O Agronômico, 51(1), 1999

MOTOSSERRA: MÉTODOS DE TRABALHO

         Se há na propriedade rural uma ferramenta versátil, de múltiplas utilidades, esta é, sem dúvida, a motosserra. Com ela podem-se cortar árvores, cortar lenha, podar arbustos, cortar manivas de mandioca para plantio e realizar pequenos trabalhos domésticos e de carpintaria. 
        Na atividade florestal, os trabalhos que normalmente se realizam com motosserra estão relacionados com as fases do trabalho: abate, desrama e traçagem (ou traçamento). O abate é a derrubada da árvores por corte; a desrama ou degalhamento é o corte dos galhos de uma árvore abatida e a traçagem é o corte da árvore abatida em toras. 
        Técnicas para conduzir o abate. A primeira coisa a fazer antes de abater a árvore é estudar a sua caída natural, isto é, verificar em que direção está propensa a cair, levando-se em conta a inclinação do terreno, a inclinação do tronco e a distribuição desigual dos galhos da copa. Entretanto, se houver possibilidade de a árvore cair sobre árvores jovens ou sobre árvores já abatidas ou outra situação, não se deve utilizar a direção natural de queda da árvore. Assim, a direção de caída deverá ser selecionada, utilizando-se os recursos disponíveis, como alavancas, ganchos etc. 
        A preparação do terreno próximo ao tronco é importante par evitar obstáculos ao corte, bem como permitir o afastamento rápido do operador quando a árvore começar a cair. A preparação do tronco inclui suprimir os ramos baixos que dificultem o corte, fazendo-se a desrama de cima para baixo e nunca acima da altura dos ombros. 
        A operação de abate é executada com três cortes de serra. Busca-se primeiro separar do tronco uma cunha de madeira, o que é feito com dois cortes: direcional superior e inferior. Sé então se faz o terceiro corte, o de abate. 
        A execução dos cortes direcionais começa fazendo-se o corte superior, inclinado, com o operador posicionado no lado direito da árvore e serrando com a corrente "a puxar", isto é, de cima para baixo. A seguir, é feito o corte inferior, horizontal, que deve terminar exatamente onde o corte superior termina. A profundidade do corte direcional dever se de ¼ do diâmetro do tronco e o ângulo entre o corte superior e o corte inferior deve ser de pelo menos 45º. O encontro dos dois cortes é chamado de "linha de corte direcional", a qual deverá situar-se em posição horizontal, formando um ângulo de 90º com a direção da queda selecionada. 
        Para a execução do corte de abate, ilustrado na figura 2, o operador deve posicionar-se à esquerda da árvore e serrar horizontalmente o outro lado da árvore a uma distância de cerca de 3 a 5 cm acima do plano horizontal do corte direcional. Este corte não deve chegar até o corte direcional, devendo manter uma distância de cerca de 1/10 do diâmetro do tronco. A parte não serrada do tronco se chama linha de ruptura, que funciona como uma dobradiça comandando a direção de queda da árvore. Ao fazer-se o corte de abate, usar aceleração total e penetrar devagar o sabre na árvore, observando se a árvore não se move no sentido contrário à direção de queda escolhida. A introdução de uma cunha no corte de abate ajudará a direcionar a queda. 
        Técnica para conduzir a desrama. A desrama, ou desgalhamento (Figura 3), deve realizar-se desde a base do tronco (onde se situam os galhos mais grossos) até seu topo, estando o motosserrista posicionado ao lado da árvore e não sobre o tronco. Antes da desrama, observar o caimento da árvore e se está apoiada sobre galhos fortes. 
        Os galhos grossos laterais, que suportam parte do peso do tronco, devem ser cortados de metro em metro, a partir de seu ápice, terminando o último corte sobre o tronco. Os galhos grossos situados na parte superior se corta a um metro de sua inserção no tronco, dando-se, a seguir, o corte final. Os galhos grossos situados na parte inferior e que agüentam o peso da árvore, são cortados na inserção com o tronco. 
        Técnica para conduzir a traçagem. A traçagem do tronco é importante do ponto de vista comercial, já que deve-se aproveitar ao máximo a madeira útil. Para a traçagem, é preciso levar em consideração a forma de apoio do tronco. 
        No caso do tronco estar bem assentado sobre o solo não há risco de a serra ficar presa, nem ocorrer o fendilhamento (quebra da madeira antes de completar o corte) do tronco. O corte deve ser feito de cima para baixo e terminar a 2/3 do tronco; a seguir, gira-se o tronco de modo a completar o 1/3 restante serrando também de cima para baixo. 
        Se o tronco estiver apoiado numa das extremidades, há risco de fendilhamento. Nesse caso, começar a serrar de baixo para cima até 1/3 do diâmetro do tronco, e terminar de cima para baixo até os dois corte se encontrarem. 
        Se o tronco estiver apoiado em ambas as extremidades, há risco da corrente ficar presa. O corte deve começar, então, de cima para baixo até 1/3 do diâmetro do tronco e terminar de baixo para cima até os dois cortes se encontrarem. 
 

Ila Maria Corrêa 
Instituto Agronômico, Centro de Mecanização e Automação Agrícola. 
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