Umê é uma pequena e antiga ameixa japonesa. Na simbologia oriental, ela representa a beleza e a delicadeza. Quando conservada em sal, a umê transforma-se em umeboshi, ou seja, em ameixa seca. Credita-se a esta frutinha a cura ou o alívio de muitos males: dor de cabeça, azia, ressaca, diarréia, prisão de ventre, enjôo, mau hálito, gripe, resfriado, indisposição da gravidez, infecções, cansaço, insônia.
Combinando o gosto ácido com o salgado, a umeboshi está para o japonês como o café está para o brasileiro. Da mesma forma como nós costumamos tomar café preto pela manhã e após as refeições, os japoneses comem umeboshi diariamente. A diferença, porém, é que uma umeboshi é muito mais saudável do que uma xícara de café. Quem garante é o agricultor Tomekiti Goto, produtor da fruta em Valinhos: Uma umeboshi por dia é segredo da longevidade, assegura, do alto de seus 94 anos.
Faça em casa:
Compre
umês bem maduras. Lave-as, enxugue-as e coloque-as numa bacia de sal, regando com
aguardente. Deixe descansar e só então ponha as frutas em outra bacia, colocando um peso
sobre elas. Durante 15 dias, deixe-as de molho no próprio sumo que escorrer da ameixa.
Depois, coloque-as ao sol durante três dias, tomando cuidado para que não tomem chuva.
Ao final, os frutos assumem um tom marrom avermelhado. Estão prontos para ir à mesa. O
ideal, porém, é que as frutas fiquem no mínimo um ano em conserva (Dicas de Tomekiti Goto)
No
início da imigração japonesa, para o Brasil, o uso da umeboshi na alimentação era
restrito à comunidade nipônica. Com o passar do tempo e a expansão da cultura oriental
no País, a ume começou a ser cultivada em algumas regiões do interior de São Paulo.
Mas foi com a popularização da alimentação macrobiótica que, de fato, o brasileiro
descobriu a umeboshi.
A
escritora e jornalista carioca Sônia Hirsch, autora de diversos livros sobre saúde e
alimentação, é adepta da alimentação macrobiótica e ingere pelo menos uma umeboshi
por dia. Comprovadamente, é uma aspirina natural, além de desintoxicar o organismo,
afirma. Cuidadosa com a sua rotina alimentar, Sônia conta que também usa a umeboshi para
compensar alguns excessos cometidos na dieta. É melhor do que qualquer remédio
para curar ressaca, diz.
Em
seu livro O Melhor da Festa (1988), a escritora dedica um capítulo ao umeboshi,
prestando-lhe justas homenagens. No mais recente, Meditando na Cozinha (2002), dá uma
receita caseira para o preparo. Em outras publicações de sua autoria, a pequena ameixa
também é mencionada. A umeboshi está muito presente na minha literatura. Creio
ter ajudado a difundir suas qualidade e a ampliar o seu consumo entre os brasileiros,
diz.
No
Brasil, explica a escritora, o consumo de umeboshi está mais associado a fins
terapêuticos do que alimentícios. Segundo ela, no Japão se come umeboshi com arroz
integral, algas ou chá verde. Para isso, porém, é necessário disciplina. O
japonês segue à risca os mandamentos da boa alimentação e anda sempre com um saquinho
de umeboshi no bolso, observa.
No
Ocidente, as coisas são bem diferentes. O empresário Jorge Yamada, consumidor da
umeboshi , diz que a correria do trabalho torna o brasileiro um indisciplinado na mesa.
Eu, por exemplo, almoço num restaurante de shopping center, próximo à empresa, e
acabo não levando umeboshi comigo. Sou, portanto, um consumidor relapso, mas costumo
ingerir pelo menos seis frutinhas por semana, diz. Segundo Yamada, reza a tradição
japonesa que se deve ingerir três ameixas por dia.
O
consumo freqüente da umeboshi traz melhorias para a saúde, principalmente a longo prazo.
Além de curar ou prevenir problemas corriqueiros, nosso organismo cria uma
autodefesa eficiente. Um bom exemplo disso é o estado de saúde de Tomekiti Goto, que
continua lúcido, trabalhando aos 94 anos de idade, diz.
UMÊ: tonifica o fígado e reduz gordura
O
engenheiro de alimentos Júlio Mukuno, explica porque tantas qualidade medicinais são
atribuídas à frutinha. A umeboshi reduz o excesso de gordura e baixa o nível de
ácido úrico no sangue, alcalinizando-o, enumera.
Segundo
ele, a combinação do sabor ácido e alcalino, presente na fruta, traz o equilíbrio
ideal para o bem-estar do organismo, sobretudo do fígado. Sabemos que muitos
problemas de saúde decorrem de males causados ao fígado; a umeboshi atua principalmente
neste órgão, tonificando-o.
Assim,
segundo Mukuno, as propriedades alcalinizantes da umeboshi servem também para eliminar a
hiperacidez, aliviando as indesejadas queimações do estômago. Ideal para amenizar
enjôos, causadas pelas alterações gástricas, a umeboshi é muito procurada por
mulheres grávidas. É um alimento natural que não leva aditivos em sua
fabricação e não tem contra-indicações, diz Mukuno.
A
única restrição, explica ele, é para quem tem pressão alta. Como a umeboshi é
muito salgada, deve-se não abusar do consumo. Duas ou três frutinhas por dia são mais
do que suficientes para deixar a saúde em dia, avisa.
Mil e duas utilidades
A
umeboshi é um derivado do fruto umê, que não deve ser ingerido in natura. Transformada em umeboshi, após o
processo de desidratação, a ameixa japonesa ganha propriedades medicinais. É
anti-séptica e contém substâncias antibióticas confirmadas em pesquisas científicas.
Destrói os germes da disenteria instantaneamente e age também sobre as bactérias da
tuberculose.
Como
se não bastasse, tem duas vezes mais proteínas, minerais e gorduras do que qualquer
outra fruta, principalmente cálcio, ferro, fósforo e ácido cítrico. Evita a fadiga,
geralmente, causada por acúmulo de ácidos que não são metabolizados pelo organismo, em
conseqüência da alimentação inadequada e da vida sedentária, que faz com que o corpo
absorva pouco oxigênio.
A
acidez na corrente sangüínea nos deixa mais suscetíveis a doenças infecciosas,
hepáticas e do envelhecimento. A umeboshi fornece as substâncias necessárias à
neutralização do excesso de ácidos. E, pela mesma razão, combate radicais livres,
retardando o envelhecimento. A ameixa promove ainda a desintoxicação do organismo, na
medida em que facilita o metabolismo, além de auxiliar o funcionamento do fígado e dos
rins.
Contra-indicações:
para hipertensos e crianças abaixo de três anos, que não devem consumir sal.
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Fonte:
Revista Metrópole, n.º 85, fevereiro/2003.