|
CULTURAS DE COBERTURA E NITROGÊNIO EM PLANTIO DIRETO
Coordenador: PqC Sandro Roberto Brancalião Eng.oAgr.o Pesquisador Científico – IAC/APTA/SAA – Programa de Pesquisa SPDireto
Principalmente nas condições em que o inverno é seco e os verões quentes e úmidos, o sistema plantio direto (SPD) com pouca cobertura morta não é tão eficiente no controle da erosão e na melhoria da qualidade do solo. A manutenção do solo coberto previne o impacto direto da gota da chuva ou de irrigação, mantendo a funcionalidade da estrutura que favorece a infiltração da água e diminui o volume e a velocidade de escoamento superficial da enxurrada. A palhada mantém a umidade e a temperatura adequadas para a meso/macro- fauna e a manutenção da matéria orgânica no solo. A manutenção da cobertura do solo e a produção de grande quantidade de fitomassa no outono-inverno ainda é um desafio no SPD, entretanto requer manejo adequado da fitomassa com relação às plantas de cobertura, especialmente a sensibilidade ao fotoperiodismo (dias curtos, onde tomando como exemplo o milheto floresce antecipadamente e se bem manejado pode aportar quantidades gradativas de palha no sistema, mesmo na safrinha).
Figura 1. Milheto no florescimento, o manejo é recomendado com 50 % de panículas. O nitrogênio é o macronutriente que mais contribui para o crescimento das plantas. Sendo assim, quando aplicado em pré-florescimento, resulta no aporte de quantidades consideráveis de fitomassa em cobertura no sistema de sucessão de culturas. O nitrogênio também é parte da matéria orgânica do solo e elemento importante na sua dinâmica. O aumento da matéria orgânica do solo depende do nitrogênio estar sempre disponível no sistema, condicionando ótima relação C/N do solo, geralmente girando em torno de 12:1. Os resíduos orgânicos diminuem a densidade do solo e criam poros de tamanho grande que favorecem a entrada de ar e a drenagem d’água. As raízes e os micélios de fungos criam uma rede que favorece a estabilidade dos agregados, os quais aumentam em número na presença de gramíneas e quando o solo não é perturbado. O efeito combinado de plantas de cobertura e nitrogênio está sendo estudado em experimento implantado em Campinas no Centro Experimental do Instituto Agronômico (IAC), no Pólo Regional da Alta Mogiana (PqC Marcelo Ticelli), em Colina, desde 2006 e no Pólo Regional do Sudoeste Paulista (PqC Edison Ulysses Ramos), em Capão Bonito, implantado neste ano de 2008. Futuramente serão instalados os mesmos tratamentos em Pindorama sob a supervisão do PqC Everton Finoto.
Figura 2. Implantação da área experimental com a veia branca IAC-7. Com a utilização de plantas de cobertura no outono-inverno ou na primavera, tem o objetivo de estudar em longa duração a dinâmica da matéria orgânica e suas implicações na qualidade física do solo, bem como na sustentabilidade de culturas de grãos no verão (soja ou milho). Esse projeto teve o apoio e financiamento da FUNDAÇÃO AGRISUS e será implantado em também outros locais. Os tratamentos são: (T1) uma gramínea sem aplicação de nitrogênio em cobertura; (T2) e (T3) uma gramínea que recebe, respectivamente, 30 e 60 kg ha-1 de nitrogênio em cobertura, usando como fonte o nitrato de amônio; (T4) uma opção de planta com baixo aporte de fitomassa (Inserir Figura 3), preferencialmente uma leguminosa, no mínimo a cada dois anos e (T5) pousio, como testemunha.
Figura 3. Coquetel de aveia branca, milheto e nabo forrageiro A aveia, embora tenha proporcionado maior cobertura do solo, não condicionou maior produtividade da soja na sua maior dose de N. Uma explicação para a menor produtividade é a imobilização do N que foi aplicado em cobertura. Em contrapartida, o sorgo, na dose de 60 kg.ha-1 condicionou maior produtividade de soja em resposta linear, o que acarretaria um ganho expressivo ao produtor: aproximadamente 45 sacas por hectare.
O milheto ADR-300, semeado em agosto em Campinas, proporcionou maior cobertura do solo, juntamente com a aveia branca e o sorgo Santa Elisa, entretanto este último refletiu maior produtividade para a soja.
Figura 4. Soja IAC-23 sobre palhada de Triticale IAC-2. Houve um incremento de 0,5% de do conteúdo de MOS, desde a instalação do experimento, ou seja, da média de 31 gramas por dm-3 na superfície a MOS assumiu um valor médio 36 gramas por dm-3, revelando um acúmulo de cinco gramas por dm-3, para um Latossolo com 60% de argila. Nesses ensaios com plantas de cobertura utilizou-se: milheto, sorgo Santa Elisa, triticale, capim Sudão, aveia branca, chícharo, crotalária, mucuna cinza e o.coquetel, composto de 40 % de aveia branca, 30% de milheto e 30% de nabo forrageiro. Sempre o pousio (plantas espontâneas) apresentou menor massa seca e menor cobertura do solo. E isso está se refletindo também na produção da soja no verão, que é sempre menor depois desse tratamento. O desenvolvimento do chícharo no primeiro ano (2005), foi excelente com relação à cobertura do solo, com média de 70% de solo recoberto, entretanto produziu os menores valores de massa seca. A crotalária e o coquetel (na competição o milheto ficou para trás) tiveram um desenvolvimento intermediário, destacando-se a mucuna cinza com maior aporte de fitomassa. O triticale (IAC-2) produziu cinco t ha-1,apresentando visívelmente um excelente supressão de plantas daninhas. A cultura de cobertura que proporcionou maior massa seca e produtividade para soja nos dois anos agrícolas estudados foi o sorgo Santa Elisa, na maior dose de nitrogênio. Já em Colina, o milheto também na maior dose de N, destacou-se quando comparado a crotalária e ao pousio, permanecendo no campo de maio a dezembro de 2007, tendo a soja como cultura subseqüente. Vale ressaltar, que o milheto em Colina recebeu em junho apenas uma chuva de 30 mm para sua germinação, emergência e pleno desenvolvimento, atravessando um período seco de primavera neste mesmo ano. Grande parte das vantagens do SPD está relacionada à quantidade de fitomassa disponível para a cobertura do solo e a dificuldade de produção e persistência dessa palha no sistema é um dos entraves na consolidação desse manejo conservacionista do solo no Estado de São Paulo. Em levantamento recente realizado pelo Rally da Safra, foi observado que as principais culturas utilizadas pelos produtores na formação de palhada são: milho, milheto e a aveia, e que a adoção das braquiárias vem também crescendo. Nota-se uma preferência pelas gramíneas, por causa das vantagens que apresentam como visto nesse trabalho. Mas não se pode esquecer que um das premissas do SPD é a rotação de culturas, e plantas leguminosas ou de outras famílias devem fazer parte do sistema adotado pelo produtor.
Figura 5. Soja IAC-23 em área total, cultivada sobre os tratamentos
estudados em Campinas.
Figura 6: Semeadura do sorgo Rosseto, sobre palhada de soja em Colina
Figura 7. Capão Bonito com tremoço: instalação de um dos tratamentos
Equipe Técnica:
Cássia Regina Limonta Carvalho (Fitoquímica - IAC); Edison Ulisses Ramos Júnior (Fitotecnia - Apta Regional); Elaine Bahia Wutke (Leguminosas - IAC); Everton Luis Finoto (Fitotecnia - Apta Regional); Heitor Cantarella (Fertilidade do Solo - IAC); Isabella Clerici De Maria (Conservação do Solo - IAC); Ivana Marino Barbaro (Soja - Apta Regional) José Guilherme de Freitas (Fitotecnia - IAC); Marcelo Ticelli (Fitotecnia - Apta Regional); Sandro Roberto Brancalião (Manejo e Física do Solo - IAC); Sonia Carmela Falci Dechen (Conservação do Solo - IAC).
|