha-1ano-1 e 1.105 kg ha-1ano-1, respectivamente nos sistemas ½S d/2, ½S d/4 + ET 5% e ½S d/7. ET 5%, todos superiores ao RRIM 600. Ainda, responde bem à estimulação com Ethefon sendo que a incidência de seca do painel foi abaixo da média observada na referida região.


6. Clone PB 330

Clone secundário selecionado em 1963 do cruzamento dos clones primários PB 5/51 x PB 32/36 em Prang Besar. Apresenta um sistema de esgalhamento atrativo. A capa é cônica com folhagem moderadamente densa.

Um dos clones mais vigorosos. Moderadamente tolerante ao oídio e antracnose: Nos experimentos conduzidos no Instituto Agronômico foi observada quebra pelo vento. A casca, virgem ou regenerada, apresenta espessura satisfatória. A incidência de seca de painel é baixa.

Em ensaios conduzidos na Malásia a média de produção de três anos extrapolou a produção do clone RRIM 600, entretanto é um clone que aumenta a produção ao longo dos anos.

No experimento conduzido em Guararapes, São Paulo a maior rentabilidade é observada no sistema de sangria 1/2S d/3 ET 2,5% 8/y, onde também é observado baixa incidência de seca do painel e apresenta uma produtividade média nos cinco primeiros anos de sangria de 1.528 kg ha-1ano-1.


7. Clone PR 255

Clone de alta produção possuidor de bons caracteres secundários. Os parentais são o Tjir 1 x PR 107. O vigor no período de imaturidade é bom e o incremento médio do caule na fase adulta é boa. Experimentos realizados pelo Instituto Agronômico (IAC) mostraram que ao final de cinco anos de sangria o clone PR 255, foi aquele que apresentou o maior incremento do perímetro do caule, característica importante porque as árvores continuaram a crescer após a sangria, o que diminuiu a probabilidade de quebra por ventos. Possui caule alto e reto. A copa é densa e balanceada. A produção obtida de ensaios experimentais na Malásia, por 15 anos de sangria foi em torno de 2.020 kg ha-1 ano-1. No estado de São Paulo, a média de produção em cinco anos de sangria foi 1.806 kg ha-1 ano-1 e a análise econômica dos diferentes sistemas de sangria com base na média de produção de borracha nos cinco anos mostrou que o sistema ½S d/3. ET 2,5% 8y, foi superior em 43% em relação à testemunha ½S d/2. A incidência de queda de folha causada por antracnose, bem como a ocorrência de seca do painel é moderada.


8. Clone PR 261

Os parentais do clone PR 261 são Tjir 1 e PR 107. O mesmo possui vigor e espessura de casca, médios. Ele possui copa balanceada com densa folhagem. Produção média dos experimentos na Malásia por 15 anos foi 1.838 kg ha-1 ano-1. No Estado de São Paulo a média de produção de cinco anos de sangria foi 46,87 g árvore-1sangria-1. O clone mostra boa resposta a estimulação. A quebra pelo vento é baixa. A ocorrência de seca de painel é baixa.


9. Clone IAN 873

Desenvolvido pelo antigo Instituto Agronômico do Norte, é um clone secundário, cujos parentais são os clones primários PB 86 e FB 1717. Suas árvores são altas e vigorosas, com caule vertical e de rápido crescimento quando jovem, e a produção é satisfatória nos dois primeiros anos de sangria. Recomenda-se a utilização de suas sementes para a formação de porta-enxertos na região Sudeste do Brasil.

A alta produção a partir do terceiro ano é seu ponto de destaque. Em plantios comerciais da Malásia, a produção nos primeiros cinco anos de sangria foi de 1.505 kg ha-1ano-1 de borracha seca e, no Brasil, de 1.441 kg ha-1ano-1, ambos no sistema 1/2S d/2. O clone exibe tendência de produção crescente.

Por via de regra, a produção inicial é média, porém as produções subsequentes, altas. A casca é de espessura regular e boa regeneração. Apresenta baixo índice de seca do painel e incidência à quebra pelo vento.

Em regiões com déficit hídrico, demonstrou considerável sensibilidade, com queda de produção de 20 a 30% num verânico de quarenta dias.


10. Clone Fx 2261

Clone secundário desenvolvido pela Companhia Ford, resultante do cruzamento dos clones F 1619 e AVROS 183. A árvore possui caule reto com vigor acima da média no litoral paulista. A espessura da casca, tanto virgem como regenerada, está acima da média. É produtivo nos primeiros dois anos de produção, mantendo esse comportamento ao longo do ciclo econômico na Bahia, inclusive durante a senescência. Os índices de seca do painel e tolerância ao mal-das-folhas foram considerados bons, com valores acima da média na Bahia e Espírito Santo. O clone revelou suscetibilidade ao cancro do painel (Phytophthora spp.) no Acre e na Bahia.


11. Clone Fx 3844

Clone desenvolvido pela Companhia Ford, resultante do cruzamento dos clones primários AVROS 83 x PB 45. O caule da árvore é reto e com moderado vigor nas condições ecológicas do Sul da Bahia. Tanto a espessura quanto a regeneração da casca está em torno da média. Apresenta baixa produção nos primeiros dois anos de sangra e ótima produção ao final de nove anos. No Vale do Ribeira, São Paulo, mostrou-se tolerante ao mal-das-folhas.


12. Clone Fx 3864

Clone secundário desenvolvido pela Companhia Ford, resultante do cruzamento dos clones primários PB 86 x FB 38. De caule reto, mostra-se vigoroso antes e depois do início da exploração, no Sul da Bahia. A espessura da casca virgem é moderada, com regeneração acima da média.

A produção, nos primeiros dois anos, é moderada, tornando-se elevada ao final de nove anos, embora com mediana redução na senescência. Seus principais caracteres secundários são baixo índice de quebra pelo vento e seca do painel, além de boa tolerância ao mal-das-folhas no Sul da Bahia.

No Planalto do Estado de São Paulo na região de São José do Rio Preto vem apresentando comportamento com produções médias de 4 anos de 1.400 kg ha-1ano-1 de borracha seca, no sistema 1/2S d/4 estimulado com 2,5% de ethefon, enquanto que na região de Presidente Prudente foi de 1.710 kg ha-1ano-1 no sistema 1/2S d/2 6d/7.


13. Clone IAC 35

Clone terciário desenvolvido pelo Instituto Agronômico (IAC) resultante do cruzamento do clones secundários Fx 25 e RRIM 600. Apresenta caule reto vigoroso, casca espessa e tenra sem problemas de sangria. Apresenta inconveniente de abertura de copa tardia havendo necessidade de indução da copa.

As ramificações secundárias apresentam ângulo fechado com formato de copa cônica, favorecendo maior densidade de árvores por hectare e resistência ao vento. Em experimentos de Avaliação em Grande Escala a produção nos primeiros anos é satisfatória.

A média de produção dos quatro primeiros anos em Jaú apresentou produção de 1.441 kg ha-1ano-1 e 2.000 kg ha-1ano-1 em Ubatuba, ambos no sistema 1/2 S d2 6d/7. Apresenta tolerância ao mal-das-folhas no litoral.


14. Clone IAC 40

Clone de alta produção resultante do cruzamento entre o RRIM 608 com o AVROS 1279. Apresenta um excelente vigor no período de imaturidade. O clone possui caule reto retangular e boa compatibilidade com relação ao enxerto x porta-enxerto. A copa é ampla e a folhagem esparsa apresentando folhas de tamanhos médios e de coloração verde escura. A casca é lisa e espessa tenra sem problemas de sangria. A média de produção do clone, nos seis primeiros anos de avaliação, foi de 2.316 kg ha-1ano-1 de borracha seca, 55% a mais em relação ao clone RRIM 600. Apresenta taxa de crescimento do tronco acima da média em 13 anos de avaliação, com um incremento médio anual de 6,90 cm. Este clone ainda mostra alta resistência a Antracnose do painel.


15. Clone IAC 300

Clone resultante do cruzamento entre os clones orientais RRIM 605 AVROS 363. O clone possui caule muito reto e regular. Os ramos aparecem tardiamente e formam grossas bifurcações que acarretam grande peso na base das plantas. A copa é estreita e a folhagem esparsa, apresentando folhas pequenas e de coloração verdes claras. A casca virgem é lisa, espessa e tenra sem causar problemas à sangria. Apresenta certa tolerância ao Microcyclus ulei e possui fenologia regular no Vale do Ribeira. Apresenta baixa tolerância à Antracnose foliar causado pelo Coletotrichum gloeosporioides. A produção média de borracha seca, em Votuporanga no Planalto, foi superior em 27% (1.945 kg ha-1ano-1) quando comparada ao RRIM 600, que, no mesmo período produziu 1.539 kg ha-1ano-1. Já no Vale do Ribeira em Pariquera-Açu, a produção foi de 1.068 kg ha-1ano-1, 15% a menos quando comparado ao IAN 873, que produziu 1.252 kg ha-1ano-1 de borracha seca. Pela alta produção e pelas qualidades agronômicas, tais como tolerância ao vento, o clone pode ser recomendado para plantio em pequena escala nas regiões do Planalto e Litoral do Estado. O látex possui coloração amarela clara, com DRC médio igual ao da testemunha (RRIM 600) e pouco menor que o DRC médio geral. Há uma pequena tendência à pré-coagulação. A borracha possui coloração amarelada pouco mais intensa que a testemunha. Está de acordo com as normas da ABNT NBR11597 para todos os ensaios padrões. A % de N média é a maior de todos os clones IAC avaliados, sendo superior à média geral e de mesmo valor à média da testemunha. A % de cinzas média é a maior de todos os clones IAC avaliados, sendo pouco maior que a média geral e que a média da testemunha. A % de extrato acetônico média é inferior à média geral. A Plasticidade Wallace (P0) média é pouco inferior às médias geral e da testemunha. A Viscosidade Mooney (VR) média é ligeiramente menor que a média geral e pouco maior que a média da testemunha. O índice de retenção de plasticidade (PRI %) médio é ligeiramente menor que a média geral e pouco maior que a média da testemunha.


16. Clone IAC 301

Clone desenvolvido pelo Instituto Agronômico e resultante do cruzamento entre os clones RRIM 605 e AVROS 1518. A árvore possui caule muito reto regular e boa compatibilidade com relação ao enxerto x porta-enxerto. Os ramos aparecem tardiamente e formam grossas bifurcações que acarretam grande peso nas bases das plantas. A copa é estreita e a folhagem esparsa apresentando folhas pequenas verde. A produção média de borracha seca obtida em Votuporanga no Planalto foi superior a 27% (1.945 kg ha-1ano-1) quando comparada ao RRIM 600 que produziu 1.539 kg ha-1ano-1. Já no Vale do Ribeira em Pariquera-Açú, a produção foi de 1.068 kg ha-1ano-1, 15% a menos quando comparado a testemunha IAN 873 que produziu 1.252 kg ha-1ano-1’. Pela alta produção e pelas qualidades agronômicas, tais como, tolerância ao vento, o clone pode ser recomendado para plantio em pequena escala. O látex possui coloração levemente amarelada, com DRC médio ligeiramente menor que o da testemunha e pouco menor que o DRC médio geral. Há uma pequena tendência à pré-coagulação. A borracha possui coloração amarelada escurecida pela secagem. Está de acordo com as normas da ABNT NBR11597 para todos os ensaios padrões, exceto para a % de extrato acetônico média que excede significativamente o limite máximo de 3,5% para todas as classes de borracha, sendo o clone que possui o maior valor médio nesta propriedade. A % de N média é ligeiramente inferior à média da testemunha e, também, ligeiramente maior que a média geral. A % de cinzas média é discretamente menor que a média geral e, também, discretamente maior que a média da testemunha. Possui a borracha mais mole entre os clones IAC avaliados, sendo os valores médios da Plasticidade Wallace (P0) e da Viscosidade Mooney (VR) os menores e significativamente que as médias gerais e da testemunha. O índice de retenção de plasticidade (PRI %) médio é o maior entre os clones IAC avaliados, sendo o valor médio significativamente superior às médias geral e da testemunha.


17. Clone IAC 302

A árvore possui caule muito reto regular e boa compatibilidade com relação ao enxerto x porta-enxerto. Os ramos aparecem tardiamente e formam grossas bifurcações que acarretam grande peso na base das plantas. A copa é estreita e a folhagem esparsa apresentando folhas pequenas verdes claras. A casca virgem é lisa e espessa, tenra sem problemas de sangria. O látex possui a coloração amarela intensa mais pronunciada entre os clones IAC avaliados, com DRC médio pouco maior comparadas com as médias geral e da testemunha. Há uma pequena tendência à pré-coagulação. A borracha possui a coloração amarela intensa mais pronunciada entre os clones IAC avaliados, estando de acordo com a norma ABNT NBR11597 para todos os ensaios padrões. A % de N média possui o mesmo valor da média geral e ligeiramente inferior à média da testemunha. A % de cinzas média é discretamente maior que a média geral e da testemunha. A % de extrato acetônico médio possui o mesmo valor da testemunha e pouco menor que a média geral. A Plasticidade Wallace (P0) média é pouco superior às médias geral e da testemunha. O mesmo se aplica para a Viscosidade Mooney (VR). O índice de retenção de plasticidade (PRI %) médio é ligeiramente maior que a média geral e significativamente maior que a da testemunha (RRIM 600).


Recomendações para plantio

A seleção de clones para plantio em pequenas propriedades apresenta problemas diferentes dos enfrentados pelos grandes heveicultores. A escolha geralmente deve basear-se em clones disponíveis e com maior produtividade, que apresentem rápido crescimento, resistência às principais doenças e aos ventos fortes, casca com boa espessa e que permita uma adequada regeneração e câmbio não facilmente afetado na sangria. O período de descanso dado às árvores durante o desfolhamento deve estar relacionado com o período em que o produtor esteja se dedicando a outras atividades na propriedade. Se o determinado clone possuir a maioria desses atributos, poderá ser recomendado ao pequeno heveicultor. Por outro lado, dada à limitação de opções clonais para a formação de grandes áreas, sugere-se que sejam também implantados pequenos blocos para testar experimentalmente outros clones promissores, como uma forma acelerada de avaliação em larga escala, permitindo conhecer sua adaptabilidade e estabilidade em um maior número de localidades, com economia de tempo, espaço e recursos financeiros.

Nas áreas consideradas como de escape, especialmente o sudeste e centro-oeste do Brasil, há certa preferência pelo uso de clones orientais, que, a despeito da alta suscetibilidade ao mal-da-folhas, apresentam grande chance de exteriorizar todo seu potencial de produção. Isto porque, nestes locais, as condições ambientais não são favoráveis ao desenvolvimento desta doença, principalmente durante o período de re-enfolhamento das plantas.


1. Plantação Multiclonal

Uma das mais notáveis contribuições da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo foi a introdução do clone RRIM 600 em 1952 pelo Instituto Agronômico (IAC) e sua posterior expansão na década de 60 pelos órgãos competentes da época da referida Secretaria. Estima-se que hoje mais de 80% dos 50 mil hectares da área total de seringueira no Estado esteja plantada com o clone RRIM 600, cuja prática continuada poderá se aproximar a uma situação de plantio monoclonal, o que poderá levar à conseqüências desastrosas como epidemias de pragas e doenças comuns em monocultivos em conseqüência da presença de pouca variabilidade genética nos seringais. Embora ainda estejamos longe de vivenciar tal situação, cabe a nós especialistas do ramo, alertar aos heveicultores os possíveis riscos de danos.

Nesse contexto, vale a pena mostrar alguns exemplos de clones que eram considerados resistentes a certas doenças e que ao longo do tempo, devido à mutabilidade dos patógenos causadores dessas doenças se tornaram susceptíveis. O caso mais recente foi a incidência de antracnose-das-folhas causado pelo Colletotrichum gloeosporioide que afetou severamente o RRIM 701, no Planalto do Estado, decidindo-se pela sua retirada da lista de recomendação de clones para a região. Na década de 50 na região do município de Una, sul da Bahia, o clone Fx 25 foi introduzido como produtivo e resistente ao mal-das-folhas causado pelo Microcyclus ulei. Após 15 anos de bom desempenho na região cacaueira o clone passou a ser altamente susceptível, causando transtorno aos produtores locais. No sudeste Asiático, o mais recente fato foi a incidência de mancha-de-Corinespora das folhas, o qual afetou severamente os clones RRIC 103 no Sri Lanka e IAN 873 na Malásia, sendo, portanto retirados imediatamente das listas de recomendações destes países.


2. Escala de recomendações

Preocupado com possíveis problemas de vulnerabilidade genética que poderão ocorrer na heveicultura paulista, o Programa Seringueira do IAC propõe a seguinte estratégia: selecionar clones com base em informações de bom desempenho obtidos em pequenos e grandes experimentos de cultivo em um ou vários seringais de São Paulo e Estados vizinhos, e incluí-los em três diferentes classes a depender da fase atual de avaliação (Tabela 1).

Na classe I, é recomendado aquele clone para plantio em grande escala, ou seja, clone reconhecidamente de bom desempenho em muitos locais. Para tanto sugere-se não exceder 50% da área total para o pequeno ou médio seringal a ser instalado. Nessa classe os clones PB 235 e GT 1 não foram incluídos devido à susceptibilidade do PB 235 ao Oídio em algumas regiões do Estado e da baixa produção inicial do clone GT 1 nos dois primeiros anos de sangria.

A classe II envolve clones que através de avaliações do seu desempenho têm provado seu mérito ao longo do tempo. Nela estão incluídos nove clones, os quais em combinação com três ou mais podem ser plantados acima de 50% da área total da pequena, média ou grande plantação.

Os clones da classe III são divididos em três grupos (a), (b) e (c). Na escolha de quaisquer desses grupos, os clones são recomendados para plantio em até 15% da área total em blocos agregados.

Clones do grupo (a) são aqueles que demonstraram bom desempenho em experimentos de avaliação em pequena escala e em curto prazo, seu desempenho vem sendo confirmado em experimentos de grande escala.

Clones do grupo (b) são na sua maioria clones resultantes de introduções antigas, às vezes com produções pouco inferiores aos clones modernos, mas que vêm apresentando bom desempenho ao longo do tempo e que também são possuidores de atributos secundários desejáveis, tais como resistência à antracnose das folhas, à seca do painel, etc. Neste caso nenhuma restrição ao plantio deve ser levada em consideração.

No grupo (c), estão incluídos clones modernos recentemente introduzidos no Estado pelo IAC e que vem apresentando alta produção e bons caracteres secundários em seus países de origem. Na sua maioria são clones asiáticos, e africanos (séries PB, RRIM, RRII, PC e IRCA). Objetivando sua recomendação futura nas classes I e II esses clones encontram-se em avaliações nas antigas Estações Experimentais de Votuporanga e Pindorama, ambas no Planalto do Estado de São Paulo.





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