O Agronômico, 51(2/3), 1999


Aprimorando a agricultura nacional 
       Às vésperas do ano 2000, os Institutos de Pesquisa têm uma importância cada vez maior no desenvolvimento tecnológico do País. São os Institutos que canalizam os estudos que resultam na modernização dos sistemas de produção, sejam eles industriais ou agrícolas, embora, no setor rural, a necessidade de investimentos em pesquisas seja maior. 
      O produtor brasileiro enfrenta uma concorrência voraz de produtos importados de países que subsidiam fortemente a agricultura, ao contrário do Brasil, que maltrata seus produtores com a falta de uma política agrícola decente e com uma carga tributária escorchante. Enquanto produtores europeus pagam, em média, 7 % de impostos, nós brasileiros arcamos com uma taxa absurda de 33 %. Diante de tanta discrepância, para fazer frente aos importados precisamos de novas tecnologias que possibilitem três itens fundamentais para garantir nossa competitividade: redução dos custos com os processos de produção e comercialização, aumento da produtividade e melhoria da qualidade. 
      A abertura do mercado também trouxe uma nova situação. Hoje o consumidor está muito mais consciente e exige produtos cada vez melhores, mais bem apresentados e, principalmente, mais baratos. Além disso, os tempos atuais trazem outra questão importante ao setor agropecuário. Os alimentos precisam ser ecologicamente corretos, ou seja, sua produção no campo não pode, em hipótese nenhuma, agredir o ambiente. Embora, no contexto geral estejamos atrasados em relação ao desenvolvimento tecnológico, vale destacar a atuação dos Institutos de Pesquisa. Mesmo com todas as dificuldades eles desenvolvem um trabalho excepcional, facilitando a adaptação da produção agrícola brasileira às necessidades do mercado. 
       Destaque especial ao Instituto Agronômico, que trabalha para gerar e transferir ciência e tecnologia para o agronegócio, visando à otimização dos sistemas de produção vegetal e animal e ao desenvolvimento socio-econômico com qualidade ambiental. As tecnologias geradas pelo IAC oferecem suporte complexo ao produtor rural. O quê, quando e onde plantar, como melhorar o solo e protegê-lo ou como produzir economicamente sem causar danos ao ambiente são algumas das ações desenvolvidas pelos seus técnicos. Esse trabalho desenvolvido pelo IAC proporciona uma cômoda posição ao Estado de São Paulo na produção de alimentos. 
        Atualmente, o Instituto Agronômico pesquisa sistemas de produção de mais de cem tipos de plantas. Essa iniciativa, que começou em 1887, tem garantido a oferta de alimentos à população e de matéria prima às indústrias, aumentando a competitividade dos produtos agrícolas. Todo o café cultivado no Brasil foi desenvolvido nos campos de experimentação do IAC e em seus laboratórios. A farinha de diferentes tipos de trigo utilizada na produção de pão e de biscoitos, também. O chocolate, o chá, os cereais, o açúcar e a geléia são provenientes de plantas melhoradas pelo IAC. 
       A produção diversificada de frutas dos mais diferentes climas também é possível em São Paulo, devido às pesquisas do Instituto. Até mesmo produtos de origem animal têm influência do seu trabalho, por intermédio da melhoria das pastagens e dos componentes básicos das rações. Resumindo, esse trabalho brilhante do IAC permite a introdução e adaptação de novas variedades, além do melhoramento genético e da diversificação de culturas, criando novas opções para os produtores e atendendo à crescente exigência dos consumidores. 
      Assim, como agricultor, líder rural, homem público e, acima de tudo, cidadão brasileiro, parabenizo todos os Institutos de Pesquisa do País, simbolizados pelo IAC, que continua sendo um verdadeiro pólo irradiador de tecnologia, colaborando para o desenvolvimento pleno da atividade agropecuária brasileira. 

Junji Abe 
Deputado estadual pelo PSDB, diretor da Federação de Agricultura do Estado de São Paulo e presidente do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes.