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Centro de Frutas


Criação da Seção de Viticultura e Frutas de Clima Temperado

Em 10 de janeiro de 1942, uma Quinta reforma voltaria a dar ao Instituto nova estrutura, transformando-o, dessa vez, em mera Divisão de Experimentação e Pesquisas, subordinada ao Departamento de Produção Vegetal. Retirava-lhe, assim, sua autonomia e até mesmo sua tradicional denominação. Por essa reforma, os antigos serviços técnicos de Genética, Algodão e Horticultura passaram a formar três subdivisões técnicas. O Serviço de Horticultura foi transformado em Subdivisão de Horticultura, constituída por três novas seções: Citricultura e Frutas Tropicais e Olericultura e Floricultura, sob a direção do Dr. Felisberto C. Camargo.


Pouco depois, para chefiar a Subdivisão de Horticultura e a Seção de Citricultura e Frutas Tropicais, em substituição ao Dr. Felisberto, que, por assa época, fora dirigir a implantação do Instituto Agronômico do Norte, em Belém do Pará, foi designado o Engº Agrº Silvio Moreira, desde 1932, chefe da Estação Experimental de Limeira.


A recém-criada Seção de Viticultura e Frutas de Clima Temperado foi entregue à chefia do Engº Agrº José R. de Almeida Santos Neto, então transferido da Estação Experimental de Ribeirão Preto, tendo como assistente efetivo o Engº Agrº Orlando Rigitano, que acabara de receber certificado de especialização em fruticultura de clima temperado.


Contando, inicialmente, com o empenho desses dois técnicos e, alguns anos mais tarde, com os dos seguintes engenheiros-agrônomos que nela trabalham: Paulo V.C. Bittencourt (foto acima, direita), Odette Zardetto de Toledo, José Botter Bernardi, Euclides Palma Guião e José Soubihe Sobrinho, a Seção de Viticultura e Frutas de Clima Temperado, com base física na área de Horticultura da Fazenda Santa Elisa, em Campinas, desenvolveu extenso programa de pesquisa e experimentação.


Os principais trabalhos, levados a efeito nas Estações Experimentais de Campinas, São Roque, Jundiaí, Mococa, Ribeirão Preto, Monte Alegre do Sul e Capão Bonito, abrangiam as culturas seguintes: videira: pessegueiro, figueira, macieira, pereira, marmeleiro, ameixeira, nespereira, caquizeiro, nogueira-pecã, nogueira-européia, castanheira, oliveira e outras espécies afins. Seu objetivo era realizar estudos de propagação, formação de mudas, instalação de coleções de plantas matrizes, ensaios de comportamento de variedades para enxerto e porta-enxerto, experimentos de poda, adubação e controle de pragas e moléstias. A responsabilidade pelas culturas ficou assim distribuída: videira: J.R.A. Santos Neto e O.Z. Toledo; pessegueiro, ameixeira, figueira e caquizeiro: O. Rigitano; macieira e pereira: J.R.A. Santos Neto e E.P. Guião; nogueiras, nespereira e castanheira: P.V.C. Bittencourt; marmeleiro: O. Rigitano e J. Soubihe Sobrinho, e oliveira: P.V.C. Bittencourt e J. B. Bernardi.


A partir de 1940, os primeiros trabalhos levados a efeito em Campinas, São Roque, Jundiaí, Mococa, Ribeirão Preto, Monte Alegre do Sul e Capão Bonito abrangiam as culturas de videira, pessegueiro, figueira, macieira, pereira, marmeleiro, ameixeira, nespereira, caquizeiro, nogueira-pecã, nogueira-européia, castanheira, oliveira e outras espécies afins.


Treinamento no Brasil e no exterior.


Em 1944, sob a orientação do Prof. H.P. Olmo, especialista em Viticultura da Universidade da Califórnia, em viagem de assessoramento técnico ao Brasil durante a Segunda Grande Guerra, teve início um plano de melhoramento da videira, com o fito de obter variedades adaptadas ao nosso meio, e cuja execução ficou a cargo do Engº Agrº Santos Neto.


Em 1945 e 1946, contemplado com bolsa de estudo do Governo Americano, através da “Internacional Training Administration”, o Engº Agrº Orlando Rigitano realizou, durante dezoito meses, cursos de pós-graduação e treinamento de melhoramento de fruteiras de clima temperado, na Divisão de Fruteiras de Folhas Caducas do Departamento de Agricultura, em Beltsville, Maryland, e nas Divisões de Pomologia e Viticultura da Universidade da Califórnia, em Davis. O alto grau de aproveitamento alcançado nesses cursos e os ensinamentos colhidos no decorrer dessa viagem de estudo constituíram, de fato, a base científica inicial que orientou o programa de melhoramento de fruteiras de clima temperado no Instituto Agronômico, possibilitando a introdução de numerosas variedade de pêssego, ameixa, caqui, maçã e pêra, adaptadas ao clima do Estado de São Paulo.

Com a preocupação de aprimorar o seu currículo científico, matriculou-se no curso de doutorado na ESALQ. Com esse propósito, além da experimentação das demais culturas frutíferas, Rigitano reuniu informações e resultados de pesquisas sobre a ficicultura paulista, instalou e conduziu ensaios, analisou e discutiu dados experimentais, elaborando o trabalho científico que lhe possibilitou ser um dos primeiros técnicos do Agronômico a defender tese de doutoramento, na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, em 1955: “A figueira cultivada no Estado de São Paulo”. Sua importância pode ser facilmente avaliada quando se sabe que, naquela época, graças ao apoio experimental do IAC, a ficicultura se tornara uma das áreas mais tecnificadas da agricultura paulista. Algumas de suas práticas culturais pioneiras-alta densidade de plantio em renque e cobertura morta para proteção do solo contra erosão; adubação orgânica e mineral equilibradas; poda e desbrota de ramos para o arejamento da copa; controle integrado de brocas e nematóides, sobretudo, pulverizações fúngicas sistemáticas para o combate à “ferrugem”, principal doença da figueira, passaram a ser seguidas, pouco a pouco, como modelo para o estabelecimento de outras culturas em regime de exploração intensiva. Mesmo no estádio atual de tecnificação de cafeicultura paulista, embora a “ferrugem” do café só tenha surgido no Brasil quinze anos após a defesa daquela tese, continua bastante válida a seguinte afirmação, feita na introdução do referido trabalho: “A própria restauração da lavoura cafeeira, nas chamadas zonas velhas, tem-se servido da benéfica influência da técnica de agricultura intensiva, usada, há muitos anos, na cultura da figueira”.


O início das pesquisas com base experimental


Em 1947, o Engº Agrº Orlando Rigitano estabeleceu as bases e deu início ao programa de melhoramento de fruteiras de clima temperado no Instituto Agronômico, o qual resultou na obtenção de numerosas variedades de pêssego, ameixa, caqui, maçã e pêra, adaptadas ao clima de São Paulo.


Na primeira fase dos trabalhos, mereceu atenção especial o melhoramento do pessegueiro e do caquizeiro. Os cruzamentos foram realizados em diversas localidades, utilizando-se de material existente nas coleções de trabalho.


O planejamento experimental elaborado pela Comissão de Frutas de Clima Temperado Diversas, então, criada, era constituído de 87 projetos abrangendo as seguintes espécies: pêssego, ameixa, abricó, cereja, maçã, pêra, nêspera, marmelo, figo, caqui, noz-pecã e noz-macadâmia.


Outro fato de grande importância às pesquisas frutícolas, foi a fundação do Fórum Paulista de Fruticultura, em Piracicaba, em 1951. Trata-se de uma associação de técnicos e de fruticultores que, ao longo dos anos, através de sucessivas reuniões, passou a dar decisiva contribuição ao desenvolvimento do programa de fruticultura de clima temperado no Estado de São Paulo.

A partir de 1953, o Instituto Agronômico e uma editora divulgaram os resultados experimentais obtidos com as espécies mais bem adaptadas que possibilitaram a elaboração de boletins e instruções práticas, trabalhos esses que tiveram grande influência na expansão dessas culturas em São Paulo:
1953 (2ª ed. 1966): Cultura do caqui – O. Rigitano;
1954 (2ª ed. 1961): Cultura da figueira – O. Rigitano;
1956 (2ª ed. 1962): Cultura do pessegueiro- O. Rigitano;
1957: O marmeleiro e sua cultura - O. Rigitano;
s/ data: Cultura da macieira – J.R.A. Santos Netto;
s/ data: Cultura da nogueira-pecã – Paulo V.C. Bittencourt;
s/ data: A Cultura da pereira – Euclides P. Guião.

A importância desses “pacotes tecnológicos” para o cultivo das principais fruteiras de clima temperado pode ser apreciada pela procura dessas publicações, algumas delas apresentadas em uma segunda edição.



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