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Centro de Café "Alcides Carvalho"


Produtos e Serviços

A Lista de Cultivares registrados no Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC), do Ministério da Agricultura, podem ser acessados por meio da seguinte listagem abaixo (período 01/01/1998 a 18/08/2003)

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Os Cultivares do Café

Durante quase 70 anos de ininterruptas pesquisas com genética e melhoramento do cafeeiro, Instituto Agronômico desenvolveu dezenas de cultivares e linhagens de café e acumulou extenso conhecimento sobre suas características e comportamento nas diversas regiões brasileiras. Avalia-se, hoje, que mais de 90% dos estimados 4 bilhões de cafeeiros, cultivados no Brasil, sejam provenientes desses trabalhos. Alguns cultivares fazem parte da história da cafeicultura nacional tendo-se constituído nos alicerces da nossa produção durante décadas. Da mesma forma, outros são a base da cafeicultura de países, especialmente da América Central, como os cultivares Bourbon Vermelho, Caturra Vermelho, Caturra Amarelo e Catuaí Vermelho.

Houve sempre destaque especial para o desenvolvimento de material de alta produtividade e rusticidade, que fosse adaptado às mais diversas condições edafoclimáticas e se destacasse pelas características específicas, resultando em múltiplas opções para as variadas situações da cafeicultura nacional.

Os cultivares de porte baixo como Catuaí Amarelo e Catuaí Vermelho modificaram sistemas de produção, permitiram a utilização de novas áreas para a cafeicultura, aumentando a lucratividade e mesmo viabilizando seu cultivo em regiões outrora improdutivas, como extensas áreas dos cerrados em São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Mesmo cultivares de porte alto como linhagens de Mundo Novo e Acaiá também têm tido bastante êxito nessas regiões.

O cultivo de material com resistência à ferrugem - Icatu Vermelho, Icatu Amarelo, Icatu Precoce, Obatã e Tupi - representa considerável economia para o produtor, diminui a poluição ambiental, bem como os riscos para a saúde dos agricultores e consumidores. Obatã e Tupi, de porte baixo, são especialmente indicados para plantios adensados ou em renque, atendendo às mais modernas tendências da cafeicultura brasileira.

O porta-enxerto Apoatã é um tipo de café robusta (Coffea canephora), selecionado para resistência aos nematóides, sobretudo para viabilizar o retorno da cafeicultura às regiões da Alta Paulista, Noroeste e Alta Araraquarense. Sua importância socioeconômica é evidente, considerando-se que Apoatã pode também ser cultivado no oeste do Estado de São Paulo e no Vale do Ribeira, como pé franco, produzindo assim matéria-prima para atender diretamente à indústria de café solúvel.

Bourbon Amarelo

Por ser mais precoce que Mundo Novo, Catuaí Vermelho e Catuaí Amarelo, o cultivar Bourbon Amarelo, apesar de menos produtivo que os anteriores, poderá ser indicado para plantio quando se deseja:

a) Uma colheita precoce, em parte da lavoura, o que possibilita melhor utilização de mão-de-obra e máquinas agrícolas.

b) Produzir café em regiões de maior altitude ou mais frias, onde a maturação do Mundo Novo e principalmente do Catuaí se torna muito tardia, coincidindo com novo florescimento, o que prejudica a produção do ano seguinte.

c) Obter café de qualidade de bebida superior, sobretudo visando ao mercado de "cafés gourmet" ou atender a demandas especiais.

Mundo Novo

As diversas linhagens do cultivar Mundo Novo possuem elevada capacidade de adaptação, produzindo bem em quase todas as regiões cafeeiras do Brasil. É preferencialmente indicado para plantios largos (3,80-4,00m x 0,80-1,00m). Em razão de seu grande vigor vegetativo, o espaçamento para o sistema adensado com esse cultivar deverá ser maior que o normalmente utilizado com cultivares de porte baixo. Por ter ótima capacidade de rebrota, são especialmente indicados para os sistemas em que se utiliza a recepa ou o decote para reduzir a altura das plantas. Dentre as linhagens de Mundo Novo, IAC 376-4, IAC 379-19, IAC 464-12 e IAC 515-20 são as que melhor se adaptam ao plantio adensado, caso o cafeicultor faça opção a este sistema de cultivo.

Acaiá

As linhagens do cultivar Acaiá também têm boa capacidade de adaptáção às diversas regiões cafeeiras do Brasil e podem ser especialmente indicadas para o plantio adensado, pois apresentam ramos laterais curtos e maturação uniforme. O espaçamento 2,00 x 0,50m tem sido muito utilizado em plantios adensados e 4,00 x 0,50m nos que permitem mecanização. Outra característica que o diferencia são as sementes, maiores que as do Mundo Novo e suas linhagens. É um cultivar especialmente indicado quando se pretende utilizar colheita mecânica.

Catuaí Vermelho e Catuaí Amarelo

As linhagens dos cultivares Catuaí Vermelho e Catuaí Amarelo têm ampla capacidade de adaptação, apresentando produtividade elevada na maioria das nossas regiões cafeeiras ou mesmo em outros países. De baixa estatura, permitem maior densidade de plantio, tornam mais fácil a colheita e mais eficientes os tratamentos fitossanitários. Esses cultivares já produzem abundantemente logo nos dois primeiros anos de colheita. Por isso, necessitam de cuidadoso programa de adubação.

lcatu Vermelho e lcatu Amarelo

Esses cultivares têm sido plantados em quase todas as regiões cafeeiras do Brasil. Trata-se de material de porte alto, muito vigoroso e de excelente capacidade de rebrota quando submetido à poda. O espaçamento para o plantio é semelhante ao indicado para o 'Mundo Novo', cujas linhagens não admitem plantios muito adensados (não deve ser inferior a 3,00m entre linhas e de 0,80 a 1,00m entre plantas), dependendo da região. Embora algumas linhagens se mostrem bem adaptadas a regiões de altitude, outras constituem-se em boa opção para regiões mais baixas e quentes que, no geral, são marginais para o plantio de outros cultivares. Tem resistência variável à ferrugem.

lcatu Precoce

Por apresentar maturação precoce, lcatu Precoce (IAC 3282) é indicado para o plantio em regiões de maior altitude, desde que observadas condições especiais de manejo. Poderá ser utilizado também em espaçamentos adensados. Trata-se de um cultivar de grande uniformidade, frutos amarelos e excelente qualidade de bebida. Tem resistência variável à ferrugem.

Obatã e Tupi

São cultivares de porte baixo, resistentes à ferrugem e preferencialmente indicados para plantios adensados ou em renque (2,00-3,00m x 0,50-0,80m). Suas sementes são maiores que as dos cultivares Catuaí Vermelho e Catuaí Amarelo e há vários anos vêm sendo distribuídas experimentalmente pelo IAC a muitos cafeicultores e instituições de pesquisa. Têm apresentado excelentes produções e grande rusticidade, razão pela qual seu plantio tem-se expandido rapidamente.

Apoatã

Trata-se de material pertencente à Coffea canephora e indicado como porta-enxerto para qualquer um dos cultivares de café arábica recomendados para o plantio. As mudas enxertadas são indicadas para áreas infestadas com os nematóides Meloidogyne exigua, M. incognita e M. paranaensis. Cafeeiros enxertados poderão também ser plantados em áreas isentas de nematóides, muitas vezes com significativo ganho de produtividade e rusticidade em relação aos mesmos cultivares não enxertados.

Por ser um cultivar vigoroso, produtivo, rústico, de sementes graúdas, pouca porcentagem de moca, além da resistência aos nematóides das raízes e à ferrugem das folhas, o Apoatá está sendo empregado como um cultivar de café robusta para o oeste do Estado de São Paulo (Alta Paulista, Noroeste e Alta Araraquarense) e Vale do Ribeira, em regiões com altitudes inferiores a 500m e temperaturas médias superiores a 220C, com perspectivas bastante promissoras.

Características de cultivares e algumas linhagens de café desenvolvidas e lançadas pelo Instituto Agronômico (IAC).

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