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Centro de Frutas


Umê

Prunus x Mume Sieb. & Zucc.


O umê ou damasco-japonês é uma frutífera arbórea de folhas decíduas, da família Rosaceae, cultivada em Taiwan e no Japão desde o século XIV. Originário da China Continental, o umê é de introdução relativamente recente (1970) no Estado de São Paulo. A sua flor é parecida com a da ameixeira.


Os estudos no Instituto Agronômico (IAC) iniciaram-se em 1977, principalmente como porta-enxerto para pessegueiro. Difere do damasco ou abricô comum (Prunus armeniaca L.) pela capacidade adaptativa cosmopolita, produção de frutos menores, mais arredondados, meio amargos, daí não serem recomendados para o consumo ao natural. Pelos japoneses, é consumido principalmente sob conserva – “Umeboshi” – e, sob a forma de um tipo especial de licor – “Umeshu”- Em nosso meio, seus frutos poderiam ser misturados, em menor proporção, nas geléias e doces em massa, como por exemplo, com a polpa de ameixa ou pêssego, para lhes conferir mais aroma, sabor, acidez e consistência. Por envolver cerca de uma dezena de espécies botânicas, de características bem distintas, inúmeros cultivares do abricô japonês são conhecidos em todo o mundo. Entretanto, o material pesquisado no IAC pode ser originário do cultivar KOUME’ de Taiwan, e, provavelmente, da variedade botânica Mycrocarpa.


Cultivares: lacume (IAC-3) frutos pequenos (6 a 8g), arredondados, de polpa amarela e caroço preso – película amarela e matiz rosado. Umecia (IAC-1) – frutos pequenos a médios (10 a 12g), de polpa amarela e caroço preso – película amarela e leve matiz rosado. Outras introduções produtivas e seleções locais de fruticultores da região de Botucatu (SP).


Mudas e plantio: Utilizar mudas enxertadas dos melhores cultivares disponíveis sobre porta-enxertos de sementes do próprio damasqueiro (lacume, por exemplo) ou sobre porta-enxertos de pessegueiros Okinawa. Mudas de raízes nuas: plantio em julho a agosto; em recipientes: em qualquer época, de preferência na estação chuvosa.


Espaçamento: 6 x 5m (armado-se as plantas) para plantios convencionais; 5 x 3m ou 4 x 2m para plantios adensados.


Mudas necessárias: 333 e 666 a 1.250/ha, de acordo com o espaçamento.


Controle da erosão: plantio em nível ou cortando as águas, em patamares ou banquetas nos terrenos declivosos, capinas em ruas alternadas, roçadeira no período das águas, e utilização de cobertura morta sob a copa das plantas.


Calagem: de acordo com a análise de solo, aplicar o calcário para elevar a saturação por bases a 70%. Aplicar o corretivo por todo o terreno antes do plantio ou mesmo durante a exploração do pomar, incorporando-o por meio de aração e/ou gradagem.


Adubação de plantio: aplicar, por cova, 2kg de esterco de galinha ou 10kg de esterco de curral bem curtido, 1kg de calcário magnesiano, 200g de P2O5 e 60g de K2O, pelo menos 30 dias antes do plantio. Em cobertura, a partir da brotação das mudas, aplicar ao redor da planta 60g de N, em quatro parcelas de 15g, de dois em dois meses.


Adubação de formação: para plantios convencionais, de acordo com a análise de solo e por ano de idade, aplicar 40 a 120 g/planta de cada um dos nutrientes: N, P2O5 e K2O; o N em quatro parcelas, de dois em dois meses, a partir do início da brotação.


Adubação de produção: no pomar adulto convencional, a partir do 5º ano, dependendo da análise de solo e da meta de produtividade, aplicar, anualmente, 3t/ha de esterco de galinha, 15 t/ha de esterco de curral, bem curtido, 100 a 200 kg/ha de N, 20 a 120 kg/ha de P2O5 e 30 a 150 kg/ha de K2O. Após a colheita, distribuir esterco, fósforo e potássio, na dosagem anual, em coroa larga, acompanhando a projeção da copa no solo e, em seguida, misturá-los com a terra da superfície. Dividir o nitrogênio em quatro parcelas, aplicadas em cobertura, de dois em dois meses a partir do início da brotação.


Observação: Para plantios adensados aplicar os adubos, no pomar em formação e no adulto, de modo similar aos plantios convencionais, reduzindo as dosagens proporcionalmente à área ocupada por planta.


Irrigação: indispensável por florescer em pleno inverno, por sulcos, gotejamento ou em bacias; substituição parcial, proporcionada pelo uso de cobertura morta, em áreas de adequado equilíbrio híbrido.


Outros tratos culturais: Capinas, poda de limpeza (esladroamento) no inverno com algum encurtamento dos ramos e desbrotas corretivas no verão, prescinde do desbaste dos frutos (menores também são aproveitados).


Controle de pragas e doenças: cuidados especiais com as formigas cortadeiras; tratamento preventivo de inverno com calda sulfocálcica concentrada. Durante o período de frutificação pode ocorrer ataque de mosca-das-frutas; não há produtos registrados para controle até junho/97.


Colheita: outubro a novembro, conforme o material cultivado e região. Safras significativas a partir do 2º ano de instalação do pomar; colheita manual dos frutos no estádio de vez.


Produtividade esperada: 10 a 30 t/ha de frutos, em pomares adultos, em plantas enxertadas, com seis a oito de idade, em plantios racionalmente conduzidos e dependendo, ainda, do cultivar e do espaçamento adotado.


Observação: O IAC, nos últimos dez anos, vem dando ênfase às pesquisas que visam ao cultivo de pessegueiros de diversas faixas de maturação, em pomares compactos, e explorados em porta-enxertos provenientes de sementes do damasqueiro japonês. Objetiva-se à seleção de clones uniformes, ananicantes, para dotar, com diversos graus de ananismo, as variedades de pêssego atualmente já disponíveis ao cultivo comercial, visando à sua exploração econômica intensiva, sob diferentes densidades de plantio.



Fonte: Boletim, IAC, 200, 1998.




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