O Agronômico, 51(2/3), 1999


IAC 103 espada vermelha: cultivar de mangueira de dupla utilidade

       Na Estação Experimental de Agronomia de Mococa do Instituto Agronômico, a partir de plantas obtidas de sementes do cultivar Carabao, originário das Filipinas e mundialmente famoso, foi selecionado um novo cultivar de mangueira: o IAC 103 Espada Vermelha. Por ter sido derivado de polinização aberta, o pai é variedade desconhecida, mas é provável, no entanto, que seja a mangueira ‘Itamarati’, com a qual tem semelhanças e estava plantada ao lado da árvore-mãe Carabao.  A obtenção desse cultivar envolveu uma equipe multidisciplinar do IAC, formada pelos pesquisadores Paulo Boller Gallo, Carlos Jorge Rossetto, Ivan José Antunes Ribeiro, Cássia Regina Limonta Carvalho, Nelson Bortoletto, Josalba Vidigal de Castro, Osvaldo Paradela Filho, José Carlos Sabino, Antonio Lúcio Mello Martins, Nilberto Bernardo Soares, Luiz Henrique Carvalho e Luís Cláudio Paterno Silveira. 
     A mangueira ‘Espada Vermelha’ é precoce, com período de colheita semelhante ao do cultivar Haden.  Produz com regularidade, não apresentando alternância bianual de produção que ocorre em algumas variedades.   Os frutos, embora lembrem os do cultivar Espada, o que justifica seu nome, deles diferem pelo menor grau de fibra na polpa e pelo tom avermelhado da casca. Na Bahia, a variedade de manga Bourbon é conhecida como Espada, mas seu sabor é bem distinto da Espada Vermelha. 
    Os frutos apresentam boa aparência, coloração amarela ou amarelo-avermelhada, formato oblongo, tamanho pequeno, apresentando, em média, peso de 283 g, 12,2 cm de comprimento, 6,7 cm de largura e 5,9 cm de espessura. O caroço é pequeno, apresentando, em média, 35 g de peso, 10 cm de comprimento, 3,8 cm de largura e 1,9 cm de espessura.   A casca, que representa em média 11,35% do fruto, é aderente à polpa.   A polpa constitui em média 79,38% do fruto e apresenta coloração amarela, pouca fibra e bom sabor. Apresenta brix de 18,4% e acidez de 0,27%, resultando numa relação brix/acidez igual a 68. 


IAC 103 Espada Vermelha: manga bonita e gostosa.

    O IAC 103 Espada Vermelha é resistente aos dois biótipos conhecidos de Ceratocystis fimbriata, fungo causador da seca-da-mangueira: o IAC FITO 334-1, não patogênico a Jasmin e Kent, e o IAC FITO 4905, patogênico às duas variedades.    Tem resistência moderada ao oídio, mas é suscetível à mal-formação causada por Fusarium sacchari e à antracnose.   Em virtude de sua precocidade apresenta boa evasão hospedeira à mosca-das-frutas.   Os frutos pendentes da copa, típicos deste cultivar, ficam expostos ao sol e isso desfavorece a infestação da mosca-das-frutas, que prefere atacar aqueles que se encontram à sombra.   A inflorescência é cônica, longa, tortuosa, de coloração vermelha, apresentando, em média, 41 cm de comprimento e 20 cm de largura na base. 
    O IAC 103 Espada Vermelha é um cultivar de dupla utilidade, podendo ser usado para a produção precoce de frutos e como porta-enxerto, por ser resistente à seca-da-mangueira e produzir sementes poliembriônicas.  Em função de sua precocidade, oferece boa perspectiva de utilização em regiões quentes como as do Noroeste do Estado de São Paulo, para produção antecipada das frutas, sob condição de irrigação e aplicação de técnicas para antecipação do florescimento. 

Paulo Boller Gallo e Carlos Jorge Rosseto 
IAC - Estação Experimental de Agronomia de Mococa e Núcleo Experimental de Campinas

fone (19) 656-0200 e (19) 241-5188 ramal 333.

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