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Centro de Frutas


Mamão

Carica papaya L.


O mamoeiro, da família Caricaceae, pode alcançar 3 a 8m de altura e produzir durante dois anos, após doze meses de plantio. Em vista de sua origem tropical, requer bastante umidade e calor; não tolera solos encharcados e é extremamente sensível a geadas. Seus frutos, ricos em vitamina A e C, são consumidos in natura ou processados em pedaços cristalizados, suco, gelatina, purê e fatias desidratadas.


A papaína, enzima proteolítica com alto valor medicinal e industrial, é encontrada no látex das folhas e frutos do mamoeiro.


Cultivares: Sunrise Solo, Formosa e Comum.


Clima e solo: requer temperaturas médias entre 21 e 33ºC para o bom desenvolvimento e qualidade dos frutos e precipitações acima de 1.200mm anuais, bem distribuídas, para sua adaptação. É intolerante à geada e temperaturas abaixo de 20ºC determinam o atraso no desenvolvimento das plantas e o aparecimento de frutos defeituosos ou carpelóides; longos períodos de seca e calor ocasionam o aparecimento de flores fêmeas estéreis com reflexos negativos na produção. Os solos propícios para o mamoeiro são os de textura média, profundos, bem drenados, não-sujeitos ao encharcamento e ricos em matéria orgânica.


Práticas de conservação do solo: plantio em nível, mantendo o solo com cobertura rasteira no período chuvoso, por meio de roçadeira ou herbicidas, quando o mamoeiro atingir a fase adulta. Em declividades acima de 6% utilizar terraceamento ou patamares.


Propagação: por meio de sementes, em sacos plásticos ou em tubetes preenchidos com vermiculita. Os sacos plásticos de dimensões de 14 x 16 x 0,006cm; 15 x 20 x 0,006cm, e 12 x 20 x 0,006cm são os mais usados. As sementes são semeadas em número de 2 a 4 por recipiente. A germinação inicia-se após 10 dias, prolongando-se até 30 dias da semeadura. Efetuar desbaste deixando uma muda mais vigorosa por recipiente e levar ao campo, quando atingir 15cm de altura. Desde a semeadura até cerca de 2 semanas antes do plantio, quando deverão ser aclimatadas ao sol, as mudas devem ser conduzidas à meia sombra. O substrato utilizado para preenchimento dos recipientes deve ser comporto de terra e esterco de curral bem curtido, na propagação de 3:1.


Plantio: efetuar no início das chuvas (outubro) em dias nublados; retirar o envoltório plástico evitando-se a quebra do torrão que deve ficar 5cm acima do nível do solo. Após o plantio, proceder ao embaciamento para irrigação da muda.


Espaçamento: 3 x 2m, 3 x 3m ou 4,0 x 2,5m.


Mudas necessárias: 1.000 a 1.700/ha.


Covas: 30 x 30 x 30cm, ou sulcos com 30cm de profundidade.


Calagem e adubação: de acordo com a análise de solo, elevar a saturação por bases a 80%, com calcário dolomítico. Na cova, 30 dias antes do plantio, aplicar 5 litros de esterco de curral, ou 2 litros de esterco de galinha ou 1 litro de torta de mamona, 60g de P2O5 e 30g de K2O. Em cobertura, aplicar 20g de N por planta, metade um mês após o plantio e metade dois meses mais tarde. No florescimento e frutificação, de acordo com a análise de solo e meta de produtividade (25 a 50 t/ha), 90 a 160 kg/ha de N, 30 a 120 kg/ha de P2O5, 60 a 200 kg/ha de K2O, até 2kg/ha de B, até o 5 kg/ha de Zn e até 5 t/ha de esterco de galinha, em solos arenosos. Parcelar a adubação em três vezes, setembro, dezembro e março. Definir a adubação no segundo ano, após nova análise de solo. Aplicar os adubos em faixas de 1,5m de largura, nos dois lados da planta e o potássio, de preferência, na forma de sulfato.


Pragas e doenças: ácaro branco – enxofre; ácaro vermelho ou rajado: não há produtos registrados para controle até junho/97; antracnose – cúpricos e ziran; varíola: cúpricos; oídio: enxofre; podridão-do-pé (gomose) – plantio alto e evitar solos sujeitos ao encharcamento; mosaico – formar mudas em locais isolados, distante de plantas infectadas, erradicar do pomar plantas com sintomas, evitar a presença de cucurbitáceas (abóbora, melão de São Caetano) dentro ou nas proximidades do pomar; meleira – erradicar plantas com sintomas; nematóides – mudas isentas, através do tratamento do solo viveiro, rotação de culturas com plantas-iscas, como a Crotalaria spectabilis.


Outros tratos culturais: coroamento das plantas, desbrota das ramificações laterais do caule, desbaste de frutos defeituosos ou em excesso. No florescimento, 4 a 6 meses do plantio desbastar, deixando uma planta hermafrodita (Sunrise Solo e Formosa) por cova. Para mamão comum, deixar 10% de plantas masculinas para polinização das femininas.


Colheita: ano todo, após 10 a 12 meses do plantio, quando os frutos passam do verde-escuro para o verde-claro e apresentam uma a duas estrias ligeiramente amareladas. São destacados da planta por simples torção. Para frutos fora do alcance utiliza-se uma vara de bambu que tem na extremidade um copo de borracha semelhante a um desentupidor de pia que pressionado na base do fruto desprende o pedúnculo. A colheita em plantas altas é realizada com o auxílio de uma escada de tripé. Após a colheita o pedúnculo é aparado, deixando no mínimo 1cm de seu comprimento. É necessário que o colhedor de mamão proteja as mãos e os braços, para evitar queimaduras provocadas pelo látex dos frutos.


Produtividade esperada: Formosa e Comum: 30 a 75 t/ha; Sunrise Solo (papaia): 26 a 32 t/ha.


Comercialização: mercado interno: caixa 2k (duplo) e caixetas de madeira e papelão (3,5 a 4,0kg); mercado externo: caixa de papelão ondulada tipo telescópica (tampa e fundo) com 3,5 a 4,0kg de peso líquido.



Fonte: Boletim IAC, 200, 1998.




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