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Centro de Frutas


MANGA

Mangifera indica L.


A mangueira, pertencente à família Anacardiceae e nativa da Ásia Tropical, teve sua introdução no Brasil no século XVI, pelos navegantes portugueses. Planta perene, de grande porte e sistema radicular vigoroso, muito sensível a geadas e, invariavelmente, de produção alternadas. Seus frutos são consumidos ao natural ou na forma industrializada de purê, néctar ou compota, e, verdes, são utilizados na confecção de picles, saladas, molhos e geléias.


Possuem grande quantidade de açúcar e são excelente fonte de vitamina A e C, com pouca vitamina B, contendo doses razoáveis de cálcio e ferro.


Cultivares: Zill, Palmer, Kent, Parvin, Keitt, IAC-100 Bourbon e Tommy Atkins.


Clima e Solo: é muito sensível às baixas temperaturas, principalmente se estacas ocorrerem nas floradas de maio a junho. Requer boa luminosidade para frutificar e induzir coloração aos frutos e um período seco no florescimento. Quanto ao solo, deve ser profundo e bem drenado, de preferência de textura média.


Práticas de conservação de solo: Plantio em nível, capinas em ruas alternadas com a utilização de cobertura vegetal nas entrelinhas, mantendo-se rasteira no período chuvoso através de roçadeira ou uso de herbicidas. Em terrenos com declividade acima de 6% associar terraceamento de acordo com o manejo e o tipo de solo, ou utilizar patamar, banquetas ou embaciamento.


Propagação: As mudas são formadas por enxertia de garfagem ou borbulhia em porta-enxertos resistentes à “Seca da Mangueira”. Os frutos maduros são despolpados e as sementes lavadas e secas à sombra. Das sementes são retiradas as amêndoas que são distribuídas em canteiros de germinação. Após 6 semanas da germinação os cavalinhos são transplantados para sacos plásticos ou viveiro, no campo. A enxertia, tanto de garfagem como de borbulhia, é feita quando o porta-enxerto tiver 25 a 30cm de altura e o diâmetro de um lápis. A muda é transplantada para o campo quando o enxerto alcançar dois fluxos de crescimento.


Plantio: No período das chuvas, ou fora dele com irrigação, evitando-se a quebra do torrão da muda. O plantio deve ser alto, deixando-se 5cm do torrão acima da superfície do solo. Após o fechamento da cova fazer o embaciamento e irrigar a muda com 20 litros de água.


Espaçamento: 10 x 10m ou 10 x 8m.


Mudas necessárias: 100 a 125/ha.


Covas: 40 x 40 x 40cm.


Calagem e adubação: de acordo com a análise de solo, elevar a saturação por bases a 80%.


Adubação de plantio e de formação: Adubar a cova de plantio com 10 litros de esterco de curral ou 3 litros de esterco de galinha, mais 200g de P2O5 e 5g de zinco. Na formação do pomar, aplicar por planta e por idade, em função da análise de solo: no primeiro ano, 30g de N e 40g de K2O; no segundo ano, 60g de N, 40 a 160g de P2O5 e 0 a 80g de K2O; no terceiro ano, 120g de N, 100 a 240g de P2O5, 40 a 160g de K2O; no quarto ano, 160g de N, 120 a 320g de P2O5 e 80 a 240g de K2O.


Adubação de produção: para a produtividade esperada entre 10 e 20t/ha, aplicar de 10 a 40 kg/ha de N, quando o teor de N nas folhas for inferior a 12 g/kg. Quando o teor de N foliar for superior a 12 g/kg, não aplicar nitrogênio. De acordo com a análise de solo e produtividade esperada, aplicar 10 a 60 kg/ha de P2O5/ha e 10 a 80 kg/ha de k2O. Fracionar a dose anual de fertilizantes, especialmente N e K, em três vezes, durante a estação das chuvas. Realizar duas pulverizações foliares, em agosto e fevereiro, com 50g de ácido bórico e 250g de sulfato de zinco em 100 litros de água. Em pomares com alta incidência de colapso interno do fruto, em solos com baixos teores de cálcio na superfície, sugere-se a aplicação, em março-abril, de 2 t/ha de gesso agrícola.


Pragas e doenças: formigas cortadeiras – iscas formicidas (clorpirifos e dodecacloro) e proteção do caule da muda com cones ou “saias” de plásticos; mosca-da-fruta – eliminação dos hospedeiros alternativos (carambola, serigüela, cajá, etc) das proximidades do pomar, retirar os frutos infestados do pomar, pulverização em ruas alternadas, em 1m2 da copa, com parathion methyl ou com a mistura de água, melaço de cana ou suco da fruta mais os inseticidas fenthion ou trichlorfon; cochonilhas – no caso de grandes infestações, fora do período de florescimento, pulverizar com produtos à base de parathion methyl mais óleo mineral, nas horas de menor insolação; broca-da-mangueira – corte e destruição dos ramos brocados ou secos, proteção das mudas transplantadas para jacazinhos com inseticida fosforado (parathion methyl, em pulverização) até que recuperem sua turgidez; seca da mangueira – uso de porta-enxertos resistentes (Carabao, IAC 102 Touro, IAC 101 Coquinho), poda e queima dos galhos afetados da copa, a 40cm abaixo do ponto infectado, com desinfecção do material utilizado na poda, com hipoclorito de sódio a 2% e pincelamento da secção do corte com pasta cúprica; malformação vegetativa e floral (embonecamento) – eliminar os ramos com os tipos de malformação. Na malformação floral os ramos devem ser eliminados a partir do nó que apresentou o embonecamento. Não utilizar porta-enxerto, borbulhas ou garfos de plantas com sintomas de malformação para produção de mudas; mancha-angular (bacteriose) – proteção dos órgãos novo da planta, preventivamente com a mistura de oxicloreto de cobre mais mancozeb em intervalos de 15 a 20 dias na época das chuvas, e de 30 a 40 dias, no período seco; antracnose – pulverizações semanais desde o entumescimento dos botões florais até o vingamento dos frutos (5cm) com o fungicida mancozeb; a partir daí alternar oxicloreto de cobre e mancozeb até a colheita, em pulverizações quinzenais; oídio – pulverizações preventivas, antes da abertura das flores até o início da frutificação, com fungicidas à base de enxofre pó molhável ou quinomethionate.


Outros tratos culturais: escoramento dos ramos produtivos; proteção dos frutos contra a queimadura do sol, nas bordaduras do pomar do lado do poente; colheita dos frutos no estádio de vez para prevenção do colapso interno.


Colheita: outubro a março, dependendo da região. A fruta deve ser colhida o mais madura possível, evitando-se o uso de métodos artificiais de amadurecimento. Para mercados distantes, colher a fruta no estádio de vez, isto é, 1/3 madura. Os frutos que se encontram na parte mais baixa da copa, são colhidos manualmente, com uma leve torção do pedúnculo, deixando-se uma pequena porção deste, a qual vai ser aparada no momento que a fruta for lavada, classificada e embalada. Os frutos localizados nas partes mais altas da copa são colhidos com o auxílio de escadas e varas de bambu, providas, na extremidade, de um aro de ferro redondo com uma reentrância ou lâmina para o corte do pedúnculo do fruto, ao qual se acopla um saco para recebimento dos frutos. Para exportação a colheita deve ser feita com auxílio de tesoura, com a secção do pedúnculo na parte mais estreita. No campo as frutas devem ser acondicionadas em caixas plásticas e mantidas à sombra.


Produtividade esperada: 10 a 20 t/ha.


Culturas intercalares: culturas anuais de porte baixo, de preferência as leguminosas.


Comercialização: mercado interno: caixa K (22 kg), caixa M (27 kg) e caixetas de papelão ondulado ou de madeira (6,0 a 6,5kg); mercado externo: caixeta de papelão ondulado (4,0 a 4,5kg).



Fonte: Boletim, IAC, 200, 1998.




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