Ocorrência de Urucum no Estado de São Paulo

 

Eliane Gomes Fabri [1]

Carolina Soares Iatesta [2]

Amarílis Rós-Gola [3]

Juliana Rolim Salomé Teramoto [4]

 Angélica Prela-Pantano [5]

 

 

O urucum (Bixa orellana L.) pode ser encontrado em diferentes regiões do mundo, com vasta sinomínia vulgar: Arnoto em Ceilão; Atole, Achiote, Bija, no Peru e em Cuba; Axiote, no México; Achiote, Achote, Anatto, Bija em Santo Domingo e Porto Rico; Ditaque e Kifasu em Angola; Bixa na Guiana; Orleans Laum na Alemanha; Roucou e Roucoyer na França; Analto em Honduras; Guajachotte em El Salvador; Onotto e Anatto-tree na Inglaterra; Urucu na Argentina; Koessewee no Surinami; Urucum, urucu, açafrão, açafroa e açafroeira da terra no Brasil, ocorrendo em todas as regiões brasileiras. Sua disseminação em várias partes do mundo está relacionada com a procura por corante natural na utilização das indústrias de medicamentos, cosméticos, têxtil e principalmente alimentar (FRANCO et al.,2008).

O urucum é a mais importante fonte de corante natural empregada na indústria de alimentos, correspondendo em torno de 90% do total de consumo de corantes naturais no Brasil e em torno de 70% de corantes naturais mundialmente empregados em alimentos (Conto et al., 1991).

O cultivo do urucum em escala comercial no Estado de São Paulo ocorreu no início da década de 1980, em um processo de culturas alternativas em substituição a lavoura de café que estava em decadência, por vários motivos. O urucum é uma cultura que vem conquistando importância econômica em função do corante natural que se extrai da semente conhecido por bixina (APTA, 2008).

No Brasil o urucum (Bixa orellana) é uma espécie economicamente importante e ocorre em todas as regiões brasileiras e sua disseminação em diversas regiões do mundo está relacionada com a procura por corante natural pelas indústrias de medicamentos, cosméticos, têxteis e principalmente alimentar. Suas sementes possuem um arilo pastoso rico em carotenóides (ROSALEN, D.L.; SIMÃO, S. e HAAG, H.P. 1991). Estes carotenóides são substitutos interessantes dos corantes sintéticos, daí a importância dessa cultura, para o Estado de São Paulo maior produtor mundial.

No Estado de São Paulo a cultura está presente praticamente em todas as regiões, mas a sua concentração ocorre na região da Alta Paulista localizada na região oeste do Estado. É a principal região produtora de urucum do mundo, com destaques para o município de Monte Castelo, São João do Pau D’Alho, Tupi Paulista e Junqueirópolis, em número de produtores e área cultivada. É importante ressaltar que a cultura ocorre principalmente no âmbito da agricultura familiar, cumprindo uma função sócio-econômica de grande expressão para a região produtora.

O objetivo do presente trabalho foi diagnosticar a ocorrência da cultura do urucum  no Estado de São Paulo, através da coleta dessas informações publicadas em dados oficiais. A coleta desses dados ocorreu no período de outubro de 2007 a abril de 2008, através de consultas ao Banco de dados do LUPA/CATI, (1995/1996; 2000/2001 e 2005/2006) e Banco de dados do Instituto de Economia Agrícola no mesmo período, todos Institutos da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Utilizou-se de um questionário onde as seguintes informações foram solicitadas: Quais são os municípios produtores? Qual o número de produtores por município? Qual a área cultivada por município? Essas questões foram realizadas para os três períodos acima relacionados, podendo assim fazer uma caracterização da cultura. 

Observou-se nesse levantamento que o urucum ocorre praticamente em todas as regiões do Estado de São Paulo. Em área de cultivo comercial e com grande expressão apenas na região da Alta Paulista, para todos os períodos analisados, sendo a principal região produtora do estado, com 72% da área de cultivo. Ressalta-se, aqui principalmente a região do Escritório de Desenvolvimento Regional de Dracena, seguido pela região do Escritório de Desenvolvimento Rural de Barretos com 8% e depois pela região do Escritório de Desenvolvimento Rural de Ourinhos com 3%. Com relação a área plantada e ao número de produtores os municípios de Monte Castelo e São João do Pau D’Alho tem se alternado ao longo desse período na primeira posição. Os dados de 2005/2006 mostraram que Monte Castelo tem 77 produtores correspondendo ao maior número no estado, enquanto que o município de São João do Pau D’Alho tem 70 produtores e a maior área com cultivo de urucum 691 hectares. Observou-se também que mais de 80% das áreas são áreas que caracterizam de agricultura familiar. Um outro dado importante que não foi evidenciado nos dados do IEA, assim como no Lupa são as áreas de cultivo de urucum nas áreas de assentamentos agrários do Estado de São Paulo. Observou-se que em alguns municípios em que se plantava urucum no período de 1995/1996 atualmente já não é mais produtor e em alguns que não plantavam anteriormente hoje tem urucum. Quando é citado por escritório de desenvolvimento rural (EDR), observa-se que em 2005/2006 o cultivo do urucum está presente em 50% dos escritórios regionais e assim destacando a importância dessa cultura no Estado de São Paulo.

 

 

LITERATURA CITADA

FRANCO, C.F. de O.; FABRI, E.G.; NETO, M.B.; MANFIOLLI, M.H.; HARDER, M.N.C.; RUCKER, N.G. de A. Urucum: Sistemas de Produção para o Brasil. João Pessoa: Emepa, Apta, 2008. 112p.

CONTO, W.L. do; OLIVEIRA, V.P.; CARVALHO, P.R.N.; GERMER, S.P.M. Estudos econômicos de alimentos processados. Campinas: ITAL-Instituto de Tecnologia de Alimentos. 1991. 65p.

CATI – Coordenadoria de Assistência Técnica Integral. 2007. 10 de outubro. Disponível em: http://www.cati.sp.gov.br/Cati/_servicos/lupa/lupa.shtml 1995/1996.

CATI – Coordenadoria de Assistência Técnica Integral. 2007. 10 de outubro. Disponível em http://www.cati.sp.gov.br/Cati/_servicos/lupa/lupa.shtml 2000/2001.

CATI – Coordenadoria de Assistência Técnica Integral. 2007. 10 de outubro. Disponível em http://www.cati.sp.gov.br/Cati/_servicos/lupa/lupa.shtml 2005/2006.

APTA – Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios. 2007, 29 de março. A cultura do urucum. Disponível em: http://www.aptaregional.sp.gov.br/artigo.php?id_artigo=493

ROSALEN, D.L.; SIMÃO, S. e HAAG, H.P. 1991. Considerações sobre a culturado urucum ( Bixa orellana L.). Informativo Técnico nº.12-ESALQ/USP. p.39.

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1
Pesquisador Científico do Instituto Agronômico de Campinas – Centro de Horticultura. Av. Barão de Itapura, 1481, Caixa Postal 28, CEP:13012-970, Campinas-SP. E-mail: efabri@iac.sp.gov.br
2
Estagiária do Instituto Agronômico de Campinas-Centro de Horticultura

3Pólo Regional Alta Sorocabana-Presidente Prudente-SP
4Pólo Regional Centro Sul-Piracicaba-SP

5Instituto Agronômico de Campinas-Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Ecofisiologia e Biofísica.