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Centro de Cana


Tecnologias paulistas são transferidas para o México
Programa Cana IAC

Desde que foi organizado em forma de programa de pesquisa, na primeira metade da década de 90 do século passado, os projetos com a cultura da cana-de-açúcar desenvolvidos pelo Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, ganharam grande dinamismo e inserção na cadeia de produção mais importante do agronegócio paulista. Ao longo desses anos, as áreas de estudo foram ampliadas e novas linhas de pesquisa iniciadas, sempre com a inclusão de outros grupos de pesquisa nacionais e com o apoio imprescindível de técnicos e agrônomos da área de produção de associações e usinas, segundo Marcos Guimarães de Andrade Landell, pesquisador e líder do Programa Cana IAC. Com isso foi estabelecida uma grande rede experimental para o desenvolvimento varietal, que juntamente com outras ações, passaram a ter repercussão nacional e internacional. Como consequência desse trabalho, foram geradas 21 cultivares na última década, atraindo o interesse de grupos internacionais pelo trabalho do Programa Cana IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

No caso específico do México, os contatos começaram em 2004. Até 2007, o grupo Piasa, de caráter privado, fez várias visitas ao Centro de Cana e passou a conhecer o programa de melhoramento do Instituto. Em 2007, depois de fazer uma série de consultas aos representantes do setor (ORPLANA e UNICA), assim como ao então Ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, e ao então secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, João Sampaio, Landell partiu para a região de Veracruz a fim de entender um pouco da realidade da produção mexicana. Com a viagem, foi determinada a estratégia para o estabelecimento do projeto a partir de 2008. Para isso, além da introdução de variedades e clones IAC, por meio do projeto AMBICANA, o IAC caracterizou os principais solos da região mexicana, onde também fez um estudo de aptidão climática para a canavicultura. “Essas informações foram a ferramenta para a implantação do projeto de seleção regional na região do Estado de Veracruz, no México”, diz.

Criou-se, assim, uma matriz que incluía os diferentes solos e climas da região, estudados em três épocas de colheita. De acordo com Landell, essa estratégia já havia se mostrado eficiente em diversas localidades do Brasil para identificar as variedades mais adaptadas para cada região. "Nós definimos que não poderia ser apenas uma entrega dos materiais já existentes no Brasil, mas que deveríamos dar uma contribuição mais ampla, relacionada ao manejo varietal da cana-de-açúcar", diz Landell, sobre a adoção tecnológica dos pacotes IAC em condições mexicanas.

O interesse do grupo mexicano envolvia solução de problemas relacionados à produtividade, que lá atinge cerca de 55 toneladas por hectare, enquanto em São Paulo a média é de 85 toneladas/ha. Outro desafio está relacionado às doenças, especialmente a ocorrência de carvão, que é bastante acentuado nos canaviais mexicanos.

As tecnologias paulistas têm proporcionado, em áreas experimentais, significativos acréscimos de produtividade, atingindo em alguns ensaios, produtividade agrícola 50% superior às variedades mais cultivadas no México. Essa situação, que não é comum, está ocorrendo porque o país ficou muitos anos sem geração de tecnologia, especialmente novas variedades. Os materiais plantados atualmente têm mais de 40 anos de idade de hibridação. “No Brasil, os ganhos do melhoramento são da ordem de 1 a 2% por ano, conferindo grandes vantagens em se adotar de maneira sistêmica, o plantio de variedades mais modernas”, explica o pesquisador do IAC.

Algumas das variedades indicadas para o México são materiais já lançados no Brasil e que repetem em solos mexicanos a boa performance constatada em condições brasileiras. "Após cinco anos de trabalho, algumas variedades IAC que são importantes no Brasil se destacaram também em Veracruz e Oaxaca", diz Landell. Oaxaca é um Estado vizinho ao de Veracruz.

Para o Instituto, o acordo propicia acesso às informações sobre condições de produção não existentes no Brasil, facilitando a elaboração de importantes estratégias de estudos.

Histórico do acordo

Os contatos começaram em 2004. Até 2007, o grupo Piasa, de caráter privado, fez várias visitas ao Centro de Cana do IAC, em Ribeirão Preto, e passou a conhecer o programa de melhoramento do Instituto Agronômico. Depois veio o convite para que o pesquisador Marcos Guimarães de Andrade Landell fosse conhecer a canavicultura mexicana. Em 2007, então, Landell foi ao México e durante uma semana visitou campos e fez um diagnóstico da situação. As informações foram apresentadas a agricultores durante palestra, expondo a avaliação e os caminhos para ajudá-los. Diante do interesse do grupo, o Governo do Estado de Veracruz fez contato com o Governo de São Paulo a fim de estabelecer acordo de cooperação entre os dois Estados. O acordo de cooperação entre o Instituto Agronômico (IAC) - Governo de São Paulo e Governo do Estado de Veracruz, com apoio do Grupo PIASA, firmado pelos Secretários de Agricultura de São Paulo e de Veracruz, teve início em 2008, com a assinatura do documento na cidade de Veracruz.

O bom resultado dessa primeira fase indicou que o projeto deveria se estender por mais alguns anos, permitindo a elaboração de um pacote tecnológico a partir das variedades de melhor adaptação. Em abril de 2013, no Centro de Cana, em Ribeirão Preto, essa intenção foi discutida com a presença de sete representantes de associações de produtores mexicanos. A segunda etapa do projeto, que prevê a geração de pacote tecnológico para as condições edafoclimáticas do México, depende de novo termo de cooperação entre os governos e já está em trâmite. O novo termo deverá envolver o período de 2014 a 2018.

Primeiros resultados

Nos primeiros cinco anos do projeto foram treinados cerca de cinquenta técnicos e produtores de cana mexicanos no Centro de Cana, em Ribeirão Preto. Também foram enviadas para Veracruz e Oaxaca algumas dezenas de variedades e clones do Programa Cana para testes naqueles Estados mexicanos.

O resultado desse trabalho foi o pré-lançamento de cinco variedades – IACSP 96-7569, IACSP 95-5000, IACSP95-5094, IACSP 94-2101 e IAC 91-1099. O evento de lançamento ocorreu no dia 27 de novembro de 2013, em Veracruz, e no dia 28, em Tuxtepec, Oaxaca. Em cada um dos eventos houve participação de aproximadamente 300 pessoas, a maioria de produtores de cana. Estiveram presentes os pesquisadores do IAC, Marcos Landell, diretor do Centro de Cana e líder do programa de melhoramento, Ivan Antonio dos Anjos, coordenador e condutor do projeto no México, e Sérgio Augusto Morais Carbonell, diretor do Instituto Agronômico. Para os produtores mexicanos, o evento representa a modernização do setor, com a transição do período de variedades em uso há mais de 40 anos, com baixa produtividade e sujeitas a várias doenças e pragas, para a adoção de eficientes tecnologias paulistas.

Assessoria de Imprensa – IAC
midiaiac@iac.sp.gov.br


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