O Agronômico, 51(2/3), 1999
A homenagem da Academia Brasileira de Ciências
Fui incumbido pelo Dr. Eduardo Moacyr Krieger, presidente da Academia
Brasileira de Ciências, de representar a Academia nesta sessão
de homenagem ao Instituto Agronômico, o IAC, que todo o mundo,
literalmente, conhece. E não poderia deixar de dizer algumas
coisas talvez um pouco pessoais demais, que não refletem obrigatoriamente
a posição do Presidente da Academia.
Comecei a freqüentar o IAC
há meio século quando, preparando-me para a minha Livre
Docência em Piracicaba, eu lá ia quase todas as semanas
buscar literatura na sua excelente biblioteca. E nessa Livre Docência,
em 1951, um ex-diretor do IAC, o Dr. José Elias de Paiva Neto,
foi membro da Comissão Julgadora. Em 1964, como Diretor da
Escola Agrícola, comecei a Pós-graduação
em Piracicaba, o que teria sido impossível sem a colaboração
de colegas da Secretaria de Agricultura, particularmente de Campinas.
Depois, com o tempo, tive
a sorte de conhecer alguns dos pesquisadores do IAC. Para não
errar por omissão, vou lembrar-me apenas dos que já
estão "dormindo profundamente", no dizer do poeta: Carlos Arnaldo
Krug, Hermindo Antunes e Alcides Carvalho, sem os quais a cafeicultura
brasileira e a de outros países não seria o que é;
Hermano Gargantini e Fernando Soares Coelho, que deram à fertilidade
do solo a atenção merecida; Coaraci Moraes Franco, a
quem se deve o plantio do cafeeiro a pleno sol; Álvaro Santos
Costa e Sylvio Moreira, que resolveram os problemas fitossanitários
dos citros de sua época – outros apareceram depois ou retornaram;
Jacob Bergamin, que conseguiu esclarecer a biologia da broca do café,
base para seu controle; Glauco Pinto Viégas, um dos primeiros
a usar a genética tradicional para fazer milho híbrido;
Ahmés Pinto Viégas, seu irmão, que não
foi nem pesquisador, nem cientista, mas simplesmente um sábio;
Osvaldo da Silveira Neves, na esteira de Cruz Martins, que apresentou
a cultura do algodoeiro como opção para compensar a
crise cafeeira.
Que dizer deles? Mário
Schemberg, com sua irreverência, costumava dizer que "a universidade
- eu acrescentaria as agências financiadoras de pesquisa - usa
o instrumento errado para avaliar o mérito, a balança
em vez da peneira". A contribuição dos homens que mencionei
não se mede em páginas de papel impresso. Mede-se na
riqueza e no bem-estar que trouxeram para o Brasil e às vezes
para outros países. Deles pode-se dizer, parafraseando Winston
Churchill, "nunca tantos deveram tanto a tão poucos".
Eurípedes
Malavolta
Engenheiro agrônomo, professor aposentado da Escola Superior
de Agricultura "Luiz de Queiroz"/USP e professor colaborador no Centro
de Energia Nuclear na Agricultura - CENA.