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Agronômico, 51(1), 1999
MARACUJÁ AMARELO: NOVOS CULTIVARES IAC PODEM DUPLICAR A
PRODUTIVIDADE DA CULTURA

O Brasil é, atualmente, o maior produtor mundial de maracujá
amarelo (Passiflora edulis Sims. f. flavicarpa Deg.).
A cultura adquiriu expressão econômica a partir de 1986,
quando uma ampliação significativa na área cultivada
e na produção de frutos levou à profissionalização
da atividade.
A expansão dos pomares
e do mercado exigiu uma tecnologia de produção mais adequada,
na qual se insere cultivares capazes de atender aos mercados mais exigentes.
Atualmente, na cultura do maracujá ainda predominam mudas obtidas
de sementes de frutos sem características definidas, nem garantia
de origem, resultando em pomares com plantas de rendimento bastante
variável. Além disso, os frutos produzidos variam muito
de tamanho, peso e forma, o que dificulta a classificação
necessária para a comercialização do produto e
onera o custo da produção.
Em 1991, foi iniciado no
Instituto Agronômico um programa de melhoramento genético
do maracujá amarelo, com o objetivo de disponibilizar o primeiro
cultivar da espécie, homogêneo quanto à qualidade
de fruto, com alta produtividade e bem aceito pelos padrões atuais
do mercado de frutas frescas.
A seleção para
qualidade de fruto e produtividade foi realizada na Estação
Experimental de Agronomia de Monte Alegre do Sul, em condições
de campo, durante sete anos consecutivos. Plantas matrizes originárias
de pomares comerciais de São Paulo, Maranhão, Bahia, Austrália
e Colômbia, após dois ciclos de seleção massal,
foram cruzadas entre si, recombinadas na forma de híbridos intravarietais
F1 e F2, e também retrocruzadas
para um progenitor de frutos grandes e alongados. Quando colocadas em
competição, foram avaliadas também quanto à
produtividade e à homogeneidade.
Desse trabalho, resultou
inicialmente um material conhecido como "Composto IAC-27", testado e
comercializado na Região Sudeste, a partir da safra de 1997.
Trata-se de um agrupamento de quatro progênies selecionadas, duas
em esquema de policruzamento e duas de polinização aberta
entre progenitores selecionados para características de fruto.
A partir dos recombinantes
F2, do "composto IAC-27" novas combinações
foram realizadas, mediante polinizações totalmente controladas.
Conseguiu-se, assim, ampliar a proporção das características
superiores e a homogeneidade. Foram obtidos, então, três
híbridos intravarietais, IAC-273, IAC-275 e IAC-277, direcionados
ao mercado interno de frutas frescas.
Os híbridos Série
IAC 270 (IAC-273, IAC-275 e IAC-277) foram selecionados pela qualidade
de fruto e produtividade. Seus frutos correspondem ao padrão
2A e 3A do mercado atacadista de São Paulo, e apresentam as seguintes
características médias: peso de 170 a 220 g; 8,8 cm de
comprimento por 7,3 cm de largura; mais de 370 sementes por fruto; mínimo
de 50% de polpa; coloração interna alaranjada; teor de
sólidos solúveis totais superior a 15º Brix. A produtividade
média foi de 45-50 t/ha/ano, com polinização manual
complementar. Cerca de 65% desses frutos atingiram a melhor classificação
do mercado, principalmente aqueles colhidos entre março e maio.
Flores em ponto de realizar polinização manual
Esses híbridos apresentaram um acréscimo até de
100% na produtividade atualmente obtida, quando manejados de acordo
com a tecnologia de produção recomendada para o Estado
de São Paulo.
Os frutos dos três
híbridos da Série IAC 270 são bem semelhantes entre
si. Recomenda-se o cultivo próximo, no mesmo campo, o que beneficia
a polinização e o pegamento dos frutos. O ’IAC-277’ apresenta
frutos maiores e mais alongados; ’IAC-275’ tem maior proporção
de frutos com polpa de coloração alaranjada intensa, extremamente
atrativa e aromática; ’IAC-273’, por sua vez, é o de maior
produtividade. Assim, os três são indicados para produtores
que direcionam sua produção para o mercado de frutas frescas.
Cultivar IAC 272: alta produtividade
Híbrido IAC 275: alta qualidade
Em pomares comerciais, da região de Marília, as plantas
têm se apresentado bastante vigorosas, produtivas, com razoável
tolerância de campo às principais doenças foliares
que afetam a cultura.
Informações:
Laura Maria Molina Meletti
Centro de Fruticultura
Fone: (019) 241-9910, fax: (019) 242-3602.
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