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Centro de Frutas


Uvas

Vitis spp.


A videira é planta sarmentosa da família Vitaceae, sendo a principal fruteira cultivada no mundo. Pode ser explorada comercialmente em quase todas as regiões do Estado de São Paulo, à exceção do litoral, devido às condições de alta umidade e temperatura. Pode-se classificar as videiras em quatro grupos:


Uvas rústicas de mesa: Seus frutos são muito apreciados para o consumo ao natural. São chamadas de rústicas pela maior resistência a algumas doenças e maior facilidade em alguns tratos culturais. Geralmente são de espécies americanas ou híbridas.


Uvas finas de mesa: Seus frutos são muito apreciados para o consumo ao natural. São chamadas de finas pela alta qualidade de seus frutos. São da espécie Vitis vinifera;


Uvas sem sementes: Seus frutos são muito apreciados para o consumo ao natural. São chamadas de apirenas ou sem sementes pela ausência completa ou presença apenas de vestígios de sementes. Geralmente são da espécie Vitis vinifera, ou híbridos desta espécie com outras;


Uvas para indústria: Seus frutos são utilizados como matéria-prima para produção de vinhos, sucos, destilados, vinagre, geléia etc. Geralmente são de espécies americanas ou híbridas.


Cultivares:


Uvas rústicas de mesa: Niagara Branca, Niagara Rosada, Isabel e Concord. Nas regiões tradicionais como Jundiaí e São Miguel Arcanjo, o ciclo desses cultivares é de 135 a 155 dias; a condução pode ser feita tanto em espaldeira quanto em latada, com poda curta ou média (2 e 4 gemas); os porta-enxertos recomendados para essas regiões são: IAC 766, Schwarzmann, Ripária do Traviú, IAC 572. No Oeste e Noroeste de São Paulo, o ciclo é mais curto, de 115 a 130 dias; a condução pode ser feita tanto em latada quanto em espaldeira, com poda média ou curta (4 e 2 gemas); os porta-enxertos recomendados para essas regiões são: IAC 766 e IAC 572.


Uvas finas de mesa: Itália, Rubi, Benitaka, Brasil, Red Globe, Patrícia. Nas regiões tradicionais como Jundiaí e São Miguel Arcanjo, o ciclo desses cultivares é de 175 a 185 dias; a condução deve ser feita em pérgola (latada descontínua) ou latada, com poda longa (8 a 10 gemas) para as quatro primeiras, e média (4 a 6 gemas) para as outras duas; os porta-enxertos recomendados para essas regiões são: IAC 766, Ripária do Traviú, IAC 572, 420-A, Kober 5BB. No Oeste e Noroeste de São Paulo, o ciclo é mais curto, de 145 a 155 dia; a condução deve ser feita latada, de preferência coberta com tela, para proteção contra granizo e pássaros; poda longa (8 a 10 gemas); os porta-enxertos recomendados para essas regiões são: IAC 313, IAC 766, IAC 572 e 420-A.


Uvas sem sementes: IAC 514-6 ‘Maria’. Na região de Jundiaí, o ciclo deste cultivar é de 120 a 140 dias; a condução pode ser feita em espaldeira, pérgola (latada descontínua) ou latada, com poda média (5 a 6 gemas). IAC 457-11 ‘Paulistinha’. Na região de Jundiaí, o ciclo deste cultivar é de 90 a 110 dias; a condução pode ser feita em espaldeira, pérgola (latada descontínua) ou latada, com poda média (5 a 6 gemas); os porta-enxertos recomendados para ‘Maria’ e “Paulistinha’ são: IAC 766, IAC 572, 420-A. ‘Centennial Seedless’. No Oeste e Noroeste de São Paulo, o ciclo deste cultivar é de 115 a 125 dias; a condução deve ser feita em latada, de preferência coberta com tela, para proteção contra granizo e pássaros; poda média (6 a 8 gemas); os porta-enxertos recomendados para essas regiões são: IAC 313, IAC 766, IAC 572 e 420-A.


Uvas para indústria: para vinhos tintos: IAC 138-22 ‘Máximo’, Seibel-2 e Isabel; para vinhos brancos: IAC 116-31 ‘Rainha’; para vinhos licorosos: Niagara branca, Niagara Rosada, Jd 930 (moscatel), IAC 21-14 ‘Madalena’ (moscatel); para suco: Concord, Isabel, Niagara Rosada. Nas regiões tradicionais como Jundiaí e São Roque, o ciclo destes cultivares é de 135 a 155 dias; a condução pode ser feita tanto em espaldeira quanto em latada, com poda curta ou média (2 e 4 gemas); os porta-enxertos recomendados para essas regiões são: IAC 766, Schwarzmann, Ripária do Traviú, IAC 572. Na Região Oeste (Lucélia), o ciclo é mais curto, de 155 a 130 dias; a condução pode ser feita tanto em latada quanto em espaldeira, com poda média ou curta (4 e 2 gemas); os porta-enxertos recomendados para essa região são: IAC 766 e IAC 572.


Época de plantio: estacas de porta-enxerto: plantio direto no campo em julho e agosto; mudas de porta-enxerto enraizadas em recipiente plástico: plantio no campo, de outubro a dezembro. Em qualquer caso, a enxertia com a variedade copa deve ser feita em julho e agosto do ano seguinte.


Espaçamento:


Uvas rústicas de mesa: espaldeira: Ripária do Traviú e Schwarzmann, 2 x 1m; IAC 766 e IAC 572, 2 x 1,5m ou 2 x2m. Latada: IAC 766 e IAC 572: 2,5 x 2m ou 2 x 2m.


Uvas finas de mesa: Latada contínua: IAC 766, IAC 572 e 420-A: 4 x 3m, 4 x 4m ou 4 x 5m; IAC 313: 6 x 3m. Pérgola (‘Patrícia’): Ripária do Traviú: 3,5 x 3,5m ou 4 x 3m.


Uvas sem sementes: ‘Maria’ e ‘Paulistinha’: espaldeira: IAC 766 e IAC 572: 2 x 1,5m ou 2 x 2m. Latada: IAC 766, IAC 572 e 420-A: 3,5m ou 4 x 3m. ‘Centennial Seedless’: latada: IAC 766 e IAC 572: 4 x 3m, 4 x 4m ou 4 x 5m.


Uvas para indústria: espaldeira: Ripária do Traviú e Schwarzmann, 2 x 1m; IAC 766 e IAC 572, 2,0 x 1,5m ou 2 x 2m.


Controle da erosão: plantio em nível, capinas alternadas, terraços em terrenos acidentados; cobertura morta; cobertura viva no inverno (aveia preta, chícharo).


Calagem e adubação: Antes da formação do vinhedo, aplicar o calcário em área total, para elevar a saturação por bases a 80%. Incorporar o calcário o mais profundamente possível. Em vinhedos já instalados, aplicar a calcário em área total, antes da poda, incorporando-o ligeiramente ao solo.


Uvas rústicas de mesa e uvas para indústria: a adubação de implantação corresponde à aplicação, por cova, de 10 litros de esterco de curral (ou 3 litros de esterco de galinha ou 500g de torta de mamona) e 1kg de calcário dolomítico, juntamente com 40 a 80g de P2O5 e 20 a 40g de K2O. Aplicar, em cobertura, aos 60 e 120 dias após o plantio dos porta-enxertos em local definitivo, 20g de N por planta, por vez. A adubação de formação (após a enxertia), corresponde à aplicação por planta de: 20g de N, 10 a 30g de P2O5 e 10 a 30g de k2O, de acordo com a análise de solo. Esses adubos deverão ser aplicados em cobertura, ao lado das plantas, parcelados em três vezes, a primeira 30 dias após a brotação, e as demais com intervalos de 40 dias uma da outra. A adubação de produção, para produtividade de 20 t/ha, corresponde à aplicação de 30: t/ha de esterco de curral, 180 kg/ha de N, 100 a 400 kg/ha de P2O5 e 75 a 300 kg/ha de K2O, de acordo com a análise de solo. Na poda do primeiro ano de produção, usar metade dessas doses. Para vinhedos com produtividade de 20 a 30 t/ha aumentar essas doses em 25%. Aplicar ½ do P2O5 e do K2O e 1/3 do N, enterrados em sulcos ao lado das plantas um mês antes da poda, junto com o esterco de curral. Aplicar o restante do P2O5, 30 dias após após a poda. Parcelar o restante do N e do K2O em três vezes iguais, aos 30 dias após a poda, na fase de “ervilha” e na fase de “meia baga”, espalhando os adubos ao lado das plantas.


Uvas finas de mesa sem sementes: a adubação de implantação corresponde à aplicação, por cova, de 40 litros de esterco de curral (ou 15 litros de esterco de galinha ou 2kg de torta de mamona) e 1kg de calcário dolomítico, associados a 100 a 300g de P2O5 e 50 a 150g de k2O. Aplicar, em cobertura, aos 60 e 120 dias após o plantio dos porta-enxertos em local definitivo, 30g de N por planta, por vez. A adubação de formação (após a enxertia), corresponde à aplicação por planta de: 60g de N, 50 a 150g de P2O5 e 50 a 100g de K2O, de acordo com a análise de solo. Esses adubos deverão ser aplicados em cobertura, ao lado das plantas, parcelados em três vezes, a primeira 30 dias após a brotação, e as demais com intervalos de 40 dias uma da outra. A adubação de produção, para produtividade de 25 a 35 t/ha, corresponde à aplicação de 40 t/ha de esterco de curral, 250 kg/ha de N, 150 a 500 kg/ha de P2O5 e 150 a 400 kg/ha de K2O, de acordo com a análise de solo. Na poda do primeiro ano de produção, usar metade dessas doses. Para vinhedos com produtividade de 36 a 45 t/ha, aumentar essas doses em 25%. Para produtividades superiores a 45 t/ha, aumentar as doses em 50%. Aplicar ½ do P2O5 e do K2O e 1/3 do N, enterrados em sulcos ao lado das plantas um mês antes da poda, junto com o esterco de curral. Aplicar o restante do P2O5, 30 dias após a poda. Parcelar o restante do N e do K2O em três vezes iguais, aos 30 dias após a poda, na fase de “ervilha” e na fase de “meia baga”, espalhando os adubos ao lado das plantas. Para as regiões Oeste e Noroeste do Estado de São Paulo acrescentar, por planta, em cobertura, 80 kg/ha de N e 80 kg/ha de k2O após a poda de formação, parcelando em duas ou três vezes, de novembro a fevereiro. Se disponível, aplicar também 20 a 40 litros de esterco de curral por planta, antes da poda.


Outros tratos culturais: no vinhedo em produção, cobertura morta do solo com restos vegetais como capim gordura, bagaço de cana etc.; capina total do vinhedo, ou aplicação de herbicidas (não usar os hormonais, como 2,4-D e 2,4,5-T, devido à sensibilidade da videira a eles); aplicação de herbicidas nas linhas e roçagem nas entrelinhas. No vinhedo em repouso, antes da poda, efetuar tratamento de inverno com calda sulfocálcica; imediatamente após a poda deve-se aplicar suspensão de calciocianamida a 18-20% ou solução de cianamida hidrogenada a 2,5% nas regiões tradicionais (Jundiaí e São Miguel Arcanjo) e a 5% nas regiões Oeste e Noroeste, para induzir e uniformizar a brotação, o que antecipa e uniformiza a colheita.


Uvas finas de mesa: para melhorar a consistência dos cachos, pode-se usar ácido giberélico na dose de 20ppm, 15 a 20 dias após o pleno florescimento. Itália, Rubi, Benitaka e Brasil exigem desbaste intenso dos cachos (60% das bagas), o que é feito manualmente com tesoura (fase de ervilha) ou com escova plástica 4 a 5 dias antes do florescimento; Patrícia exige desbaste menos intenso (40%) executado da forma descrita.


Uvas sem sementes: ‘Maria’ exige desbaste dos cachos (30 a 40% das bagas), o que é feito manualmente com tesoura (fase de ervilha) ou com escova plástica 4 a 5 dias antes do florescimento; ‘Paulistinha’ e ‘Centennial Seedless’ exigem desbaste bem menos intenso (10 a 20%) ou nenhum desbaste, se não se espera que as bagas cresçam muito. A aplicação de ácido giberélico (GA3) para aumentar o tamanho das bagas é fundamental para o sucesso da cultura das uvas sem sementes; 12 a 16 dias após o florescimento, aplicar: ‘Maria’: 200 a 400 ppm de GA3; ‘Paulistinha’: 50ppm de GA3; ‘Centennial Seedless’: 20ppm de Ga3.


Controle de pragas e doenças: cochonilhas: limpeza dos troncos e tratamento de inverno com inseticidas fosforados registrados, no período vegetativo; pulgão, maromba, e traça-dos-cachos: pulverizações com inseticidas fosforados registrados; besouro e mosca-das-frutas: ensacamento dos cachos e produtos à base de fenthion; pérola-da-terra: não há produtos registrados até junho/97; filoxera: uso de porta-enxertos tolerantes e, eventualmente, pulverizações com inseticidas fosforados registrados; antracnose: fosetyl-Al, mancozeb, folpet, chlorothalonil, thiophanate menthyl e ziram; mancha-das-folhas: mancozeb, folpet e thiophanate e methyl; míldio ou peronospora: mancozeb, metalaxyl + mancozeb e folpet: oídio: chlorothalonil, difenoconazole, benlate, triadimefon, thiophanate methyl, ziram, fenarimol e enxofre; podridões da uva: chlorothalonil, oxicloreto de cobre, calda bordalesa ou captan (bagas em formação), thiophanate methyl (uvas maduras); fusariose: evitar o plantio em áreas infectadas; viroses: propagação com material sadio, tanto para copas como para porta-enxertos.


Colheita: Nas regiões tradicionais: dezembro a março; nas regiões Oeste e Noroeste: março a abril e outubro a novembro.


Produtividade:


Uvas rústicas de mesa: espaldeira: 1,5 kg/m2; latada: 2,5 a 3,0 kg/m2;


Uvas finas de mesa: pérgola: 2 a 3 kg/m2; latada: 2,5 a 3,0 kg/m2;


Uvas sem sementes: espaldeira: ‘Maria’: 2 a 3 kg/m2; ‘Paulistinha’: 1,0 a 1,5 kg/m2; latada: ‘Maria’: 2,5 a 3,5 kg/m2; ‘Paulistinha’: 1,5 a 3,0 kg/m2; ‘Centennial Seedless’: latada: 2,5 a 3,5 kg/m2;


Uvas para indústria: espaldeira: 1,5 kg/m2.


Observações:
(a) utilizar material de propagação, tanto do porta-enxerto como da copa, livre de vírus;
(b) ‘Maria’: branca, cachos de 250 a 400g; ‘Paulistinha’: branca, cachos de 150 a 250g; ‘Centennial Seedless’: branca, cachos de 400 a 600g; (c) anelamento (incisão anelar) que é retirada completa de um anel (0,4 a 0,6cm largura) da casca do tronco ou ramos, cerca de 2 semanas após o florescimento, substitui e/ou complementa o GA3 para aumentar o tamanho das bagas de uvas sem sementes.



Fonte: Boletim, IAC, 200, 1998.




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